“Tratamentos focados em longevidade e prevenção passam a ser uma nova abordagem da saúde estética” – Gerogea Lorenzi, esteticista 

Suzana André
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Geórgea Lorenzi apresenta-se como uma mulher movida por propósito, cuja identidade pessoal e profissional se constrói a partir de uma forte vocação para servir. Em entrevista à Revista Chocolate Lifestyle, a empresária revela que a sua trajetória começou de forma prática, através do contacto directo com atendimentos, experiência que moldou a base sólida do seu percurso e da sua visão enquanto líder.

Ao mesmo tempo, evidencia o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, assumindo-se como mãe de Marcela e esposa de Fabrício, sem abdicar de uma ambição clara e orientada para resultados com impacto real na vida das pessoas. A sua abordagem demonstra uma consciência estratégica: tudo o que constrói deve ter utilidade, significado e valor duradouro.

Geórgea destaca ainda a importância dos hábitos no seu quotidiano, referindo a prática de desporto, o gosto por plantas e a leitura como pilares fundamentais para manter o equilíbrio emocional e mental, elementos que sustentam não só a sua produtividade, mas também a sua clareza de propósito.

RC- Pode falar-nos da sua trajetória até assumir a liderança da Corpore Angola?

GL- A minha trajetória começou muito cedo. Iniciei a minha vida profissional aos 13 anos, já com uma visão empreendedora muito clara para a minha idade. Sempre tive consciência de que precisava de movimentar-me cedo para construir aquilo que eu desejava para a minha vida. Essa mentalidade foi determinante na forma como conduzi toda a minha trajetória Cheguei a Angola em 2011 já com essa base construída, e ao longo dos anos fui a amadurecer profissionalmente, entendendo o mercado e preparando-me para assumir maiores responsabilidades.

Em 2017, fundei a Córpore com o meu marido e sócio, Fabrício Lorenzi. A empresa nasceu com um propósito muito claro: não apenas oferecer serviços, mas gerar impacto real na autoestima das pessoas, com consistência, estrutura e visão de longo prazo.

RC- Que momentos considera determinantes na construção da mulher e profissional que é hoje?

GL- “Os momentos de maior pressão foram os que mais me formaram”.Buscar um olhar para dentro, reconhecer as minhas fraquezas e trabalhar as minhas dificuldades foi um ponto determinante. Sou muito observadora e tenho uma grande disposição para aprender, e isso foi essencial na minha evolução. Além disso, lidar com dificuldades estruturais, como a escassez de mão de obra qualificada, foi decisivo para que eu deixasse o operacional e desenvolvesse a visão estratégica que tenho hoje.

RC- O país onde nasceu influencia a sua visão empresarial em território angolano?

GL- Sim, influencia na base técnica, no padrão de exigência e na busca por inovação.No entanto, o verdadeiro ponto de viragem foi estudar e compreender o mercado angolano. Perceber as necessidades reais e ajustar as soluções a essa realidade foi essencial. Não se trata de replicar modelos, mas de interpretar o contexto local e construir soluções coerentes com ele.

RC- O que distingue a sua abordagem enquanto CEO no sector em que actua?

GL- Disciplina na execução, visão de futuro da marca e clareza na cultura. A saúde estética é o segmento em que actuo, mas é apenas o meio. O meu foco é construir uma empresa consistente, sólida e com uma cultura forte, sendo referência no mercado.

RC- Como define o propósito da Córpore Angola no mercado actual?

GL- A Córpore nasceu com o propósito de servir autoestima. O nosso objetivo é que cada pessoa se sinta melhor após ter contacto connosco. Isso acontece através de procedimentos, tecnologias, produtos e uma entrega humanizada. Trabalhamos com foco em resultados reais, com segurança e responsabilidade.

RC- Que valores são inegociáveis na sua liderança?

GL-Ética, respeito, responsabilidade e comprometimento. Sem esses valores, não existe crescimento sustentável. Resultados sem base não se sustentam ao longo do tempo.

RC- Como analisa a evolução do mercado de bem-estar e estética em Angola?

GL- É um mercado em crescimento, com muitas clínicas surgindo. Existe espaço para quem estuda, se dedica e investe no desenvolvimento de pessoas.

No entanto, ainda existe uma lacuna de padrão de excelência. É um mercado em evolução, mas ainda em fase de maturação.

RC- Quais são os principais desafios e oportunidades que encontrou ao empreender no país?

GL- Os principais desafios estão ligados à formação de equipa, padronização e às oscilações cambiais. Manter um padrão de excelência é desafiador, principalmente porque grande parte dos recursos é importada. Outro ponto foi quebrar o viés cultural de que o que vem de fora tem mais valor. Muitas vezes precisamos provar que o que construímos aqui tem o mesmo ou maior nível. Por outro lado, existe uma oportunidade clara: um mercado com espaço para excelência e para marcas que entregam resultados credíveis.

RC- Acredita que o consumidor angolano está mais exigente? De que forma isso impacta o vosso posicionamento?

GL- Sim, está mais exigente e mais informado. Isso nos obriga a evoluir constantemente, melhorar processos, experiência e consistência na entrega, fortalecendo o nosso posicionamento.

RC- O que diferencia a Córpore Angola das restantes marcas do sector?

GL- Acredito que o que nos mantém à frente é a clareza da visão de onde queremos chegar. Podem copiar processos, mas não conseguem reproduzir visão, cultura e consistência. O que nos diferencia é o conjunto: processo, cultura e resultado.

RC- Como equilibra inovação, qualidade e acessibilidade nos serviços prestados?

GL-Esse equilíbrio exige decisões difíceis.

Nem sempre inovação e qualidade caminham com acessibilidade, e chega um momento em que é necessário escolher o que se quer entregar ao mercado.

Na Córpore, não negociamos qualidade, excelência e biossegurança. Isso exige posicionamento claro e definição de público.

RC- Que tendências internacionais considera que vão marcar o futuro do bem-estar em Angola?

GL- Acredito fortemente na medicina integrativa e regenerativa. Tratamentos focados em longevidade e prevenção deixam de ser tendência e passam a ser uma nova abordagem da saúde estética.

RC- Enquanto mulher CEO, sente que ainda existem barreiras a ultrapassar?

GL-Barreiras existem para todos. Naturalmente, também enfrento desafios, mas não faço disso o meu foco. Prefiro direccionar a minha energia para a entrega de resultados e para os meus objetivos. Existe um princípio que eu sigo: aquilo em que focamos cresce. E o meu foco está exatamente no que constrói, no que desenvolve, no que gera resultado e comunidade 

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