O escritor angolano Ondjaki voltou a afirmar-se no panorama literário internacional ao ser distinguido como um dos vencedores da 4.ª edição do Prémio Ibérico de Literatura Infanto-juvenil Álvaro Magalhães, em Portugal. A distinção, atribuída ex æquo com Sandro William Junqueira, reforça a presença e relevância da escrita angolana num universo competitivo que reuniu mais de uma centena de obras oriundas de países como Portugal, Brasil, Moçambique, Zimbabué e Angola.
O anúncio foi feito durante o Festival Onomatopeia, onde a obra de Ondjaki, “Por que é que os Olhos Não Veem para Dentro?”, se destacou como um exercício raro de introspecção na literatura infanto-juvenil contemporânea. Com ilustrações de Constança Duarte, o livro foi amplamente elogiado pelo júri pela sua capacidade de transformar a simplicidade em profundidade, explorando temas como identidade, memória e o invisível.

Segundo os jurados Álvaro Magalhães, Marta Bernardes e Raquel Patriarca —, a obra constitui “um hino ao lirismo e à introspecção”, oferecendo à palavra “a delicadeza de quem nomeia um sentimento pela primeira vez”. A publicação do livro em Angola está prevista ainda para este ano, através da editora Kacimbo, garantindo ao público nacional acesso directo a um dos títulos agora reconhecidos internacionalmente.
A distinção foi partilhada com “Quebra-Cabeças”, de Sandro William Junqueira, uma obra que cruza humor e pensamento filosófico, numa abordagem que, tal como a de Ondjaki, privilegia a reflexão em detrimento de respostas imediatas. “Os textos distinguidos não oferecem respostas fáceis, mas criam espaço para que cada leitor encontre as suas”, sublinhou o júri.

Nesta edição, foi ainda atribuída uma Menção Especial a “A Pipa e o Piá”, de Volnei Canônica, com criação visual de Daniel Kondo, uma obra que aborda questões como migração, pertença e liberdade.
Criado em 2023 e promovido pela Câmara Municipal de Valongo, o Prémio Ibérico de Literatura Infanto-juvenil Álvaro Magalhães distingue anualmente obras de excelência em língua portuguesa e espanhola, consolidando-se como uma plataforma de valorização da literatura contemporânea. Com esta conquista, Ondjaki não só eleva o nome de Angola, como reafirma o poder da palavra enquanto ponte entre culturas e gerações.

