A 3.ª edição da Feira de Arte de Luanda arranca no dia 11 de Junho no Palácio de Ferro e reúne artistas angolanos e não só, que vão exibir o seu potencial no certame. O evento anual promove também o turismo e o surgimento de novos artistas nas mais diversas áreas.
Em declarações à imprensa, Dominique Maia Tanner, diretor executivo e fundador da feira garante que no evento de quatro dias, além da cultura, vai ser um motor de promoção do turismo. “Quem fala de arte tem que falar sobre identidade, tem que falar sobre cultura e turismo. Para mim, acima de tudo, vem o turismo endógeno, aquilo que nós propomos para quem vive em Angola, portanto temos muito essa ideia da âncora, e depois o turismo internacional, que é sempre bem-vindo”, observou o curador.

O produtor referiu que o Palácio de Ferro é o melhor emblema da identidade, da cultura, passada, recente, presente e futura. “Acho que está tudo interligado. Identidade fala do passado, da memória”.
A Feira de Arte tem dimensão internacional. Desde a primeira edição está com tendência evolutiva. “Na primeira edição nós tínhamos sete galerias. Na segunda edição saltámos para 14 e nesta terceira edição vamos ter 19 propostas”. Haverá ainda uma exposição individual de uma artista sul-africana que tem raízes com Angola, Teresa Cutala Firmino, obra vai estar exposta na entrada.
Dominick manifestou o desejo de ter mais coletivos de fora de Luanda, nesta edição conta-se com um o colectivo da Huila, Namíbia e de Kinshasa.
“Esta feira está a crescer. E é um crescimento orgânico. Ao criarmos a feira, a ideia é criar uma certa estrutura, uma certa formalização do mercado”, disse o produtor.
A feira reserva arte performativa, começando pelo mais exótico, mais invulgar, justificado pelo facto de Angola cada vez mais a ter artistas a ganhar espaço nas artes performativas. Esta está além das disciplinas de pintura, fotografia, video-arte, escultura e instalação. A novidade, observada pelo produtor, é a atenção à disciplina oral, referindo aos talks que terá no sábado e domingo.
“É importante essa oralidade, porque, muitas vezes, nós escrevemos, filmamos, mas não falamos, acho que a fala é muito importante”, enfatizou Dominick Maia Tanner.
Evolução do projecto
A feira conta com mais uma galeria em relação ao ano passado, incluindo colectivos da República Democrática do Congo e Namíbia.
Esta edição conta com as galerias Tomar Golan, Teatro Mar, ELA – Espaço Luanda Arte, Palomino Artes, SKY Gallery, The Art Affair e Why Not.

Dominick Maia Tanner explicou que ao longo de quatro dias, a feira irá acolher exposições, visitas guiadas, performances, arte ao vivo, palestras, networking profissional, workshops e actividades orientadas para diferentes públicos, promovendo o encontro entre arte contemporânea, comunidade e turismo cultural.
O director adjunto da Galeria Tomar Golan, Narciso Xavier, considerou satisfatório participar mais uma vez da feira, agradecendo ao Dominick pela persistência que continua a dar visibilidades ao trabalho dos artistas.
Ima Tchitanga, da Galeria Palomino, sentiu-se “honrada” por participar pela primeira vez na feira, “é uma oportunidade muito louvável”. A galeria vai expor obras de artistas nacionais e internacionais. Animada, Ima diz que vai pressionar os visitantes para adquirirem as obras de sua galeria.
De 13 a 14 de Junho, a feira terá acesso gratuito ao público, reforçando a sua vertente inclusiva e comunitária. Durante o fim-de-semana irão decorrer oficinas criativas para crianças, adolescentes e adultos, conversas bem como apresentações e performances ao vivo.
