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Dieta Mediterrânea: comer bem e viver bem

O mês de Maio é também o mês da Dieta Mediterrânea (ou mediterrânica) e como tal, por que não partilhar consigo os benefícios daquela que é considerada uma das dietas mais saudáveis que há e que é mais do que dieta: é um estilo de vida, inspirado nos hábitos dos países europeus na bacia do Mar Mediterrâneo (dos quais se destaca a Itália) nos anos 50.

Esta dieta representa a pedra angular de quem quer seguir uma dieta equilibrada e correcta. Não por acaso, desde novembro de 2010, foi reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, um sinal de que os hábitos alimentares dos povos mediterrâneos podem e devem ser tomados como modelo a seguir, para garantir uma vida em perfeita saúde.

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Dieta Mediterrânea: comer bem e viver bem

Os principais ingredientes desta dieta são: frutas e legumes (recomenda o consumo de 5 porções de frutas e vegetais todos os dias), cereais integrais, azeite, vinho; mas também peixe, carnes brancas (limitando o consumo de carnes vermelhas e gordurosas), produtos lácteos e ovos. E acrescenta que se deve beber pelo menos 1,5 litros de água por dia.

A dieta mediterrânica proporciona uma dieta saudável e equilibrada do ponto de vista nutricional, capaz de reduzir a incidência de doenças cardiovasculares, tumores, diabetes e distúrbios alimentares, bem como retardar o declínio cognitivo típico do envelhecimento. Mas, como a etimologia grega sugere (“δίαιτα” = modo de vida),  o conceito vai além da nutrição, identificando um estilo de vida real, que inclui práticas sociais, tradicionais e agrícolas.

A descoberta da dieta mediterrânea deve-se a Ancel Keys, um biólogo e fisiologista americano que viveu por mais de quarenta anos em Pioppi, Cilento e lá formulou a suas teorias sobre a ligação entre os hábitos alimentares das populações locais e a incidência de doenças cardiovasculares. Em seguida, procedeu a um estudo comparativo das dietas de 14 grupos de homens entre os 40 e os 59 anos pertencentes a sete países, em três continentes diferentes (Estados Unidos, Finlândia, Holanda, Itália, Iugoslávia, Grécia e Japão), o Seven Countries Study, do qual nasce o volume  “Eat well, stay well“.

Um modus vivendi capaz de fortalecer o sentimento de pertença e partilha entre os povos do Mediterrâneo. E mais uma vez, um regime sustentável não só para a saúde, mas também para o meio ambiente, graças ao uso de recursos naturais e às baixas emissões de gases de efeito estufa, uma vez que se baseia principalmente em alimentos de origem vegetal; e graças ao respeito da sazonalidade dos produtos, tradições locais e biodiversidade.

A dieta a seguir é bem ilustrada na Pirâmide da Dieta Mediterrânica, cujo primeiro esquema foi elaborado pelo Ministério da Saúde da Grécia, em 1999, baseada no estudo de Ancel Keys. Um esquema que inclui cerca de 22 a 23 porções de comida por dia, distribuídas em três ou quatro refeições. No topo estão os alimentos a serem consumidos com mais moderação, enquanto na base destacam-se os que devem ser consumidos diariamente.

Em 2009, o INRAN (Instituto Nacional de Pesquisa e Nutrição Alimentar), à luz dos novos hábitos alimentares e descobertas, propôs uma actualização da Pirâmide da Dieta Mediterrânica. Entre as principais mudanças, destaca-se a distinção entre gorduras de origem vegetal e gorduras animais, como a manteiga. Mais: os carboidratos complexos como pão, massa e arroz passam da base para o topo. A nova pirâmide também enfatiza a importância de combinar uma dieta saudável com um estilo de vida saudável, que inclua convívio à mesa, actividade física moderada e regular (30 minutos por dia durante cinco dias por semana) e uma atenção especial à sazonalidade, biodiversidade e produtos típicos locais.

Artigo publicado inicialmente no editorial de Maio.

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