“Sempre compreendi que ciência sem humanidade perde propósito” – Ludy Sebastião e a força de um propósito

Gracieth Issenguele
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Num tempo em que o percurso da mulher se afirma cada vez mais em áreas estratégicas e tradicionalmente exigentes, a Revista Chocolate Lifestyle traz uma entrevista exclusiva com Ludy Tamara Barros Sebastião como um dos rostos de uma nova geração que alia conhecimento, visão e impacto. Nascida em Luanda, formada no Reino Unido em Geologia e Gestão de Petróleo e Gás, construiu uma trajectória sólida que cruza ciência, energia, sustentabilidade e agronegócio, consolidando-se como uma profissional multifacetada e comprometida com o desenvolvimento de Angola.

Com experiência internacional em instituições de referência e uma actuação activa em projectos ligados à transição energética, monitorização ambiental e inovação no sector pecuário, Ludy representa uma abordagem moderna e integrada do crescimento sustentável. Entre o rigor técnico e a ligação à terra, entre fóruns globais e projectos locais, afirma-se como uma voz consciente, estratégica e profundamente ligada ao propósito de transformar o presente e preparar o futuro.

RC: Ludy, a sua trajectória cruza ciência, energia, ambiente e agronegócio. Quando olha para o seu percurso, que sonhos da jovem que saiu de Luanda para estudar fora ainda vivem na profissional que é hoje?

LS: Os sonhos da Ludy de 17 anos continuam muito vivos em mim. Eu era uma jovem ambiciosa, determinada e bastante segura do que queria construir, com a coragem necessária para sair da minha zona de conforto e a curiosidade que sempre alimentou a minha busca por conhecimento. Quando deixei Luanda para estudar fora, fui com um objectivo muito claro e nunca me vi a emigrar ou a cortar o cordão umbilical com Angola, pelo contrário, saí plenamente consciente de que aquele passo fazia parte de uma missão maior, “aprender lá, para aplicar cá”.

Hoje percebo que aquela vontade de conhecer o mundo sem perder o sentido de pertença foi um dos maiores motores da minha trajectória. E esses sonhos continuam presentes na profissional que sou: a curiosidade segue viva, a ambição tornou-se mais madura e a determinação ganhou novas camadas de responsabilidade.

Continuo movida pelo desejo de servir Angola, de devolver ao país tudo o que aprendi e continuo a aprender, e de contribuir de forma prática e intencional para o seu desenvolvimento. A escala pode ter mudado, os espaços onde actuo podem ser maiores ou mais complexos, mas o propósito é exactamente o mesmo: usar conhecimento, ciência e experiência para gerar impacto real.

A verdade é que aquela jovem de 17 anos nunca me deixou. Ela apenas cresceu comigo e continua a guiar o meu percurso com a mesma vontade de fazer a diferença.

RC: Estudou no Reino Unido em universidades de referência e construiu uma carreira internacional desde muito cedo. De que forma essa experiência fora de Angola moldou não apenas a sua visão profissional, mas também a mulher que se tornou?

LS: Estudar no Reino Unido foi uma experiência profundamente transformadora, tanto profissional quanto pessoalmente. Estar inserida naquele ambiente académico exigente, multicultural e altamente competitivo, ajudou-me a desenvolver uma visão do mundo muito mais ampla, estratégica e disciplinada. Foi ali que aprendi o rigor, a objectividade e a capacidade de olhar para problemas complexos com uma mentalidade global.

A convivência com realidades tão diferentes da minha incutiu-me valores profissionais muito fortes: ética, excelência, compromisso e uma aversão total à mediocridade e como resultado disto, tornei-me uma profissional mais competente, muito exigente e profundamente comprometida com resultados de impacto. Penso genuinamente que a experiência internacional não apenas me abriu portas, mas também consolidou a certeza de que o conhecimento só faz sentido quando é colocado ao serviço de algo maior.

Mas para além da profissional, essa vivência moldou profundamente a mulher que sou hoje. Estar longe de casa, da minha família e das minhas raízes fez me valorizar ainda mais o sentido de pertença. Curiosamente, o tempo fora tornou-me mais família, mais filha, mais amiga, mais presente e mais intencional nas minhas relações. Desenvolveu em mim uma sensibilidade maior, uma noção mais clara da importância dos afectos e das minhas raízes angolanas.

RC: Trabalhar em áreas técnicas como geologia, petróleo e sustentabilidade exige rigor científico e disciplina. Como consegue equilibrar essa dimensão técnica com a sua sensibilidade humana e a paixão pelo campo e pelo desenvolvimento rural?

LS: Trabalhar em áreas técnicas exige rigor, método e disciplina, e a minha formação académica deu-me exactamente isso. O pensamento estruturado, a precisão e a capacidade analítica tornaram-se pilares da minha forma de trabalhar. Mas, ao mesmo tempo, sempre compreendi que ciência sem humanidade perde propósito.

