Em entrevista à Revista Chocolate Lifestyle, Eliane Hansen revela-se como uma empresária visionária, capaz de transformar desafios em oportunidades. Natural do Brasil actualmente radicada em Angola, Eliane consolidou uma carreira de destaque nas áreas de beleza, saúde e bem-estar, introduzindo conceitos inovadores e tecnologias pioneiras no mercado angolano. Para além do sucesso nos negócios, distingue-se pelo compromisso com a responsabilidade social, educação ambiental e promoção do bem-estar integral, tornando-se uma referência inspiradora para empreendedores, em especial para mulheres.

RC- Para quem ainda não a conhece, quem é Eliane Hansen além da empresária de sucesso que o público vê?
EH- A Eliane é uma pessoa apaixonada pela vida, guiada pelo amor. Amo conhecer e explorar o mundo para me inspirar e inspirar pessoas. Sou visionária. E, antes da empresária, existe a resiliência, onde aprendi a transformar desafios em expansão. Sou intensa, mas com direcção; sensível, com firmeza. O público vê o sucesso; eu conheço os bastidores de disciplina, fé e coragem que me sustentam.
RC- Que valores e experiências pessoais mais influenciaram a mulher e profissional que é hoje?
EH- A vida ensinou-me a nunca negociar os meus valores”. Ética, excelência, espiritualidade e responsabilidade moldaram o meu caminho. Cada desafio foi uma lapidação. Cada obstáculo, uma escola. Não acredito em sucesso improvisado; acredito em construção consciente, onde é sempre possível sonhar e realizar.

RC- Houve algum momento decisivo ou figura que tenha orientado o seu caminho profissional?
EH- Houve momentos que me obrigaram a decidir entre o confortável e o extraordinário. Sempre escolhi o extraordinário. Mais do que uma figura específica, foi a minha própria visão de futuro que me guiou, uma certeza interna de que eu podia criar algo maior, algo extraordinário.
RC- Como surgiu a decisão de deixar o Brasil e mudar-se para Angola?
EH- O que me trouxe a Angola foi o amor. Um amor que me fez atravessar oceanos com coragem, fé e a certeza de que grandes histórias exigem grandes decisões.

Mas o que começou como amor transformou-se em algo ainda mais profundo: identidade. Construí aqui a minha família, os meus negócios, os meus sonhos e o meu propósito. Aprendi com este país. Cresci e venci com este país.
Hoje, sou oficialmente angolana. E isso não é apenas um título jurídico, é um sentimento consolidado, é pertencimento, é compromisso.
Se o amor foi o início da minha história em Angola, o legado é o que me mantém. Angola deixou de ser uma travessia. Tornou-se raiz. Tornou-se casa. Tornou-se parte definitiva de quem eu sou.
Não foi apenas uma mudança, foi uma decisão que representou crescimento, pioneirismo e oportunidade de construção real. Eu não vim testar o mercado. Vim estruturar um legado.

RC- Quais foram os maiores desafios na adaptação a um novo país, cultura e mercado?
EH- Acredito que foi conquistar confiança e mostrar quem eu era de verdade. Estar em um novo território exige respeito cultural e posicionamento firme. Aprendi a observar, a adaptar-me e a liderar sem perder identidade. Cresci muito nesse processo.
RC-O que mais a surpreendeu no mercado angolano?
EH- A necessidade de ter em Angola um único lugar onde fosse possível tratar-se e cuidar-se. Era uma necessidade não só minha, mas de tantas outras mulheres. Percebi um desejo por qualidade e por experiências diferenciadas. Isso sempre me motivou a elevar o padrão e atender às expectativas.

RC- Em que medida essa mudança contribuiu para o seu crescimento pessoal e empresarial?
EH- Angola ampliou a minha visão estratégica. Aqui tornei-me mais resiliente, mais ousada e ainda mais disciplinada. Foi um crescimento integral, empresarial e humano.
RC- Sente que Angola lhe deu oportunidades que talvez não tivesse noutro contexto?
EH- Sem dúvida. Aqui pude ser pioneira, introduzir tecnologias, terapias, serviços e conceitos que ainda eram novidade. Angola deu-me espaço para inovar com protagonismo.
RC- Como foi iniciar e consolidar o seu core business nas áreas de beleza, saúde e bem-estar em Angola?
EH- o amor esteve e está presente o tempo todo.

Foi desafiador e profundamente transformador. Quando iniciei, não era apenas sobre abrir mais um espaço de beleza, mas sobre criar uma casa aconchegante, bonita e acolhedora, onde as pessoas encontrassem tudo em um só lugar e se sentissem cuidadas de verdade.
Empreender em Angola exigiu muita coragem, adaptação e escuta. Precisei compreender o mercado e conquistar confiança. Nada foi imediato. Errei muitas vezes, acertei outras tantas. Tudo foi construído com muito trabalho, compromisso e excelência.
Consolidar o negócio foi resultado de inspiração, disciplina, inovação e, principalmente, propósito. Cada cliente que confiava em nós reforçava a certeza de que estávamos no caminho certo.
RC- Pode-nos falar sobre a introdução de equipamentos de alta tecnologia e terapias alternativas no mercado angolano?

