Num cenário onde a comunicação, a influência e o empreendedorismo ganham cada vez mais espaço em Angola, Leonora Martins (@leonoramartins5) afirma-se como uma das vozes femininas de destaque da nova geração. Formada em Comunicação Empresarial, a mentora do projeto “Impact Woman” tem transformado eventos em verdadeiras plataformas de conexão, posicionamento e inspiração.

Empreendedora visionária, Leonora Martins acredita no poder da comunicação estratégica, da elegância e da inteligência como ferramentas capazes de impulsionar marcas, líderes e experiências de impacto. Mais do que organizar eventos, dedica-se a criar ambientes que promovem “networking”, autoridade e crescimento pessoal e profissional.
Em entrevista cedida à revista Chocolate, Leonora Martins fala sobre o seu percurso, os desafios do empreendedorismo feminino, a importância da imagem e da influência, bem como os sonhos que alimenta para o futuro das mulheres angolanas.
RC- Como nasceu a sua paixão pelo empreendedorismo e pelo sector de eventos?
LM- Desde sempre tive quedas por eventos sociais, acompanhava os principais eventos de Angola e do Mundo, e após trabalhar como assessora de eventos numa empresa a vontade e experiência levaram-me a organizar o primeiro evento e daí não mais parei.

RC-Que desafios enfrentou ao longo dos seus cerca de 8 anos de mercado e como os ultrapassou?
LM- Comecei por ter um salão de beleza no meu bairro, um salão lindo e inovador, mas surgiu apenas da paixão sem muita experiência de empreender, nisso vários desafio foram ultrapassados, percebi que conhecimento e formação ajudariam levou-me, sim, a ultrapassar vários desafios.
RC- O que representa para si ser fundadora da LM Assessoria de Eventos?
LM- Ser a fundadora da LM assessoria mostra e representa a minha capacidade e paixão em organizar pessoas, marcas e experiências, liderar ambientes de pressão com elegância, transformar ideias em experiências memoráveis, perceber comportamento, imagem e posicionamento, criar conexões estratégicas entre empresas, instituições e personalidades. Que, na verdade, sempre foi o que me identificou como profissional.
RC- Como surgiu a ideia de criar o “IMPACT WOMAN” e qual é a sua missão principal?
LM- A ideia de criar o Impact Woman surgiu numa conversa descontraída entre mulheres quando desabafava sobre os desafios que enfrentava na altura enquanto jovem mulher ocupando um espaço hierárquico profissional. (desafios, pressão, subestimação apenas por ser mulher e jovem)
RC- De que forma este projecto tem contribuído para o networking e empoderamento feminino em Angola?
LM- Toda a gente diz que não tenho noção do grande impacto que o projeto tem, mas receber os “feedbacks” pós-eventos, é sem dúvida satisfatório, as mulheres cá estão a fazer acontecer e ganhar destaque nas coisas que se propõem fazer porque a liderança feminina ainda é um tema novo as mulheres merecem ter voz, e serem celebradas pela contribuição social que têm.

RC- Que impacto já conseguiu observar nas mulheres que participam nos seus eventos?
LM- Muitos, algumas saem do evento e no mês seguinte já abriram um negócio, tomaram uma decisão pessoal ou profissional, mudam os rumos das suas vidas por se inspirarem em partilhas mentorias que o evento oferece.
RC- O que a motiva a continuar a investir em projetos ligados ao desenvolvimento pessoal e profissional?
LM- Sou patriota, acredito que é um pouco do que posso fazer no momento para contribuir com o desenvolvimento social de Angola, Angola se faz também com bons profissionais e pessoas comprometidas.
RC-Em que momento percebeu que o seu trabalho poderia ter uma dimensão de influência e transformação social?
LM- Quando decidi que seria mais do que um simples evento, propus-me em juntar vários em um, e ver que no terceiro evento foi bem recebido e representava inovação e canal de transformação social.
RC- Quem são as suas maiores referências no mundo do empreendedorismo e da liderança feminina?
LM- Trabalho com mulheres e na história de cada mulher existe um, dois, cinquenta pontos que servem de inspiração, não tenho uma única referência, tenho várias.

RC-Numa recente entrevista, mencionou o desejo de trazer nomes como Oprah Winfrey e Michelle Obama para Angola. O que representa esse sonho para si?
LM- Não é um sonho, é um desejo apenas, acredito que pessoas como eu não tenho sonhos como tal, têm desejos e lutam para os alcançar, as histórias dessas duas mulheres são fortes e sem dúvidas representação de superação, liderança, determinação, fé, força e Victoria no mais alto nível.
RC-Que mensagem acredita que estas figuras internacionais transmitiriam às mulheres angolanas?
LM- Essas figuras não apenas representam sucesso, mas a ideia de que uma mulher pode ocupar espaços de poder, influência e liderança sem perder a sua identidade feminina, sensibilidade ou história. Acho isso forte demais.
RC-Que tipo de legado gostaria de deixar através do “IMPACT WOMAN”?
LM- Faço com amor e carinho, e é apenas um contributo modesto para dar voz às mulheres líderes, e espero que as pessoas se lembrem do Impact Woman como uma plataforma que deu esse espaço e criou oportunidades para várias mulheres líderes.

RC-Quais são os maiores desafios do empreendedorismo feminino em Angola hoje?
LM- Falta de acesso a financiamento, necessidade constante de validação, equilíbrio entre imagem e autoridade, solidão da liderança e pressão social e cultural. (Entre vários motivos)
RC- Como define o seu estilo de liderança enquanto mulher empreendedora?
LM – Sou apenas uma jovem mulher fazendo o que gosta e sabe com responsabilidade.
RC- Que conselho daria às jovens mulheres que querem iniciar um negócio, mas têm medo de arriscar?
LM- Se capacitem e simplesmente façam! Se não der certo terão oportunidade de acertar, mas apenas façam. (só comecem)
RC- Como equilibra a vida pessoal com a exigência de gerir vários projectos ao mesmo tempo?
LM- Não é fácil e nem sempre faço tudo certo, analiso, priorizo e recuo se for necessário. Aprendi a lidar com isso nas calmas e hoje já não é um problema. (organizo-me e tenho uma equipa que ajuda bastante)
RC- Que novidades ou expansão podemos esperar dos seus projectos nos próximos anos?
LM – Novidades saberão na hora certa e são muitas, expansão isso nem eu sei, mas garanto que se depender do nosso trabalho será grandioso.
RC- O que significa para si ser uma “mulher de impacto” na sociedade actual?
LM – Ser uma mulher de impacto não significa apenas ser conhecida, ter seguidores ou ocupar cargos importantes. “Significa deixar marca nas pessoas, nos espaços e nas transformações que cria”, influencia ambientes, abre caminhos para outras mulheres, transforma ideias em movimento, gera valor através da sua presença, visão e atitude. Para mim isso, sim, é ser mulher de impacto.
RC- Se tivesse de definir a sua trajectória em três palavras, quais seriam?
LM- Força, Persistência e Fé.