Por outro lado, o contacto com o mundo rural ensinou-me que por trás de cada relatório técnico, cada decisão energética ou cada acção ambiental, existem pessoas, histórias e futuros que podem ser transformados. Por isso, não vejo a ciência como um fim em si mesma, mas como uma ferramenta poderosa para melhorar vidas, criar inclusão e gerar oportunidades.

RC: Hoje divide o seu tempo entre o sector energético e o agronegócio. Como nasceu esse “blend” tão singular entre ciência, terra, inovação e impacto social?

LS: A combinação entre energia, agronegócio, ciência e impacto social nasceu muito naturalmente na minha vida, porque sempre olhei para Angola de forma holística. Percebo o país como um ecossistema onde energia, agricultura e pessoas não são sectores isolados, mas dimensões interdependentes de um mesmo desafio de desenvolvimento nacional. Por isso, transitar entre esses mundos nunca me pareceu uma contradição, pareceu me sempre uma extensão lógica do meu propósito.

O agronegócio entrou na minha vida inicialmente por um dever familiar, mas foi ganhando espaço no meu coração e aos poucos, transformou-se numa extensão da minha paixão pela sustentabilidade e pela capacidade que o campo tem de gerar dignidade, autonomia e riqueza para as comunidades. Hoje, ao assumir o papel de Princesa do Gado, vejo claramente que este percurso criou uma combinação única na minha carreira.

Contudo, em termos de foco profissional, a minha prioridade continua a ser o sector petrolífero, não apenas por estar alinhado com o meu background académico, mas por ser uma área que sempre me fascinou desde muito jovem. Em outras palavras, Eu sabia, desde cedo, que um dia trabalharia nesta indústria, e continuo profundamente apaixonada por ela, visto que é onde concentro a maior parte da minha energia, do meu desenvolvimento e das minhas ambições profissionais, sem deixar de honrar o compromisso que construí com a minha família e com o agronegócio.

RC: Participar em fóruns internacionais como a COP28 sobre Mudanças Climáticas e a COP16 sobre Biodiversidade coloca-a no centro das grandes discussões globais. O que sente ao representar Angola nesses espaços de decisão?

LS: Participar em fóruns internacionais como as COPs e outras cúpulas é, para mim, uma experiência que carrega um enorme peso de responsabilidade. Estar ali, onde o mundo discute o futuro climático e ambiental, não é apenas motivo de orgulho, é sobretudo um compromisso profundo com Angola. Sempre que entro numa sala destas, sinto que levo comigo não apenas o meu percurso, mas a voz de um país que merece ser ouvido e a ambição de uma juventude africana que quer e deve participar na definição de soluções globais.

Ao representar Angola nesses espaços, sinto que os sonhos da Ludy adolescente estão a materializar-se. Aquela jovem que saiu do país com a missão clara de “aprender lá para aplicar cá” olha hoje para estes momentos como a validação de que as decisões tomadas foram acertadas. Sinto que estou exactamente onde deveria estar e a cumprir, com zelo e patriotismo, o dever de contribuir para o desenvolvimento do meu país.

Representar Angola não é apenas falar é garantir que as nossas realidades, prioridades e vulnerabilidades entrem na mesa onde se decide o futuro do planeta, e para mim, é uma bênção e um privilégio enorme poder fazer parte dessa missão.

RC: Para além da energia, tem uma ligação forte ao agronegócio através da Fazenda Kufikissa II. O que a fascina no universo da agropecuária e na valorização da produção nacional?

LS: A agropecuária fascina-me por muitas razões, algumas técnicas e outras profundamente emocionais. Existe algo de muito especial na docilidade dos animais, na forma como se comportam, nas semelhanças surpreendentes que têm connosco e no desconhecido que transforma cada novo aprendizado numa descoberta estimulante porque trabalhar com animais lembra-me constantemente que a natureza é uma professora prática, sábia e imprevisível.

Para mim, a agropecuária é a fusão perfeita entre ciência e tradição, tecnologia e ancestralidade, é um sector que abre portas para inovação, produtividade e transformação socioeconómica. Fascina me saber que o meu trabalho contribui para fortalecer um sector essencial para Angola, cheio de oportunidades e saberes que têm um papel directo na construção do desenvolvimento nacional. Encanta me a capacidade que a agricultura e a pecuária têm de gerar alimentos, riqueza, emprego, dignidade e futuro.

Mas, acima de tudo, o que mais me fascina é o legado que estamos a construir através do projecto por trás do rebanho Sindi Ludy. Tal como o meu pai o descreve, o Sindi Ludy é um projecto de dimensão patriótica pois está centrado em introduzir em Angola uma nova raça zebuína, adaptada, resiliente e estratégica, é contribuir para a modernização genética e produtiva do país. É uma contribuição que transcende o presente e prepara o terreno para o futuro da pecuária nacional.