EH- Sempre acreditei na força da cosmetologia aliada a profissionais verdadeiramente capacitados e à integração entre tecnologia moderna e ciência avançada. É nessa união inteligente entre conhecimento, inovação e sensibilidade que alcançamos resultados reais e duradouros.
Com o passar do tempo, o mundo mudou e cuidar apenas da estética deixou de ser suficiente. A mente passou a exigir atenção, equilíbrio e presença. Diante dessa nova realidade, sentimos a necessidade de ir além.
Foi assim que ampliámos a nossa visão, incorporando terapias integrativas e a prática do yoga. Mais uma vez pioneiros, criámos o nosso estúdio OM Yoga Shala, um espaço pensado como refúgio de amor, paz e equilíbrio.
Trata-se de criar um conceito de bem-estar sofisticado, completo e verdadeiramente transformador.
RC- Qual foi a importância da criatividade e inovação no sucesso do seu negócio?

EH- Para mim, criatividade nunca foi apenas uma estratégia de mercado, sempre foi uma necessidade.
Nunca consegui fazer “mais do mesmo”. Sempre senti vontade de oferecer algo que realmente marcasse as pessoas, que fosse além do básico. A inovação veio desse inconformismo saudável, da vontade de melhorar, de elevar padrões e de surpreender positivamente.
Cada nova ideia nasceu da escuta: escutar o cliente, escutar o mercado e escutar a mim mesma. Muitas vezes inovar foi arriscar, investir antes de ter garantias, acreditar numa visão que ainda não era comum. Mas foi justamente isso que diferenciou o nosso spa.
No fundo, inovar, para mim, é uma forma de respeito pelo cliente que confia em nós e merece sempre o melhor.

RC- Que desafios encontrou enquanto pioneira em práticas e produtos que ainda eram novidade no país?
EH- O maior desafio foi educar o mercado. Ser pioneira significa investir antes do reconhecimento. É preciso convicção, consistência e visão de longo prazo.
RC- Como descreve o seu estilo de liderança e gestão empresarial?
EH- Liderar é querer, saber fazer e dar exemplo. Sou muito exigente com a minha equipa, mas extremamente justa. Isso faz com que tudo flua com tranquilidade e compromisso humanizado.
RC- Que impacto considera ter gerado no mercado nacional e internacional?

EH- Acredito que ajudei a elevar o conceito de bem-estar em Angola, trazendo uma visão mais integrada entre beleza, saúde e espiritualidade. Introduzimos tecnologia, inovação e também experiências sensoriais e emocionais. O maior impacto é perceber que ajudamos a transformar autoestima, posicionamento e confiança de muitas mulheres e homens.
RC- De que forma a sua experiência contribui para inspirar outros empreendedores, especialmente mulheres?
EH- Mostrando que é possível recomeçar, mudar de país, enfrentar desafios culturais e, ainda assim, construir algo sólido e respeitado. Quero que outras mulheres entendam que podem sonhar grande, estruturar-se estrategicamente e ocupar espaços de liderança com elegância e força.
RC- Quais projetos sociais está envolvida cá em Angola?
EH- Acredito que sucesso empresarial anda lado a lado com responsabilidade social. Antes mesmo do Spa Maison BH, participei de acções de apoio à comunidade, como o “Natal Diferente / Natal Feliz” e iniciativas no Lar Mama Madalena, incluindo a construção de um centro técnico para jovens.
Atualmente, o meu foco social está na população dos arredores da Fazenda Kapanda, no Lubango, apoiando educação, saúde e alimentação, com projetos que incluem escolas, postos médicos, programas de capacitação e cantina. O meu objetivo é gerar impacto real e sustentável, ajudando a transformar vidas e fortalecer a comunidade.
RC- Quais são os projetos em curso e planos de expansão para os próximos anos?
EH- Adoro falar de planos, esta é a minha praia…
Um dos nossos grandes objetivos é levar os retiros de yoga da Fazenda Kapanda / Spa Maison além-fronteiras. O que hoje é uma experiência transformadora em solo angolano ganhará novos destinos, conectando pessoas de diferentes culturas à energia única que construímos. Queremos que o mundo conheça a força, a espiritualidade e a autenticidade dessa vivência africana.
O resto tenho que manter em off, mas garanto que teremos muitas novidades.
RC- Que áreas considera prioritárias para o desenvolvimento do seu setor em Angola?
EH- Formação qualificada, inovação tecnológica e educação do mercado sobre saúde preventiva e bem-estar integral. O futuro do setor não está apenas na estética, mas na integração entre saúde física, emocional e energética.
RC- Como conjuga o crescimento do negócio com responsabilidade social e bem-estar da comunidade?
EH- Crescer, para mim, nunca foi apenas faturar mais, mas impactar melhor. Valorizamos a formação da equipa, geramos empregos, investimos em qualidade e promovemos experiências que elevam autoestima e equilíbrio. Quando uma empresa cresce com consciência, a comunidade cresce junto.
RC- Que legado gostaria de deixar com a sua carreira e projetos?
Gostaria de ser lembrada como uma mulher que abriu caminhos, que elevou padrões e que mostrou que é possível unir sofisticação, espiritualidade e estratégia empresarial. O meu legado é inspirar transformação, dentro e fora.


