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Contrair dívidas nem sempre é uma má ideia, entenda o porquê

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Frequentemente objecto de alguma confusão, ou no mínimo de uma visão preconceituosa do recurso a créditos ou dívidas financeiras: diz-se que contrair dívidas é mau ou contrariamente, que evitá-las é que é bom.

Contrair dívidas nem sempre é uma má ideia, entenda o porquê

Há, efectivamente, dívidas “más”, mas também há dívidas “boas”

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Dívidas “más” são, por exemplo, as contraídas por pessoas ou empresas para suprir uma incapacidade irreversível para cumprir com as suas responsabilidades ou obrigações financeiras (indiciando um cenário de insolvência); as contraídas por empresas no âmbito de um projoeto ou investimento com baixa rentabilidade ou insuficiente criação de valor económico; ou aquelas cujo prazo de reembolso excede largamente a vida útil do respyetivo benefício económico associado.

Com efeito, contrair uma dívida com um longo prazo de reembolso para fazer aquela viagem de sonho ou para pagar os salários de um mês numa empresa (com um benefício de curta duração) é, certamente, um tremendo erro do ponto de vista de gestão financeira.

Uma dívida “boa”, por sua vez, é aquela que permite, de uma forma sustentável (entenda-se, quando estão reunidas as condições para o seu reembolso integral), a uma pessoa antecipar um determinado benefício (tangível ou intangível), habitualmente associado ao seu bem-estar pessoal ou familiar (a aquisição de um bem, móvel ou imóvel, com uma vida útil prolongada), por contrapartida dos seus rendimentos futuros, ou a uma empresa alavancar, antecipar ou viabilizar um projecto ou iniciativa com carácter reprodutivo e gerador de valor económico para a sua actividade.

Imagine-se o que seria uma pessoa ter de esperar várias décadas para adquirir uma casa, adiando e penalizando o seu bem-estar de uma forma irrecuperável, ou uma empresa desperdiçar a oportunidade de se tornar mais competitiva, ou de se internacionaliza por não ter recursos financeiros disponíveis para o fazer.

Uma dívida tem um custo financeiro associado, conhecido como juro, que pode ser maior ou menor, consoante o risco envolvido. Simplificando e em termos teóricos, quanto maior for a probabilidade de uma dívida ou crédito não ser paga, maior será a taxa de juro e o respectivo custo financeiro – existindo, evidentemente, um limite de risco a partir do qual o crédito será negado. Alguns créditos têm uma garantia (colateral) associada (hipotecas imobiliárias, as mais conhecidas), que contribuem para mitigar o risco e reduzir o custo financeiro associado.

Assim, se o recurso a uma dívida financeira com um custo anual de 5% permitir a uma pessoa ou empresa desenvolver um proyjeto ou negócio que lhe entregue uma rentabilidade anual de 10%, então essa é uma dívida reprodutiva, logo “boa”.

No momento em que o mundo atravessa um contexto macroeconómico deveras desafiante, com as taxas de juro numa clara tendência de subida, importa ser ainda mais prudente na gestão das finanças pessoais e empresariais, isto inclui no recurso a créditos e dívidas financeiras, sem prejuízo das vantagens acima referidas.

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Contrair dívidas nem sempre é uma má ideia, entenda o porquê
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