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Entrevista com a “crocheteira” Soraya Gomes, alusivo ao dia mundial do crochet

O crochet é uma técnica de artesanato que consiste em criar tecidos a partir de fios, ou linhas, à mão, usando uma agulha especial, chamada de “gancho”. É uma técnica antiga, que tem sido praticada há séculos em várias partes do mundo.

Entrevista com a “crocheteira” Soraya Gomes, alusivo ao dia mundial do crochet

É uma actividade divertida e criativa que pode ser aprendida por pessoas de todas as idades e habilidades e é celebrada mundialmente no dia 12 de Setembro, data instituída em 2007, quando Jimbo, um artesão americano especialista na criação de agulhas de madeira, decidiu oficializar uma data para comemorar o dia do crochet.

Em Angola, o crochet (antigamente) era mais praticado por pessoas idosas: as avós utilizavam o tecido de crochet para fazer peças de roupa e sapatos de bebé, como também para se entreterem quando não tivessem nada para fazer.

Hoje em dia, o crochet ganhou espaço no universo da moda,l  e mulheres como a artesã e “crocheteira” Soraya Gomes fizeram dessa arte uma profissão. E ganharam espaço no mundo da moda com as peças de roupa feitas de crochet. Soraya, de 27 anos, natural de Luanda, conta à Revista Chocolate o seu percurso no artesanato, até se tornar uma referência na moda em crochet em Angola.

CH: Soraya, uma vez que o crochet é uma actividade que deriva do artesanato, primeiramente, gostaríamos de saber como entrou no mundo do artesanato.

SG: “Entrei no ramo do artesanto em 2007. A princípio comecei por fazer acessórios simples e crochet para decoração de casa, tais como cintos feitos de anilhas, bolsas, bases de mesas… Mas, na verdade, eu desenvolvi e aprendi a fazer peças em crochet na escola Católica das Madres. Na altura, eu tinha nove anos, estava a frequentar o ensino primário e na escola nós tínhamos o crochet como uma actividade extracurricular. Todos os santos dias os alunos, após as aulas, tinham de ir às aulas de crochet. E daí, eu acabei por me apaixonar por ele, porque a partir do crochet eu notei que eu poderia ser eu, ter mais liberdade, expressar os meus sentimentos nas linhas, cores, agulhas, etc. Actualmente, alarguei os meus serviços, tenho como porta de entrada do meu empreendimento a moda crochet para praia.” 

Entrevista com a “crocheteira” Soraya Gomes, alusivo ao dia mundial do crochet

CH: Há quanto tempo é empreendedora em moda crochet?

SG: “Eu trabalho em moda crochet de praia desde 2017. Desde este ano, eu descobri que o meu dom vai muito além dos artigos decorativos e acessórios e passei apostar mais em roupas, principalmente roupas de praia. Por exemplo: fatos de banho, saias, blusas, calções para praia, entre outras peças. De lá para cá tenho me focado apenas na moda praia. Graças a Deus, tenho tido bons resultado com este posicionamento.”

CH: Já pensou em algum dia dar formação, passar este conhecimento para mais pessoas?

SG: “Já sim. Na verdade, eu estou com este projecto quase finalizado, porque eu tinha, primeiro, de criar meios apropriados para dar formação. E aproveito para dizer que ela vai começar a partir do dia 10 do próximo mês (Outubro).”

CH: Como avalia o mercado da moda crochet em Angola?

SG: “Em Angola, a moda crochet ainda é algo prematuro, tem pouca abertura e gostaria muito que fosse mais abrangente, que houvesse mais oportunidades para expandir esta profissão nas 18 províncias do país e no mundo. O crochet em Angola é uma linha muito restrita, porque as mulheres vêem o crochet como um trabalho feito por idosas, o que não é verdade. Eu aprendi a fazer o crochet possivelmente com 9 anos e de lá para cá eu continuo com este trabalho, tem me ajudado bastante. Eu digo que tenho a graça de me sentir honrada e ser classificada como a melhor de Angola. É o ponto de vista de algumas clientes minhas e – não querendo me vangloriar – eu também me considero sim umas das melhores no país.”

CH: Quais são os maiores desafios que encara nesta profissão em Angola?

SG: “O maior desafio que encaro nesta profissão é a busca de materiais. No crochet, por não ser muito conhecido em Angola, a aquisição de materiais tem muita escassez. Por não ser um trabalho muito conhecido, as pessoas têm a mania de pensar que o crocet não passa de um simples detalhe decorativo, como base de mesa, pega, entre outros. Mas não é isso, o crochet é muito mais abrangente, dá liberdade de mostrar quem tu és numa peça de roupa. É exactamente o que acontece comigo: dá-me a liberdade de criar variações de cores e estampas das peças. E se tivéssemos mais oportunidade em Angola, eu sentir-me-ia muito feliz com isso porque eu faço parte deste mundo, faço parte da geração da moda crochet e queria muito ter o prazer de poder sentir-me agraciada neste ramo do crochet.”

