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Arquivo Nacional de Angola: Um acervo histórico para todos

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A imagem de um investigador a escarafunchar papéis velhos em busca de novidades, como se fosse uma espécie de “Indiana Jones” dos arquivos, é sobejamente associada ao historiador. Mas a pesquisa nos grandes acervos, repletos de fontes primárias, atrai cada vez mais especialistas fora das Ciências Históricas, encantados com o método desta área transversal a todos os ramos do saber. 

Arquivo Nacional de Angola: Um acervo histórico para todos

Todos os investigadores vão dar ao Arquivo Nacional de Angola (ANA), sejam ou não historiadores. A imponente estrutura, no Camama, inaugurada a 28 de Novembro pelo Presidente João Lourenço, possui agora a dignidade que merece, para preservar e tornar acessível todo o património arquivístico do país, já que coordena todo o Sistema Nacional de Arquivo.

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Os investigadores de primeiro  e segundo níveis, por exemplo, só têm acesso à Biblioteca Geral, enquanto os de terceiro e quarto já podem dispor das fontes primárias, ou seja, raridades dos fundos do Arquivo Nacional, actualmente constituídos pela documentação produzida pela administração colonial. São 12.505 Códices (livros manuscritos), sendo 3.488 oriundos do Núcleo da Secretaria Geral, do Núcleo do Governo de Benguela e do Núcleo Geral, para os séculos XVIII a XIX, até ao segundo quarto do século XX. Junta-se a este espólio documentação inicialmente designada avulsa, que perfaz 5.600 caixas, cobrindo os séculos XIX e XX.        

Arquivo Nacional de Angola: Um acervo histórico para todos

São 69 salas de arquivo, cada uma com 200 metros quadrados. O longo corredor onde se situam parecem labirintos tirados de um filme de ficção científica. Para ajudar a acolher o acervo espalhado pelo país e pelo mundo, 11 laboratórios, oito dos quais dedicados à informática, restauração, encadernação, reprodução, etc., darão o suporte que sempre faltou ao Arquivo Nacional de Angola.

De acordo com a Lei Geral dos Arquivos e enquanto coordenador do Sistema Nacional de Arquivos, é a este moderno edifício que as instituições públicas farão chegar os milhares de documentos que foram acumulando ao longo das últimas décadas. 

Depois de deixar a Sala de Catálogos, o utente é dirigido à sala correspondente ao tipo de documento que vai consultar. Por exemplo, tratando-se da Secção de Visuais, os espaços reservados para postais, cartoteca e microfilmes são diferentes dos demais. De um modo geral, é numa das duas vastas salas de leituras, repartidas em dois pisos, que se aguarda pelo material solicitado.

Um arquivo inclusivo

Com as condições criadas no novo edifício do Arquivo Nacional de Angola, deverão ficar acessíveis milhares de materiais que se encontravam vetados à curiosidade de investigadores de diferentes áreas. Uma longa lista de manuscritos, que reflectem a correspondência expedida e recebida entre os reis de Portugal e os governadores da colónia de Angola, trazem consigo, por exemplo, um manancial de informações que retratam a implementação do projecto colonial, assim como as diferentes resistências à imposição do substrato cultural português.

Repletas de relatos e informações históricas, estão igualmente as crónicas, que, com a devida crítica, dão valiosas descrições que alcançam a temática da etnografia dos povos, a política, a religião e o direito.

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O regresso da  “Fontes & Estudos”

Depois de algum tempo sem publicação, a conhecida revista do Arquivo Nacional deve finalmente ser lançada em 2021, ainda sem uma data prevista. Editada pela primeira vez em 1994 e pela última vez em 2011, a “Fontes & Estudos” deverá ter a sua edição nº 8. A aposta da instituição tem como objectivo  divulgar as fontes históricas (escritas e orais) e preencher um espaço no domínio da investigação histórica. A mais recente publicação traz correspondência trocada entre a rainha Njinga Mbande e diferentes entidades dos Estados europeus à época.

Trata-se de um trabalho de transcrição para o Português actual, que envolveu uma equipa multidisciplinar de vários países. Além das cartas da soberana do Ndongo e da Matamba, a revista traz ainda, nesta sua edição especial, vários estudos sobre esta figura emblemática da resistência africana ao colonialismo.

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