No mês dedicado à celebração da força, da resiliência e do protagonismo feminino, a Revista Chocolate Lifestyle destaca a trajectória de Whitney Alexandre, consultora de marcas pessoais, estratega de marketing e criadora de conteúdos angolana que tem vindo a afirmar-se como uma das vozes emergentes no universo da comunicação e do posicionamento estratégico. Movida pela convicção de que toda marca carrega uma narrativa capaz de inspirar e transformar, Whitney construiu um percurso profissional marcado pela interseção entre estratégia, comunicação e autenticidade. Licenciada em Gestão e Marketing pela Universidade Óscar Ribas, soma mais de oito anos de experiência nas áreas de marketing, comunicação e gestão de clientes, tendo participado no desenvolvimento de campanhas e estratégias para marcas de referência no mercado angolano, como a Sodiba.

Ao longo da sua carreira, Whitney também explorou o universo televisivo, tendo participado na produção do programa Bar Momentos da Nossa Vida, associado à cerveja Luandina, e assumido a apresentação do Bar Luandina, transmitido pela TV Zimbo durante o período da pandemia. Experiências que, segundo revela, fortaleceram ainda mais a sua visão sobre o poder da comunicação na construção de marcas. Actualmente, dedica-se a ajudar profissionais, líderes e empreendedores a descobrirem a sua essência e a transformarem as suas trajectórias em marcas pessoais autênticas e relevantes. É igualmente criadora do projecto “Marcas Também Contam Histórias Bonitas”, uma iniciativa que nasce do desejo de humanizar as marcas e dar voz às histórias que moldam o percurso de profissionais e empreendedores. Em entrevista exclusiva à Revista Chocolate Lifestyle, Whitney Alexandre fala sobre o seu percurso, os desafios enfrentados e o que o mês de março, dedicado às mulheres, representa na sua visão de carreira e de impacto social.
RC: Whitney, o que a motivou a especializar-se na consultoria de marcas pessoais e no posicionamento estratégico de profissionais e empreendedores?
WA: O que me motivou foi perceber que por trás de cada marca existe uma história que quase nunca é contada. Vivemos numa era em que as pessoas mostram apenas os resultados, os prémios e o sucesso, mas raramente falam sobre os bastidores — as dúvidas, os erros, os recomeços e as decisões difíceis que realmente constroem uma trajectória.

A consultoria de marcas pessoais surgiu para mim como uma forma de ajudar profissionais e empreendedores a organizarem essa história, transformando a sua verdade em posicionamento estratégico. Porque uma marca forte não nasce apenas do que se faz, mas da clareza sobre quem se é, no que se acredita e qual impacto se quer deixar no mundo.
RC: Com uma formação em Gestão e Marketing pela Universidade Óscar Ribas, de que forma a sua base académica contribuiu para a construção da sua visão sobre comunicação e branding?
WA: A minha formação em Marketing deu-me a base estratégica para compreender como as marcas se posicionam e criam valor. Ainda na universidade eu já tinha uma grande paixão por criar projectos e pensar na forma como as marcas se conectam com as pessoas. Curiosamente, o meu sonho de infância era ser jornalista. A vida levou-me para o Marketing, mas acabou por unir dois mundos que sempre fizeram sentido para mim: comunicação e estratégia. Quando recebi o convite para apresentar o programa televisivo Bar Luandina, durante a pandemia, tive a oportunidade de aprofundar essa ligação entre comunicar e construir marca.

RC: Ao longo de mais de oito anos de experiência, trabalhou com marcas de referência no mercado angolano. Que aprendizagens mais marcantes retirou desse percurso profissional?
WA: Uma das frases que guia a minha vida é: “O tempo é um grande mestre.” Ao longo da minha trajectória aprendi que nem todos os projectos ou parcerias são para sempre, mas todos deixam aprendizagem. O mais importante é saber absorver cada experiência, evoluir com ela e seguir em frente com maturidade e visão.
RC: Actualmente dedica-se a ajudar profissionais a transformarem as suas trajectórias em marcas pessoais autênticas. Na sua perspectiva, qual é o maior erro que muitos cometem ao tentar construir a própria marca?
WA: O maior erro é tentar parecer algo que não se é. Muitas pessoas começam pela aparência da marca — logotipo, estética, seguidores — e esquecem-se da essência. Marca pessoal não começa na internet, começa na clareza sobre quem somos, no valor que entregamos e na história que carregamos.
RC: Criou o projecto “Marcas Também Contam Histórias Bonitas”. Qual foi a inspiração por detrás desta iniciativa e que impacto pretende gerar na sociedade angolana?
WA: A inspiração veio da necessidade de humanizar as marcas. Por trás de cada trajetória existem desafios, escolhas e momentos decisivos que raramente são contados. O projecto nasceu para dar voz a essas histórias e mostrar que construir uma marca também é um processo de vida.
RC: Num contexto cada vez mais digital, que importância assume hoje o storytelling na construção de marcas fortes e memoráveis?
WA: O storytelling tornou-se essencial porque as pessoas conectam-se com histórias, não apenas com produtos ou serviços. No meio de tanta informação, as marcas que conseguem traduzir a sua essência em narrativa são as que permanecem na memória.
RC: Como consultora e estratega de marketing, quais considera serem os pilares essenciais para que uma marca pessoal se torne relevante e influente?
WA: Clareza de propósito, consistência na comunicação e entrega real de valor. Quando esses três pilares estão alinhados, a marca deixa de ser apenas visibilidade e passa a ser influência.
RC: Na sua opinião, de que forma a nova geração de profissionais angolanos pode utilizar as plataformas digitais para construir marcas com propósito e impacto?
WA: As plataformas digitais devem ser usadas como espaço de construção de reputação e não apenas de exposição. A nova geração tem a oportunidade de partilhar conhecimento, posicionar ideias e mostrar competências de forma estratégica.
RC: Enquanto mulher que se afirma no universo do marketing e da comunicação, que desafios encontrou ao longo do percurso e como conseguiu superá-los?
WA: O maior desafio foi provar, muitas vezes em silêncio, que consistência e competência falam mais alto do que qualquer rótulo. Superei mantendo foco no trabalho, evoluindo continuamente e deixando que os resultados falassem por si.
RC: No âmbito do Março Mulher, que mensagem gostaria de deixar às mulheres angolanas que desejam posicionar-se profissionalmente e construir uma marca pessoal sólida?
WA: Que nunca subestimem o seu valor. Muitas vezes esperamos validação externa para ocupar espaços que já são nossos por direito. Construir uma marca pessoal começa quando a mulher reconhece quem é, acredita naquilo que sabe fazer e decide posicionar-se com coragem.
Sempre acreditei que por trás de cada marca existe uma história que merece ser contada.
RC: Ao olhar para o futuro, que novos projectos ou metas pretende concretizar no universo da comunicação, do marketing e da consultoria de marcas pessoais?
WA: Quero continuar a criar espaços onde as pessoas possam contar as suas histórias e transformar as suas trajetórias em marcas com significado. O meu maior objectivo é ajudar profissionais e marcas angolanas a posicionarem-se com mais autenticidade, propósito e visão de futuro.