CH: Quais são as vantagens e desvantagens de trabalhar na moda em crochet, sendo que é um trabalho que faz 100% à mão?

SG: “As vantagens e desvantagens são múltiplas, além de melhorar a saúde mental, ser terapêutico, o crochet desperta a criatividade a partir da criação, combinações de cores e estampas, melhora autoestima e dá uma satisfação pessoal de ter terminado alguma peça. A desvantagens são que muitas das vezes causa lesões, pelos movimentos repetitivos nos braços e pulso, na mão. Dá muitas dores na coluna, fadiga, esgotamento físico, perda de sono. Se não tiver este cuidado, não vai tornar-se terapêutico, vai causar problemas de saúde, o que não é bom.”

CH: É possível viver à base do crochet em Angola?

SG: “É difícil, mas é possível, sou prova disso. Eu pago os meus estudos (na Universidade), com o dinheiro do crochet, consegui concretizar muitos projectos com o dinheiro do meu negócio, ajudo a minha família, então, o crochet aqui em Angola só precisava de ter mais visibilidade mais abrangente e ser mais valorizado. Se fosse assim, acredito eu que conseguiria empregar mais pessoas no meu empreendimento.”

CH: Qual é o seu público alvo?

SG: “O meu público alvo é o género feminino, eu gosto muito de vestir mulheres, uma vez que também sou uma mulher. Gosto de ajudar outras mulheres a terem autoestima através das peças de roupa que eu faço. Eu faço roupa para crianças, gestantes, para adultas.”

CH: A marca “Soraya Gomes” tem sido bem recebida no mercado?

SG: “A minha marca tem sido sim bem recebida cá em Angola, graças a Deus. Não só em Angola, como tamém noutros cantos do mundo, o meu serviço já é internacionalizado, consumido por mulheres que se encontram no mundo a fora.  Actualmente já há mais mulheres que estão dentro desta profissão, o que é muito bom, já consigo sentir pressão da concorrência. A competição no bom sentido torna-nos pessoas fortes e determinadas. Por esta razão, futuramente passarei a fazer roupas para homens, que é um projecto que quero incluir no meu empreendimento.”

CH: Soraya, sente-se realizada? Diga-nos.

SG:  “Estou a caminhar para isso. A cada dia que passa,  eu sinto-me mais realizada com este projecto que se tornou uma marca desde que  decidi abraçar, honrar e fazer dele o meu ganha-pão todos os santos dias, pois gostaria que a minha marca fosse conhecida a nível mundial. Pretendo  ampliar o meu empreendimento, ter uma equipa muito grande, que possamos trabalhar juntos e fazer a nossa marca, ou o crochet ir mais além, porque eu vejo noutros países, muitas pessoas sobrevivam do crochet e gostaria também que cá no meu país acontecesse a mesma coisa. “

CH: Deixe, por favor, um apelo a todas mulheres que querem também seguir a mesma profissão e encontram obstáculos, ou não têm coragem.

SG: “O meu apelo é seguinte: para todas as mulheres que queiram fazer, ou entrar neste ramo do crochet, ou moda em crochet, não desistam dos vossos sonhos! Obstáculos vão encontrar sempre, a cada sonho que a gente quer realizar, vão existir sempre obstáculos, então não façam dos vossos obstáculos um ponto final, mas sim um ponto de continuação, para que possam dar o passo a seguir nas vossas vidas. Sejam pessoas resilientes, determinadas, se hoje eu, Soraya Gomes, estou onde estou, foi porque decidi correr atrás dos meus sonhos.”

História do Crochet

A história do crochet é longa e diversificada, tendo as suas raízes em vários países e culturas. A técnica foi desenvolvida há milhares de anos e foi usada para criar tudo, desde roupas e acessórios, até decoração de casa. O crochet tem sido praticado em várias partes do mundo, incluindo Europa, África, Ásia e América do Norte e do Sul. Durante o século XIX e início do século XX, o crochet tornou-se uma actividade popular entre as mulheres e continua a ser uma actividade popular até hoje.

A arte marcou presença em várias esferas sociais e económicas. Da mesma forma, uniu diferentes gerações como um símbolo de sobrevivência e união. Como na Grande Fome na Irlanda, quando o crochet se tornou uma alternativa para os trabalhadores empobrecidos e reuniu crianças, avós e mulheres para cooperar e transmitir os seus conhecimentos através da tecelagem.

Você conhece os benefícios que a técnica proporciona?

O crochet estabeleceu-se como uma ferramenta anti-stress e tem ajudado milhares de pessoas ao redor do mundo a melhorar as suas funções motoras e a sua saúde mental. Centenas de pessoas aderem constantemente a esta prática como terapia, a fim de dar mais sentido às suas vidas e cumprir os seus propósitos.

Entrevista com a “crocheteira” Soraya Gomes, alusivo ao dia mundial do crochet
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