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A grande entrevista com a escritora Reinira 28

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A jovem escritora Angolana Naira Cristina Marco da Silva Pinto, de nome artístico Reinira 28, de 25 anos de idade, num universo de palavras e numa conversa amena com a revista CHOCOLATE, deu-nos o privilégio de ouvir a sua trajectória como escritora.

A grande entrevista com a escritora Reinira 28

Reinira, nascida aos 28/07/1996, filha de Higino da Silva Pinto e Paulina Tavares Ferreira do Marco, lançou no ano passado, dia 6 de Novembro, o volume II do seu livro intitulado “Otchali. As Armadilhas do Destino”.

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CH: Fale-nos um pouco de si!

O que gosta de fazer nos tempos livres?

Reinira: Em todos os momentos procuro aproveitar ao máximo o tempo que tenho para realizar actividades que para mim são prazerosas, por vezes é difícil, mas não deixo de tentar. Eu gosto de ver filmes, séries, animes, ler, jogar PlayStation, passar tempo de qualidade com os amigos, família e os meus animais de estimação – que considero como filhos. Há vezes em que descansar também é uma maneira prazerosa de aproveitar parte do tempo que tenho, ajuda a reunir forças e aumentar a energia.

CH: Considera-se uma mulher vaidosa?

Reinira: Sim, na medida do possível. Procuro estar bem-apresentada quando tenho de participar em alguma actividade/ evento, tomo mais atenção às roupas, unhas, maquilhagem, mas no dia-a-dia (quando não tenho algo programado), geralmente, prefiro estar o mais simples possível.

CH: O que não pode faltar no seu guarda-fato?

Reinira: Esta é uma pergunta difícil de se responder, mas a primeira peça que me veio à cabeça foi um par de calças pretas! Acredito que não haja ninguém que não tenha um par de calças pretas no guarda-fato. É um item indispensável!

CH: Há quanto tempo é escritora?

Reinira: Comecei a escrever em 2018, mas apresentei-me oficialmente como escritora em meados de 2020, quando lancei a minha primeira obra no formato digital, intitulada “Com Quem Me Casei?”. Neste caso, farei 5 anos no mundo da escrita!

CH: Quando e como começou a interessar-se pela escrita?

Reinira: Sempre gostei de ler e não imaginava um dia tornar-me escritora. A vida na universidade não me permitia pensar sequer em escrever um livro, uma realidade que se alterou quando me licenciei. Tinha bastante tempo livre e com poucas coisas para o ocupar. Foi quando descobri que existia uma plataforma digital que permitia ler obras de autores desconhecidos e postar/escrever livros que o interesse surgiu. Decidi imaginar e começar a escrever. Postava um capítulo por dia, tudo por diversão. Mas a realidade foi se alterando quando as pessoas começaram a fazer pressão sempre que me atrasasse para postar um capítulo ou me esquecesse. Quando dei por mim, não mais parei!

CH: Quem a inspirou a gostar da escrita?

Reinira: Os livros foram a minha maior fonte de inspiração. Eles actuam na minha vida como portais e permitem-me viajar entre mundos e descobrir novas coisas/sensações. Eu quis participar desse universo não de forma passiva, mas activamente, criando também histórias que permitissem aos leitores sonhar, imaginar e sentir tudo aquilo que eu senti ao escrevê-las.

CH: Conte-nos, como foram os seus primeiros passos?

Reinira: Primeiro comecei por publicar numa plataforma digital de literatura. Um capítulo por dia e deixava que a inspiração do momento comandasse o decorrer dos acontecimentos. Para mim cada dia também era uma descoberta. Foi um desafio que me impus e que consegui ultrapassar.

A seguir, depois de muito incentivo da minha irmã, decidimos arriscar e publicar as mesmas histórias no Facebook para analisar a reacção de outros leitores e saber se realmente valia a pena investir numa carreira como escritora. E para minha surpresa recebi muito apoio das pessoas que se predispuseram q acompanhar os capítulos que publicava. Foi então que decidimos lançar um livro digital e distribuí-lo de forma gratuita.

CH: Como escritora, quais as suas referências nacionais e internacionais e por quê?

Reinira: Referências são várias, cada escritor que prenda a minha atenção com as suas obras se torna uma referência para mim, pois como escritora tentarei me superar para atingir a mesma qualidade. Foi ao ler um livro do Pepetela “Se o passado não tivesse asas” que de tanta tristeza e emoção larguei o livro por alguns segundos e me neguei em aceitar aquilo que tinha acabado de ler. Não sei se vou conseguir ler novamente aquela passagem, mas marcou-me de tal forma que é um dos livros nacionais que levo como referência. Desde aquele momento que quis escrever algo com o poder de transmitir o mesmo que eu senti naquele pequeno instante. E como este, há outro de uma autora/jornalista investigativa, Frances, Annick Cojean, que conseguiu envolver-me da mesma forma.

