“É no pós-expediente que os verdadeiros negócios e líderes se constroem” – Marcos Shallom, empresário

Suzana André
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Empreendedor, investidor e pastor, Marcos Shallom é hoje um dos nomes mais dinâmicos da nova geração angolana que cruza fé, inovação e visão empresarial. Em conversa com a Revista Chocolate, o fundador do Grupo Marshak abriu as portas da sua vida pessoal, profissional e espiritual, revelando o pensamento estratégico que está a moldar a sua presença entre Angola, Portugal e outros mercados africanos.

Com 36 anos, casado e pai de dois filhos, Marcos define-se como alguém que constrói empresas com propósito. A génese do Grupo que lidera, Marshak desde 2015, quando ainda vivia em Portugal e começou a estruturar uma visão clara sobre empreendedorismo como motor de transformação social. O primeiro negócio foi uma padaria, seguido-se a venda de peixe, restauração e, mais tarde, projetos ligados à mobilidade, tecnologia e gestão empresarial.

Hoje, o grupo opera entre Angola, Portugal e Kinshasa, com planos de expansão para a África do Sul, numa lógica de crescimento integrado e sustentável.

Um dos projetos mais estratégicos do grupo é a FAST, que passou por um reposicionamento profundo. Inicialmente concebida como uma aplicação de transporte privado, transformou-se num modelo de gestão de frotas e veículos de parceiros, no qual a empresa assume a parte técnica, mecânica e a contratação de motoristas. O foco deixou de ser o cliente final e passou a ser o parceiro, garantindo maior estabilidade e controlo operacional.

Apesar da diversidade de áreas, da restauração à tecnologia e agora à mecanização agrícola, Marcos sublinha que todas as marcas do grupo partilham os mesmos valores. A honestidade, o compromisso e a proximidade com clientes e parceiros são, segundo ele, os pilares que sustentam a longevidade dos seus negócios.

Paralelamente, Marcos lidera o ministério Casa do Oleiro, uma igreja evangélica que cresce em Angola e Portugal. Implementada quase em simultâneo nos dois países, a igreja tem impactado famílias, jovens e comunidades por meio de apoio espiritual e formação de liderança.

Embora hoje seja pastor, Marcos afirma que esse nunca foi o seu plano. Criado numa família católica, foi durante uma fase de transformação pessoal, entre a Rússia e Portugal, que descobriu a fé evangélica. O pastorado, para si, é uma vocação, não uma profissão.

Para os próximos cinco anos, ambiciona tornar o Grupo em referência nos sectores em que actua, consolidar os projectos existentes e lançar novas frentes, incluindo a mecanização agrícola e infra-estruturas.

Aos jovens empreendedores, deixa uma mensagem: não esperar por grandes financiamentos, mas começar com o que se tem, planear bem e trabalhar para além do horário formal. Para Marcos Shalom, “é no pós-expediente que os verdadeiros negócios e líderes se constroem”.

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