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Saiba os benefícios e malefícios do clareamento da pele

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As manchas são um dos factores que levam muitas pessoas a ir atrás dos tratamentos de clareamento da pele. No mercado existem muitas indústrias que comercializam produtos com os seus benefícios e que ao mesmo tempo acarretam os seus malefícios para a saúde. Quando o resultado do clareamento é negativo pode prejudicar a pele e a mente de quem faz o seu uso.

Saiba os benefícios e malefícios do clareamento da pele

De acordo com o relatório de 2011 da OMS, em África 40% das mulheres clareiam a pele: a Nigéria tem um total de 77%, por sinal a maior percentagem, Togo com 59%, África do Sul 35%, Senegal 27% e Mali 25%. Mas é a região da Ásia-Pacífico que representa o maior mercado mundial em geral, obtendo 54,3% da receita global (em 2018). Na Índia, os produtos clareadores de pele representam 50% do mercado de cuidados com a pele do país.

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As manchas são nada mais do que um desequilíbrio da melanina, pigmento produzido pela pele que tem a função de lhe dar cor, produzindo partes mais claras ou escuras pelo corpo e pelo rosto. Elas possuem uma característica em comum, mesmo com a existência de diferentes tipos: todas, se expostas excessivamente ao sol, podem ser agravadas. As manchas também podem surgir por diversas razões, que variam desde a genética, alterações hormonais e até hábitos de vida. É mais fácil prevenir do que removê-las, portanto todo cuidado é especial, principalmente em relação à protecção solar.

Os produtos de clareamento da pele apresentam como um dos principais benefícios a remoção de manchas ou suavização da parte escura da pele. É importante ressalvar que o tratamento do clareamento deve ser contínuo, pois as manchas podem voltar quando o tratamento é interrompido ou se não tomar os devidos cuidados, como usar protector solar sempre que houver exposição ao sol.

Saiba os benefícios e malefícios do clareamento da pele

É muito importante ser disciplinado com a aplicação e reaplicação do protector solar ao longo do dia e, além disso, manter uma higienização adequada tanto para o dia quanto para a noite, remover sempre rla maquilhagem e, principalmente, ter produtos clareadores durante a sua rotina, que tenham efeito prolongado e uniformizem o tom da pele. Pode também pode optar por tratamentos mais invasivos, como peelings e lasers. Hoje, a prevalência de práticas de clareamento varia de acordo com o país, mas a OMS aponta que é uma das indústrias de beleza de crescimento mais rápido em todo o mundo. Branqueamento, clareamento, ou descoloração: todos esses são termos usados para a mesma prática de usar cremes, sabonetes ou outros cosméticos que têm como objectivo clarear os tons da pele.

Como tudo na vida tem os seus benefícios, também encontramos os seus malefícios. Em alguns países de África e da Ásia, o preconceito afecta desproporcionalmente as mulheres, vítimas dos ideais sexistas de beleza. Há uma noção percebida de que uma pele mais clara significa mais poder e status, e que a mobilidade social ascendente é proporcionada àqueles que descolorem as suas peles. Em algumas regiões como a Índia, as pessoas podem ser rejeitadas para empregos e casamentos arranjados simplesmente por terem um tom de pele mais escuro.

Mas nem todos estão satisfeitos com essas mudanças. Kavitha Emmanuel é a fundadora do Dark Is Beautiful, uma campanha de defesa iniciada na Índia em 2009 para combater o colorismo. Discutindo o crescimento contínuo da indústria, ela colocou de forma simples: “Enquanto as marcas continuarem a reforçar a insegurança das pessoas através das suas mensagens, esta indústria continuará a crescer”. Falando sobre a decisão da Unilever de mudar o nome da sua linha de clareamento, Emmanuel chama a acção de “inadequada“. Ela destaca a aparente hipocrisia da marca ao administrar uma fundação, também chamada de Fair&Lovely, que visa empoderar mulheres enquanto vende tais produtos para branqueamento da pele, embora a empresa tenha dito que anunciará o seu novo nome ainda este ano: “Como é que o empoderamento feminino e o acto de apoiar um preconceito como o colorismo podem andar juntos?

Quais os tipos de danos os produtos de clareamento da pele podem causar à saúde?

Os clareadores são uma ameaça significativa à saúde humana devido à inclusão de produtos químicos tóxicos às fórmulas. O mercúrio em cosméticos é proibido em muitos países, mas a OMS permite um limite de 1mg/kg em clareadores da pele. No entanto, produtos que contêm grandes quantidades de mercúrio estão prontamente disponíveis na Internet ou em lojas de cosméticos, e a falta de controlo da indústria significa que, muitas vezes, o mercúrio não é listado como ingrediente.

Os efeitos adversos à saúde com o uso de tais produtos incluem erupções cutâneas, cicatrizes, danos renais, neuropatia periférica, ansiedade, depressão e psicose. O mercúrio inibe a produção de melanina e, sem a protecção natural da pele, os consumidores também são mais susceptíveis ao cancro de pele. Como o produto químico é descartado em águas residuais e entra no meio ambiente e na cadeia alimentar, ele representa um risco adicional para os humanos, principalmente para as mulheres grávidas, o que pode resultar em déficits de desenvolvimento neurológico na prole.

Saiba os benefícios e malefícios do clareamento da pele

Apesar de muitos tratamentos para clarear a pele serem duvidosos, para muitos são a esperança de melhores oportunidades ou simplesmente uma tentativa de se encaixarem numa sociedade que pune a pele mais escura. Na última década, vários governos começaram a proibir a venda de produtos clareadores da pele ou a impor restrições mais fortes contra eles, incluindo a Costa do Marfim em 2015, Gana em 2016 e Ruanda em 2019. Reformas como essas iniciam um efeito dominó para os países vizinhos e no cenário global.

Após surgirem uma série de protestos por diversos cantos do mundo contra a injustiça racial, várias marcas anunciaram que vão fazer mudanças nas suas linhas de produtos. Em junho, a Johnson & Johnson disse que suspenderia a produção de duas gamas de produtos para clareamento de pele vendidas na Ásia e no Médio Oriente. Seguindo o exemplo, a Unilever, fabricante da famosa marca Fair&Lovely vendida na Índia, anunciou que mudaria o nome da linha para Glow&Lovely, e que se afastaria de uma linguagem que promove a “brancura“. A L’Oréal anunciou mudanças semelhantes no seu posicionamento de marketing.

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O documentário Skin da Netflix, de 2019, da actriz anglo-nigeriana Beverly Naya, aborda várias temáticas relacionadas com a autoestima e clareamento. A produtora explica que devido à importância atribuída ao casamento, muitas mulheres são levadas ao branqueamento das suas peles: “As mulheres de pele escura sentem que, se não forem claras, podem não encontrar um homem ou não ter uma carreira de sucesso. Muitas delas aderem aos métodos de branqueamento pela pressão para ter sucesso ou serem desejadas.”

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