A direcção da Oficina Artesanal anunciou, na passada sexta-feira, a alteração da programação cultural prevista para o mês de maio, período em que a cidade de Benguela celebra os seus 409 anos. A decisão surge na sequência do transbordo do rio Cavaco, fenómeno que afectou milhares de famílias e provocou constrangimentos em vários bairros da província.
De acordo com informações avançadas ao Jornal de Angola pelo director-geral da instituição, Ivair Coimbra, a situação poderá igualmente comprometer a realização das actividades culturais programadas para os próximos três meses, uma vez que diversos agentes culturais, artistas e parceiros do projecto foram directamente afectados pelas cheias.

Inicialmente, a agenda previa várias iniciativas ligadas à promoção da arte e da cultura, entre elas tardes musicais, encontros de palavra falada e outras actividades voltadas para a dinamização artística da província. Contudo, o impacto do fenómeno natural nos bairros Calomanga, Cipiandalo, Quioxe, Condule e Cotel obrigou a coordenação a rever o calendário.
Criada para impulsionar a dinâmica artístico-cultural no centro urbano do município de Benguela e em zonas adjacentes do litoral, a Oficina Artesanal tem também dedicado atenção especial às comunidades periféricas. O espaço, inaugurado em novembro de 2022 no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), sob tutela do Governo Provincial de Benguela, tornou-se um dos principais pontos de encontro da criação artística local.

Apesar dos desafios, Ivair Coimbra garantiu que a instituição continuará a comunicar de forma transparente, responsável e próxima do público e dos fazedores de cultura. Desde 2023, a coordenação do projecto sociocultural tem trabalhado na valorização do espaço, enfrentando limitações relacionadas com a escassez de equipamentos técnicos e recursos necessários para expandir a qualidade e o alcance das actividades.
A direcção reforçou ainda que o envolvimento dos artistas é essencial para o crescimento colectivo do projecto e para a qualificação contínua do espaço cultural. Segundo a coordenação, a participação activa da comunidade artística, através de propostas construtivas e iniciativas criativas, contribui para a preservação dos valores cívicos, educativos e culturais defendidos pela instituição, sem comprometer a liberdade de expressão artística.
O director-geral esclareceu igualmente que determinadas questões administrativas e estruturais ultrapassam a competência directa da coordenação da Oficina Artesanal, cabendo ao Gabinete Provincial da Cultura e Turismo de Benguela e à Direcção Municipal da Cultura e Turismo pronunciarem-se oficialmente sobre esses assuntos.
Ao agradecer o apoio recebido desde o arranque do projecto, Ivair Coimbra recordou que a Oficina Artesanal nasceu “entre paredes e sonhos” e representa hoje um importante símbolo de promoção da arte local. Sob o lema “Construir para dentro no presente com o olhar no futuro”, a instituição reafirma o compromisso de continuar a promover a cultura e a valorizar os criadores benguelenses, consolidando Benguela como um dos grandes viveiros artístico-culturais de Angola.



