O Palácio de Ferro, em Luanda, acolhe de 11 a 14 de junho a terceira edição da Luanda Feira de Arte 2026, um evento que volta a afirmar-se como uma das mais relevantes plataformas de promoção das artes visuais no país. Sob o lema “Identidade e Turismo Cultural: Ligar Histórias, Lugares e Pessoas”, a iniciativa, produzida por Dominick Alexander Maia Tanner , abriu portas na quinta-feira, reunindo artistas, galerias, colectivos e apreciadores de arte numa celebração da criatividade e da diversidade cultural.
Durante a sessão de abertura, reservada a convidados, foi notória a crescente adesão do público interessado nas artes. Em declarações à imprensa, Dominick Maia Tanner destacou o carácter inclusivo e cada vez mais abrangente da feira, que reúne artistas provenientes de várias províncias angolanas, como Benguela, Cabinda e Huíla, além de representantes da República Democrática do Congo, Namíbia e África do Sul.

O produtor sublinhou ainda que a feira continua a representar um investimento avaliado em cerca de 20 milhões de kwanzas, sustentado por parcerias e trocas de serviços. Defendendo que o projecto tem potencial para crescer significativamente nos próximos anos. Para os quatro dias do evento, a organização prevê uma programação diversificada, com exposições, palestras, performances, workshops e actividades para todas as idades.
Arte sem parar
Uma das grandes apostas desta edição é o projecto “Arte Sem Parar”, que inclui oficinas de pintura e momentos de leitura para crianças, reforçando a ligação entre a arte, a educação e a celebração do mês da criança. Segundo a organização, a iniciativa pretende também estimular o turismo cultural interno e valorizar a cidade de Luanda, vista como um importante polo de criação artística.
A componente internacional volta a marcar presença na feira. O colectivo de Kinshasa participa com seis artistas e uma proposta centrada na aproximação cultural entre Angola e a República Democrática do Congo. Jonathan Pedro, conhecido artisticamente como Jonson Mufaba e representante do colectivo, destacou a importância do intercâmbio entre povos irmãos, defendendo que a arte é uma ferramenta capaz de ultrapassar fronteiras e promover o conhecimento mútuo entre culturas vizinhas.

Também a galeria The Art Affair apresentou uma selecção de cinco artistas com percursos distintos, reunindo pintura, fotografia, ilustração digital e escultura em papietagem. Para Alexandra Gonçalves, a feira tem desempenhado um papel fundamental na valorização e divulgação das artes plásticas produzidas em Angola, consolidando-se como uma referência no calendário cultural nacional.
Entre os participantes nacionais esteve igualmente Bonifácio Tchipoke, artista plástico e professor proveniente de Benguela, que apresentou sete obras inspiradas no quotidiano angolano. Para o artista, a crescente presença de criadores de diferentes províncias demonstra a força do projecto e o seu potencial para alcançar uma dimensão internacional nos próximos anos.

A feira acolhe ainda artistas emergentes como Sérgio Macangueiro, que participa pela primeira vez no certame. Integrado no colectivo de Kinshasa, o jovem artista apresentou uma obra inspirada numa icónica escultura da República Democrática do Congo, símbolo de valorização das artes plásticas naquele país.
Mais do que uma exposição, a Luanda Feira de Arte 2026 afirma-se como um espaço de encontro, diálogo e partilha entre culturas, promovendo a união entre artistas, galerias e públicos diversos. Ao mesmo tempo, reforça a reflexão sobre a necessidade de preservação do património cultural e sobre a importância de Luanda vir a contar, futuramente, com um museu dedicado à arte moderna e contemporânea.

Além da programação artística, o evento ficou marcado pelos elegantes e criativos looks exibidos pelos convidados, acrescentando uma nota de estilo a uma celebração que coloca a arte e a cultura no centro das atenções.

