Karina Gonçalves partilha percurso inspirador que vai da comunicação a sector energético.

Gracieth Issenguele
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Karina Gonçalves construiu uma carreira que desafia percursos convencionais e prova que o conhecimento, quando acumulado com método e visão crítica, ganha profundidade e impacto. Advogada angolana do ramo de Oil & Gás, com passagem marcante pelo Jornalismo televisivo e pela Imprensa em Angola e Portugal, é hoje uma voz activa na reflexão jurídica e fiscal sobre os sectores estratégicos do país, onde a escrita assume um lugar central na sua identidade intelectual.a identidade intelectual.

Com um percurso académico robusto, Karina soma 1 mestrado em Direito Tributário e quatro pós-graduações: em Ciências da Comunicação, com foco em televisão, rádio e plataformas digitais; em Gestão de Negócios, na AESE; em Ciências Jurídicas, pela Universidade Católica de Lisboa; e em Gestão da Indústria Petrolífera, na Universidade Agostinho Neto. Essa formação multidisciplinar reflecte-se numa trajectória profissional que passou por órgãos como a TPA2, RTP África, Jornal Expansão, Jornal Sol e E.TV, e ainda Deloitte Portugal, Bancos BPC e BAI, Administração Geral Tributária e actualmente sector petrolífero, experiências que moldaram a sua capacidade de análise crítica, comunicação rigorosa e leitura transversal da realidade económica e social angolana.

A passagem pelo semanário económico Expansão, onde exerceu funções como jornalista sénior durante quatro anos, foi determinante para consolidar uma visão integrada entre economia, empresas, cultura e políticas públicas. Segundo Karina, compreender essa interdependência é essencial para perceber como decisões aparentemente técnicas, como alterações fiscais, podem ter impacto directo no nível de vida da população e em diversos sectores da economia. Mais tarde, a experiência no sector bancário, em instituições como o BPC e o BAI, reforçou o seu sentido de rigor, disciplina e responsabilidade institucional, num contexto altamente regulado.

Enquanto jurista da Direcção Internacional do BPC, esteve envolvida em processos de internacionalização, uma experiência que lhe permitiu aprofundar o conhecimento sobre a articulação entre diferentes ordenamentos jurídicos e a importância da credibilidade institucional. Essa vivência reforçou uma convicção clara: nem sempre avançar é sinónimo de progresso, sendo muitas vezes a consolidação interna o passo mais estratégico.

A obra

É precisamente essa maturidade analítica que se reflecte na sua participação, em 2025, como co-autora da obra “Fiscalidade das Energias Convencionais e Transição – Angola, Brasil, Moçambique e Portugal”, publicada pela Editora portuguesa Almedina, sob coordenação de Alice Khouri e PHD Diogo Leite de Campos. No livro, Karina Gonçalves assina, em coautoria com dois advogados angolanos, um texto dedicado à “Evolução e Modernização do Sector Petrolífero angolano”, onde analisa os desafios fiscais, regulatórios e institucionais do sector num contexto de transição energética, defendendo o Direito Fiscal como instrumento estruturante da sustentabilidade económica do Estado. Tendo em 2021 escrito um texto científico, para a revista técnica tributária da AGT- Ulambu; e foi homenageada em 2018, na obra: “ANGOLA’S GOLDEN GENERATION”, um livro lançado na Fnac em portugal, sobre o percurso de uma geração de quadros que ajudaram a mudar a gestão e a economia do País em vários sectores.style.

Paralelamente à actividade jurídica e académica, Karina envolve-se activamente em causas sociais (foi 2 vezes observadora das eleições em Luanda), humanitárias (criou 1 associação filantrópica e participa em várias causas humanitárias), ambientais e na promoção do igualdade para as mulheres no sector petrolífero, sendo membro da Muhatu Energy Angola.

Para esta mulher multifacetada, nada lhe foi dado de mão beijada, por isso, valores como integridade, lealdade, confidencialidade, rigor e respeito pelas pessoas e instituições tornaram-se inegociáveis e acompanham-na desde o primeiro emprego, aos 18 anos. Acredita que Luanda, enquanto capital exigente e dinâmica, obriga os profissionais a desenvolver resiliência, capacidade de adaptação pensamento estratégico e rápido.

Aos jovens angolanos, deixa uma mensagem clara: percursos não lineares podem ser profundamente enriquecedores, desde que sustentados por formação sólida, ética, disciplina, foco e busca por mentoria direccionada que acelera o desenvolvimento.

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