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(Des)Construindo a moda, um estereótipo de cada vez

Pode não saber quem é EdwardEnninful, mas já ouviu de certeza falar daquele que fez história na Moda como oprimeiro editor-chefe masculino da revista Vogue do Reino Unido. Pois bem, foiele, Enninful.

Mas o inédito não se fica pelogénero. Além de homem, Edward é negro e homossexual, o que para quem conhece aconceituada revista, sabe o quão relevantes são estes dados, tendo em conta oseu elevado grau de conservadorismo e tradicionalismo. Para completar, EdwardEnninful não é jornalista, mas sim stylist,o que também é um feito sem precedentes no que toca ao cobiçado cargo nestarevista.

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(Des)Construindo a moda, um estereótipo de cada vez

Desde que assumiu as rédeas daVogue UK (Reino Unido) em Agosto de 2017, sucedendo Alexandra Shulman, o stylist quebrou os códigos tambémelitistas, para defender uma visão mais inclusiva da moda, transcendendo a corda pele, religião, corpo, orientação sexual ou antecedentes sociais, tudo comuma naturalidade e um toque artístico que força a admiração, mesmo de quem nãoconcorda com os seus ideais mais liberais.

E na sua primeira edição enquantochefe, Edward fez imediatamente ver qual seria a linha editorial que seguiriadaí em diante, escolhendo uma capa que dizia “Grã-Bretanha” sob oretrato de Adwoa Aboah, modelo e activista negra, com um turbante na cabeça epálpebras de cor turquesa. Para muitos foi uma afronta, para outros tantos umalufada de ar fresco, mas para todos uma decisão ousada e memorável.

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Dos seus muitos actos‘’memoráveis’’ enquanto Editor-Chefe, temos a edição especial de Setembro de2018, por exemplo, com Rihanna na capa – a primeira mulher negra a ser capa daedição mais importante do ano!

Do Gana para o mundo

Nascido no Gana, emigrou com ospais e irmãos para Londres ainda em criança.

Do pai militar herdou o gostopela ordem e organização. Com a mãe costureira aprendeu a criar, construir epersonalizar peças.

Foi no Metro de Londres que foidescoberto pelo estilista Simon Foxton, que o encorajou a ser modelo e foiassim que a sua carreira começou. Na época, Edward Enninful tinha 16 anos.

Mais tarde, tornou-se seuassistente, na revista de Moda i-D, que depois o contratou como editor de Moda,com apenas 18 anos.

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E foi nessa revista que cresceu etrabalhou por 20 anos.

Tornou-se colaborador da VogueItália no início dos anos 2000, onde o seu estilo e visão conquistaram aeditora-chefe, a carismática Franca Sozzani, e o fotógrafo Steven Meisel, comquem ele assinou em 2008 um dos números mais significativos de toda a suacarreira: o “Black Issue“.Uma edição apenas com manequins negros.

Em apenas três dias, venderamtodas as revistas e tiveram de reimprimir 40.000 cópias adicionais.

O sucesso levou-o à Vogue US(Estados Unidos), com Anna Wintour e Grace Coddington. Depois, na W Magazine, tornou-se editor de modaentre 2011 e 2017, voltando a chocar com as fotos de Kate Moss como freira ouNicki Minaj como cortesã do século XVIII.

Próximo Anna Wintour?

É a pergunta mais recorrente dosúltimos tempos. Se será Edward Enninful o sucessor ao trono ninguém sabe, mas averdade é que em dois anos como chefe, Enninful já conseguiu revolucionar umarevista que já existe há um século e que raramente saiu da sua ‘’bolha’’.

Trouxe inclusão, frescura,inovação, sem nunca deixar de fora os ingredientes principais: criatividade earte ao serviço da Moda.

“Edward Enninfultem uma visão totalmente inata do que a moda deveria ser, ele vive com o seucoração, sem desejo de agradar ou obedecer a um statement“, Christian Louboutin.

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