Durante o Met Gala de 2018, um dos maiores eventos de moda do mundo, realizado no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, Kim Kardashian posou ao lado de um impressionante sarcófago egípcio incrustado de ouro e pedras preciosas. O que parecia ser uma simples imagem de celebridade no evento, no entanto, revelou-se fundamental para uma investigação internacional sobre arte roubada.

O artefacto em questão era o sarcófago de Nedjemankh, um sacerdote egípcio do século I a.C. Saqueado do seu túmulo em 2011, durante o período de instabilidade causado pela Primavera Árabe, o sarcófago foi subtraído ilegalmente e passou por uma complexa rede de tráfico internacional. Por meio de documentos falsificados e intermediários, o artefacto acabou sendo adquirido pelo museu nova-iorquino por cerca de 4 milhões de dólares.
A virada no caso aconteceu quando um informante anónimo do Médio Oriente enviou uma foto de Kim Kardashian ao lado do sarcófago ao promotor público assistente de Manhattan, Matthew Bogdanos. Ao analisar a imagem, Bogdanos reconheceu imediatamente o sarcófago como o mesmo objeto desaparecido do Egipto anos antes. Essa foto da celebridade foi a peça-chave que permitiu conectar as evidências e revelar o caminho do contrabando.

A partir dessa pista visual, as autoridades conseguiram rastrear e responsabilizar os envolvidos no tráfico do artefacto que levou à prisão de um dos negociantes e, finalmente, à repatriação do sarcófago ao Egipto, em 2019. Atualmente, o artefacto encontra-se no Grande Museu Egípcio, no Cairo, onde faz parte do seu acervo.
Este caso se tornou um exemplo significativo de como a cultura “pop” pode, de forma inesperada, desempenhar um papel crucial na protecção do património histórico global. O sarcófago de Nedjemankh, embora tenha sido alvo de um complexo esquema de roubo e tráfico, agora voltou ao seu país de origem, onde pode ser apreciado de forma legal e segura pelas gerações futuras.



