A intersecção entre arte e indústria ganha novos contornos com a exposição colectiva “Traços do Processo, Arte e Mineração”, promovida pela União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), no Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPET). A iniciativa surge em alusão ao Dia do Trabalhador Mineiro Angolano e propõe uma leitura sensível e crítica sobre o universo da mineração, através de diferentes disciplinas artísticas.
Com curadoria do crítico de arte Kabudy Ely, a mostra reúne obras de vários artistas nacionais que exploram, de forma criativa, temas como a força laboral, os desafios ambientais e a complexidade da actividade extractiva. Patente até ao dia 27 deste mês, a exposição integra as Jornadas Técnico-Científicas dedicadas à efeméride.

A cerimónia de abertura contou com a presença do ministro da Cultura, Filipe Zau, que sublinhou o papel da cultura como instrumento de sensibilização social e de promoção de valores ligados à cidadania e ao desenvolvimento sustentável. Para o governante, iniciativas desta natureza reforçam o diálogo entre a criação artística e os sectores produtivos, contribuindo para uma consciência colectiva mais esclarecida face aos desafios do futuro.
Na qualidade de anfitrião, o secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Barroso, destacou a importância de integrar actividades culturais no contexto das Jornadas do Mineiro. Segundo afirmou, a presença da arte no espaço institucional permite humanizar o ambiente laboral e criar uma experiência mais enriquecedora para colaboradores e visitantes.
Já o presidente da UNAP, Rosário Matias, valorizou o apoio do MIREMPET às artes, sublinhando que esta colaboração representa um contributo significativo para o fortalecimento da classe artística e para a promoção da cultura nacional.
Mais do que uma exposição, “Traços do Processo, Arte e Mineração” afirma-se como um espaço de diálogo e reflexão, onde a estética se cruza com a realidade social e económica de Angola. A diversidade de linguagens e técnicas presentes evidencia não só a vitalidade das artes plásticas no país, mas também a sua capacidade de construir narrativas críticas e identitárias, fundamentais para compreender o presente e projectar o futuro.