No fundo, a agropecuária toca em tudo aquilo que acredito: conhecimento, impacto, sustentabilidade, identidade e legado, e isso é profundamente inspirador.

RC: O projecto “Criadores do Futuro – Angola” procura despertar nas crianças o interesse pelo meio rural. Porque considera tão importante aproximar as novas gerações da terra, da agricultura e da sustentabilidade?

LS: O “Criadores do Futuro – Angola” nasce de uma necessidade muito clara: assegurar a sucessão rural e preparar a próxima geração de profissionais do rurais, pessoas que entendam o valor estratégico da agricultura e da pecuária para o país e que possam levar Angola a um novo patamar de soberania alimentar e crescimento social.

Acredito que só cuidamos daquilo que conhecemos. E por isso, despertar nas crianças o interesse pela agricultura, pela pecuária e pelo ambiente é plantar sementes de consciência, responsabilidade e amor pela natureza. Quando uma criança toca a terra, entende a origem dos alimentos e percebe a importância do trabalho rural, ela cresce mais sensível, mais informada e mais preparada para ser parte da solução.

Portanto, o projecto procura exactamente isso, criar uma ligação lúdica, didática e positiva com o campo, mostrando que a agropecuária não é um sector distante, mas uma área cheia de ciência, tecnologia, inovação e propósito. Queremos reforçar desde cedo a importância do meio rural no combate à fome, à pobreza e na construção de um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável.

No fundo, este projecto é sobre futuro. Sobre garantir que as crianças de hoje sejam os criadores, os protectores e os líderes rurais de amanhã.

RC: A sua trajectória revela uma mulher que transita com naturalidade entre trabalho de escritório, conferências internacionais e fazendas. Como define o seu próprio estilo de vida nesse cruzamento entre ciência, campo e autenticidade?

LS: Defino o meu estilo de vida como sendo híbrido, autêntico e profundamente ligado ao propósito. Transito com naturalidade entre ambientes que, à primeira vista, parecem opostos, mas que, na verdade, representam diferentes dimensões da mulher que sou.

Sinto-me tão confortável com botas de campo como em saltos altos. Essa dualidade não é uma contradição; é a minha essência. Sou uma mulher de ciência e estratégia, habituada ao rigor técnico e aos debates globais, mas também sou alguém que não perde a conexão com a terra e com os animais. Não tenho medo de transpirar, de sujar as mãos, do cheiro do curral, de estar perto dos animais ou de viver o lado mais prático e físico do trabalho rural.

A minha autenticidade reside exactamente neste equilíbrio: a capacidade de integrar mundos diferentes sem me perder em nenhum deles. No escritório penso, planeio e desenho futuro energético de Angola; nas conferências discuto soluções globais para problemas locais; na fazenda vivo a realidade, vejo o impacto e lembro me do porquê. Cada espaço alimenta o outro. Cada vivência fortalece o meu propósito.

No fundo, o meu estilo de vida é a expressão mais fiel daquilo que acredito: desenvolvimento é feito com conhecimento e com contacto humano. E eu escolho viver neste cruzamento entre petróleo, pecuária e alma porque é aí que me sinto inteira.

RC: No meio de tantas responsabilidades profissionais, que hábitos ou rotinas ajudam a manter o equilíbrio entre carreira, bem-estar e vida pessoal?

LS: Trabalhar a tempo integral numa indústria tão exigente e dinâmica como a petrolífera ensinou -me a importância real do equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Uma regra muito clara que estabeleci para mim mesma é não levar trabalho para casa, excepto quando é absolutamente necessário. Essa regra simples permite-me descansar quando é momento de descansar, renovar energias e dedicar a minha atenção às outras áreas fundamentais da minha vida.

O meu equilíbrio vem de pequenas rotinas que fazem toda a diferença. A minha conexão diária com Deus é uma fonte de força, equilíbrio e propósito e é nesse espaço íntimo que reorganizo o meu coração, as minhas prioridades e a minha energia. Além disso, ver o pôr do sol tornou se um ritual de descompressão natural, um momento meu, silencioso, em que deixo o ritmo acelerado do escritório para trás, sem pressa, sem estímulos apenas a permitir que a minha mente se acalme e desacelere. Finalmente, sempre que a minha agenda permite, gosto de passar tempo na fazenda, onde consigo desacelerar e estar em um espaço que genuinamente me deixa feliz.

No fundo, o meu equilíbrio nasce desta combinação de disciplina, natureza, afectos e espiritualidade, pilares que me ajudam a manter os pés no chão mesmo quando o mundo à minha volta está em alta velocidade.

