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A grande entrevista, com o artista plástico Johnson Mufaba

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“A arte nasce da existência do artista”. Jonathan Ndonga Pedro é um artista plástico conhecido pelo nome artístico Johnson Mufaba, tem 25 anos, nasceu em Luanda e é filho de João Pedro e da Landu Zola Ndonga.

A grande entrevista, com o artista plástico Johnson Mufaba

Johnson Mufaba, amante da arte desde tenra idade, fala do seu trajecto na arte plástica, numa conversa tranquila com a Revista Chocolate.

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CH: Quando e como entra para o mundo da arte?

Johnson Mufaba: Na altura eu tinha apenas 4 anos de idade, depois de sairmos de Luanda para a RDC com a minha mãe. O amor e a paixão pela arte começaram desde que a minha mente acolheu a consciência humana. Foi daí que eu comecei a desenhar no chão enquanto brincava, anos mais tarde fui elogiado por um pintor de murais – Germain Assimbo – foi ai que eu percebi que manipular o pincel era o meu mundo.

CH: Gosta da arte que faz? E este gosto foi impulsionado ou surgiu de forma natural?

Johnson Mufaba: Primeiramente, eu considero a arte a encarnação da vida, quero dizer: materializar o pensamento, ideia, emoções, sentimentos, assim como todas as expressões, do interior para o exterior. E o gosto pela arte nasceu de forma natural, mas foi desenvolvido na escola de artes “Academia de Belas Artes de Kinshasa”, na República Democrática do Congo.

CH: Já trabalhou em vários projectos. Quais, nomeadamente?

Johnson Mufaba: Sim, já trabalhei em vários projectos, como “DIMENSÃO PLURAL” em 2014 em Kinshasa, “SOKOKO BAZAR” no Instituto Francês de Kinshasa, fizemos muito no colectivo “KIPELO” de Kinshasa, participei nos vários eventos de JAA Jeunes Artistes d’Avenir, também no evento de “ART-TEMBO” em Kinshasa, na actividade de “PRIMUS BRALIMA” em Kinshasa, e também fui seleccionado no Projecto Cucarte sob o tema “A MINHA LUANDA”, isso no hotel Inter-continental de Luanda-Miramar. E várias vendas na minha carreira.

CH: Já fez parte de alguma exposição ou colecções colectivas? Quais?

Johnson Mufaba: Já fiz sim, no colectivo “KIPELO” e no JAA.

C.H: Há quanto tempo trabalha com esta arte?

Johnson Mufaba: Eu trabalho com esta arte há 13 anos.

CH: Já fez alguma exposição individual?  Se sim: qual, quando, onde e apresentou com quantas peças? Se não: quando pretende fazê-lo?

Johnson Mufaba: Ainda não fiz, mas pretendo fazê-lo neste ano de 2022.

CH: O que representa a arte para si?

Johnson Mufaba: Representa vida, amor, impressão, alegria, paz, e lembrança.

CH: O que mais gosta de pintar?

Johnson Mufaba: Fazer entender ao mundo que respiramos a mesma energia que a natureza inteira, incluindo a eternidade. Significa que somos um com Deus. 

CH: Quais são as suas inspirações para fazer a sua arte – no que é que pensa?

Johnson Mufaba: A fonte da minha inspiração é o amor, a paz, a alegria, incluindo todas as situações da terra (mundo). E quando eu pinto, a melodia musical é a minha alimentação de viagem. 

CH: Há alguém que lhe sirva de inspiração no tipo de arte que faz? Quem?

Johnson Mufaba: Sim, o artista Claudi Kan, Aline Ferreira, Amedo Modiki e muitíssimas vidas e palavras dos irmãos e irmãs.

CH: Como avalia a arte em Angola? Em especial a que faz?

Johnson Mufaba: Na arte Angolana, inspira-me especialmente o valor de África, a inocência da arte, seja na área da pintura, cerâmica, como outras. Encanta-me com as potencialidades culturais, especificamente com histórias de “Mbanza Congo”, a alegria que a música angolana inspira, para mim, a arte angolana tem energia de viver. 

CH: Quais são as maiores dificuldades que enfrenta na sua área de trabalho?

Johnson Mufaba: A maior dificuldade está na aquisição dos materiais, atelier, no transporte dos quadros – e o sucesso para o desenvolvimento da minha profissão começa aqui em Angola, para ser visto no mundo inteiro.

CH: Como tem sido o acesso às salas para exposição dos seus trabalhos?

Johnson Mufaba: Tem sido um pouco complicado o acesso, mas com persistência acabamos por realizar o sonho.

CH: Se pudesse mudar alguma coisa na sua área de trabalho, o que mudaria e por quê?

Johnson Mufaba: Em consideração à cultura, mudaria a mente Africana e a ignorância da cultura, porque o Africano negligencia a sua força e valor. Ele apenas protege o bem da sua barriga e considera apenas a própria família biológica e a sua vontade de semear para desenvolver África gira em torno da sua família – seja burro ou inteligente.

CH: Normalmente, quais são os materiais que usa para fazer a sua arte?

Johnson Mufaba: Eu uso tinta acrílica e óleo, tela, pincéis e faca de aplicar a massa de tinta na tela, quadros em madeira de pinheiro, pó de titane, cola DM, cola AC23, amoníaco, óleo, pó de tilose.

CH: Quais são as técnicas que usa normalmente? E por quê?

Johnson Mufaba: Eu uso muito o acrílico sobre tela, porque me sinto livre com essa técnica. 

CH: Quando pinta, o que pretende transmitir?

Johnson Mufaba: Transmito o amor, a felicidade, a paz, a liberdade e o reconhecimento de ser.

C.H: Há algum trabalho que tenha feito e lhe marcou em especial? Fala-nos dele

Johnson Mufaba: Sim, um que fala da ressurreição de si, quero dizer, retratei o que acontece no coração no momento da ressurreição de si… Foi vendido em 2021, para um cliente na França.

C.H: Como consegue conciliar a vida profissional com a família?

Johnson Mufaba: Saí de uma família pobre, e tento sustentar-lhes com o meu possível, apesar de não ser fácil.

A grande entrevista, com o artista plástico Johnson Mufaba

A grande entrevista, com o artista plástico Johnson Mufaba

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