CH: O que mais a encanta na escrita?

Reinira: É simples, primeiro é o poder que a escrita nos proporciona de criar e recriar! E segundo, é a imortalização. Um livro pode viajar por gerações.

CH: Fale-nos da sua mais recente obra literária. O que é que ela retrata?

Reinira: A minha obra mais recente é o segundo volume de um livro lançado no início de 2021: “Otchali. As Armadilhas do Destino”.

É um romance com dezanove capítulos e 98 páginas, cuja trama se desenvolve em Angola na década de 60. Narra a história de três irmãs da familía Otchali: Elora, Zana e Nala, revelando o destino de cada uma.

CH: Que significado é que ela tem para si?

Reinira:  Foi um livro que me permitiu dizer com orgulho que sou escritora, isto porque senti que as primeiras obras precisavam de algo, de mais amadurecimento, talvez! Mas com o “Otchali” a sensação foi diferente, consegui ver nele a linha de escrita que quero adoptar daqui para frente.

CH: Quais foram as dificuldades que encontrou no seu processo de elaboração?

Reinira: A principal dificuldade que encontrei foi arranjar tempo para conciliar a vida da escrita com os outros afazeres diários. Por isso o livro demorou mais tempo que os outros para estar concluído.

CH: Onde é que o podemos encontrar?

Reinira: O livro pode ser adquirido por entrega ao domicílio, basta que as pessoas interessadas entrem em contacto pelas redes sociais (Instagram e Facebook), como também podem encontrar nas livrarias.

CH: Qual tem sido a recepção dos leitores?

Reinira: Felizmente, positiva! É com gratidão que digo que é também pelo apoio das pessoas que reservam parte do seu precioso tempo para criticar, quer positiva, quer construtivamente o meu trabalho que ganho mais força e gás para continuar. Não é uma vida fácil, mas desde que não seja impossível, desistir não será opção.

CH: Como se auto-avalia enquanto escritora?

Reinira: Sou uma escritora em crescimento/evolução. Ainda tenho muito por onde trilhar. Muito para aprender.

CH: Como avalia o mercado literário Angolano? O que gostaria de mudar no mesmo?

Reinira: É um mercado ainda numa fase quase que embrionária, que precisa de mais mobilização de todos os envolvidos, desde os leitores, escritores, gráficas, editoras… Todos! Neste momento esforços têm sido feitos para se alterar a realidade em que se vive, tenho participado de várias actividades que demonstram isso, mas ainda há muito a fazer-se.

CH: Já participou em actividades literárias e quais, nomeadamente?

Reinira: Participei de várias. E confesso que só comecei a prestar mais atenção às mesmas depois de ter me inserido nesse meio. Não vou citar os lançamentos de livros, porque a lista neste momento é grande!

Participei da primeira edição do Festival Lepal, um evento literário que visou congregar escritores, leitores, livrarias e editoras num mesmo ambiente para impulsionar a literatura com exposições, comercialização de livros, debates, cursos, concursos de escrita criativa e recital de poesia. Teve a duração de três dias (9 a 11 de Dezembro) na Mediateca de Luanda, localizada no 1º de Maio, no Largo das Escolas.

Participei de um evento artístico que congregou spoken word, música, humor, teatro, exposição de livros, organizado pela Metanóia Minds (instituição vocacionada para a capacitação humana a partir das artes) no dia 19 de Fevereiro.

Participei da feira “Conexões, Letras e Artes”, realizada no Memorial António Agostinho Neto, organizada pela direcção do mesmo, onde tive a oportunidade de expor as minhas obras e apresentá-la ao público presente.

Participei também do “Leitura na Banda”, realizado pela organização da Banda poética em Fevereiro, com duração de dois dias, que basicamente congregou os mesmos objectivos que os eventos já citados. E como estas participei de outras mais.

CH: De quantas obras literárias é detentora e quais são?

Reinira: Sou a autora dos livros :

“Com Quem Me Casei?” (digital)

“Otchali. Filhas da Terra Filhas de Angola”

“Otchali. As Armadilhas do Destino”

E participei da colectânea de contos “Trilha dos Inadaptados”, projecto realizado pela editora Palavra&Arte.

CH: De que forma a família encara a sua carreira com escritora?

Reinira: Hoje não existiria Reinira 28 se não fosse pelo apoio da minha família. Eles foram os primeiros a ver em mim algo de que eu própria não fazia ideia. Esse é um caminho que por sorte não trilho sozinha e sei que sempre estarão ao meu lado para o que precisar!

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