RC: No âmbito do Março Mulher, que significado tem para si afirmar-se como uma mulher angolana em áreas tradicionalmente dominadas por homens, como a energia, a geociência e a pecuária?

LS: No âmbito do Março Mulher, afirmar-me como uma mulher angolana em áreas tradicionalmente dominadas por homens tem um significado profundamente simbólico e transformador. É um acto de afirmação e resistência, mas também de responsabilidade.

Estar presente e alcançar resultados nestes sectores é provar, na prática, que a competência não tem género e que o talento feminino pode e deve ocupar qualquer espaço de decisão, seja ele técnico, científico ou ligado ao campo.

Para mim, é também uma forma de abrir portas para outras mulheres, mostrando que elas podem liderar, inovar e transformar sectores onde historicamente não lhes foi dado lugar. É sobre representar, inspirar e criar caminhos.

A minha presença nesses espaços reafirma uma convicção simples, mas poderosa: o futuro da energia, da ciência e da pecuária em Angola também se escreve no feminino.

RC: Que desafios enfrentou ao longo do seu percurso por ser mulher em sectores técnicos e como conseguiu transformar esses desafios em força e motivação?

LS: Ao longo da minha trajectória enfrentei alguns desafios que muitas mulheres reconhecem: preconceitos subtis, dúvidas injustificadas sobre a nossa capacidade e expectativas reduzidas simplesmente por sermos mulheres.

Contudo, sempre encarei estes desafios como oportunidades de afirmação e não como limitações. A consciência de que determinados processos poderiam não ser tão céleres ou tão lineares para mim permitiu me desenvolver uma postura profissional resiliente. Cada obstáculo tornou se um incentivo adicional para elevar o meu desempenho, reforçar a minha credibilidade e demonstrar, através da excelência, que competência não tem género.

Além disso, sou profundamente grata pelo ambiente familiar em que cresci, que me encorajou desde cedo a ser audaz, assertiva e confiante. Essa base sólida permitiu me construir uma estrutura emocional e profissional que me impede de ser facilmente intimidada por situações que poderiam desencorajar outras mulheres. Recebi dos meus pais valores que moldaram a minha postura: a coragem de ocupar lugares de responsabilidade, a determinação para defender as minhas posições com rigor e integridade, e a convicção de que mereço estar nos espaços onde o meu trabalho me leva.

Essa base sólida alimentou a minha autoconfiança e ensinou me a não me intimidar perante situações que poderiam desencorajar outras mulheres.

RC: Muitas jovens olham para carreiras científicas como algo distante ou difícil. Que mensagem gostaria de deixar às raparigas angolanas que sonham seguir caminhos na ciência, energia ou no agronegócio?

LS: A ciência não é distante é para todas nós. As áreas de energia, geociências, ambiente e o agro precisam de mulheres. E não apenas como apoio, mas como protagonistas.

A minha mensagem é simples: não deixem que vos digam que não podem. Sejam curiosas, persistentes e audazes.

E no agro, especialmente, não tenham medo de entrar num sector ainda visto como masculino. Tragam a vossa visão, sensibilidade e capacidade de gestão.

RC: Para além da profissional de excelência, quem é a Ludy fora do trabalho? O que a inspira, o que a move e o que a faz acreditar num futuro melhor para Angola?

LS: Fora do ambiente profissional, sou uma mulher de essência simples e coração aberto, que gosta de viver com calma, de apreciar o que é genuíno e de nutrir as minhas relações. Encontro inspiração nas artes, na natureza, nos animais, nas pessoas e, sobretudo, no sonho de uma Angola mais próspera.

Tenho um lado muito sensível que se alimenta de coisas pequenas como um bom pôr do sol, boa música, conversas profundas, a tranquilidade da fazenda e o silêncio que me permite ouvir os meus próprios pensamentos.

O que me move, é a convicção de que cada pequena acção conta, pois acredito verdadeiramente que o impacto começa no micro, no exemplo que damos, acredito no poder da educação, da fé e da intencionalidade. E acredito, acima de tudo, que Angola tem tudo para ser grande e que eu, na minha escala, posso contribuir para isso.

RC: Se tivesse de resumir a sua missão em poucas palavras, que legado gostaria de construir para o país e para as futuras gerações de mulheres angolanas?

LS: Se tivesse de resumir a minha missão, diria que é contribuir para um país mais educado, mais sustentável e mais centrado nas pessoas. O legado que desejo deixar passa por abrir caminhos para que outras mulheres angolanas possam chegar ainda mais longe, ocupar espaços com confiança e transformar os sectores onde actuarem. Quero ajudar a construir um Angola mais resiliente, mais produtiva e preparada para o futuro, um país onde cada geração tenha mais oportunidades do que a anterior.

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