Documentário angolano ecoa em Kinshasa e celebra a força da Língua Portuguesa

Gracieth Issenguele
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A capital da República Democrática do Congo, Kinshasa, foi palco de uma celebração singular da cultura lusófona, com a exibição do documentário “Música de Intervenção Política Angolana”, no âmbito das Jornadas da Língua Portuguesa. A iniciativa, promovida pela Embaixada de Angola em parceria com as representações diplomáticas de Portugal e do Brasil, reafirmou o papel da arte como ponte entre povos e reforço da identidade comum.

Exibida no Centre Wallonie-Bruxelles, a curta-metragem documental, da autoria do realizador e jornalista Francisco Pedro Keth, apresenta uma narrativa intensa e reflexiva sobre a resistência cultural angolana durante o período colonial. Com 13 minutos de duração e produzida em 2020, a obra, falada em português e legendada em francês, mergulha na dimensão político-artística da música como ferramenta de intervenção e consciencialização.

O documentário revisita a luta clandestina protagonizada por músicos angolanos, destacando vozes incontornáveis como Elias Dia Kimuezu e Tonito Fortunato. Através dos seus testemunhos e criações, o filme evidencia o papel determinante da música no despertar da consciência identitária e na mobilização social rumo à liberdade.

Além disso, a obra sublinha a relevância da República Democrática do Congo como território estratégico no apoio à luta de libertação angolana, sobretudo através das acções conduzidas por militantes do MPLA. As interações solidárias com nacionalistas de outros países africanos de língua oficial portuguesa, como Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, surgem também como elemento-chave desta narrativa histórica.

Enriquecido com o contributo do historiador e antropólogo Filipe Vidal, o documentário constrói uma síntese representativa da geração de artistas da década de 1940, cuja expressão musical preservou e projectou os ideais que culminaram na proclamação da Independência Nacional, a 11 de novembro de 1975.

Na ocasião, o embaixador de Angola na RDC, Miguel da Costa, destacou a língua portuguesa como um instrumento contemporâneo de coesão e diálogo entre nações. Perante diplomatas, académicos e membros da comunidade, o diplomata reforçou ainda que o fortalecimento da presença internacional do português poderá traduzir-se em ganhos significativos nos domínios político, cultural e estratégico para os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Mais do que uma exibição cinematográfica, o evento afirmou-se como um tributo à memória, à resistência e à força da cultura angolana, cuja música continua a ecoar como símbolo de identidade, liberdade e união entre povos.

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