“Não é apenas sobre devolver um sorriso. É sobre devolver a vontade de sorrir” – Neil Chaves, Dentista e Implantologista

Suzana André
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Por detrás da bata branca e do rigor da profissão, existe um homem movido pela disciplina, pela paixão pelo conhecimento e pelo desejo de transformar vidas. Natural da Huíla e actualmente uma referência na área da Medicina Dentária e Implantologia em Angola, o Dr. Neil Chaves construiu um percurso marcado pela persistência, pela busca incessante da excelência e pelo compromisso com os seus pacientes.

Nesta entrevista exclusiva à Revista Chocolate, o médico-dentista abre as portas da sua história, fala sobre os desafios da profissão, a importância da saúde oral, os sonhos que ainda pretende concretizar e a visão que tem para o futuro da Implantologia em Angola. Uma conversa inspiradora com um profissional que acredita que devolver um sorriso é, acima de tudo, devolver confiança e qualidade de vida.

RC-  Quem é o Dr. Neil Chaves além da bata branca? 

NC- Sou um homem que acredita no valor do trabalho, da disciplina e da aprendizagem contínua. A Medicina Dentária é uma parte importante da minha identidade, mas não a define por completo. Sou pai, esposo, amigo, sonhador e alguém que encara cada desafio como uma oportunidade de crescimento. Gosto de construir, seja um sorriso, uma carreira, uma equipa ou um legado. No fundo, o Dr. Neil Chaves é apenas alguém que acredita que o conhecimento abre portas, que o trabalho transforma destinos e que a melhor versão de nós mesmos é aquela que nunca deixa de evoluir. 

RC- Como descreve o seu percurso até se tornar Médico-Dentista e implantologista? 

NC- O meu percurso até me tornar Médico-Dentista e Implantologista foi marcado por desafios, renúncias, aprendizagem contínua e uma profunda paixão por transformar vidas através da saúde oral. Procuro aperfeiçoar-me constantemente, investir em conhecimento, acompanhar a evolução científica e desafiar os meus próprios limites. 

RC- O que o motivou a escolher a medicina dentária como carreira? 

NC- Curiosamente, a Medicina Dentária não foi a minha primeira escolha. Na altura de decidir o meu percurso académico, tinha outras ideias. No entanto, por indicação de um amigo do meu pai, considerei esta área e decidi avançar. Com o passar do tempo, fui descobrindo a riqueza da profissão, o impacto que podemos ter na vida das pessoas e a constante possibilidade de evolução profissional. O que começou como uma escolha influenciada por uma recomendação transformou-se numa verdadeira paixão, e hoje sinto-me realizado por ter seguido este caminho.

RC- Houve alguma influência familiar ou inspiração que tenha marcado essa decisão?

NC- Mais do que uma influência específica, fui inspirado pelos valores de trabalho, disciplina e honestidade transmitidos pelos meus pais.

RC- Que recordações guarda dos seus primeiros anos de formação? 

NC- Guardo muitas recordações dos meus primeiros anos de formação, mas uma das mais marcantes foi o choque social e cultural que vivi ao sair da Huíla (com 16 anos) e chegar a Luanda. Vinha de uma realidade mais tranquila e próxima, e deparei-me com uma cidade muito maior, mais acelerada e extremamente competitiva. No entanto, olhando para trás, percebo que esse choque foi fundamental para a minha formação. Ensinou-me a sair da minha zona de conforto, a adaptar-me a diferentes realidades. Foi precisamente nessa fase que compreendi que o crescimento acontece quando temos a coragem de enfrentar o desconhecido. Luanda não apenas me formou como profissional; ajudou a moldar o homem que sou hoje. 

RC- O que o fascinou na área da implantologia? 

NC- A Implantologia representa uma das maiores revoluções da Medicina Dentária. A possibilidade de devolver função e confiança aos pacientes é algo extraordinário.

RC- Quais foram os maiores desafios enfrentados durante a sua formação profissional?

A constante busca por atualização e aperfeiçoamento. A Medicina Dentária evolui rapidamente e exige dedicação permanente. 

RC- Como tem sido a evolução da medicina dentária ao longo da sua carreira? 

 NC- Tem sido impressionante. Hoje contamos com tecnologias digitais, planeamento virtual e técnicas minimamente invasivas que tornam os tratamentos mais previsíveis e confortáveis. 

RC- Qual considera ser a maior transformação que os implantes dentários trouxeram para os pacientes? 

NC- A devolução da qualidade de vida. Os implantes permitem voltar a mastigar, falar e sorrir com confiança. 

RC- O que diferencia um bom implantologista de um excelente implantologista?

NC- Um bom Implantologista sabe colocar implantes. Um excelente Implantologista sabe quando colocar, quando não colocar e, acima de tudo, como transformar um tratamento num resultado previsível, funcional e humano. 

RC- Na sua opinião, qual é o maior erro que as pessoas cometem quando se trata da saúde oral? 

NC- Procurar ajuda apenas quando sentem dor. A prevenção continua a ser o melhor tratamento. 

RC- Os angolanos estão hoje mais conscientes da importância da saúde dentária? 

NC- Sem dúvida. Existe uma maior procura por informação e por tratamentos de qualidade, embora ainda haja muito trabalho de educação e sensibilização a fazer. 

RC- Quais são os sinais que nunca devem ser ignorados quando falamos da saúde da boca? 

NC- Sangramento gengival, mobilidade dentária, dor persistente, mau hálito constante e lesões que não cicatrizam.

RC- Que conselhos daria a quem tem medo de consultas dentárias? 

 NC- Que converse abertamente com o profissional que o acompanha. Hoje existem abordagens que tornam os tratamentos muito mais confortáveis e tranquilos. 

 RC- De que forma a saúde oral influencia a autoestima e a qualidade de vida das pessoas? 

 NC- A boca é uma parte essencial da nossa identidade. Um sorriso saudável influencia a autoconfiança, as relações pessoais e até as oportunidades profissionais. 

RC- Existe algum caso ou paciente que tenha marcado particularmente a sua carreira?

NC- Existem vários. Os mais marcantes são aqueles em que vemos uma verdadeira transformação humana após o tratamento. 

 RC- Qual é a sensação de devolver o sorriso a alguém através do seu trabalho? 

 NC- É uma sensação de responsabilidade e privilégio ao mesmo tempo. Responsabilidade, porque cada sorriso devolvido carrega uma história, uma expectativa e uma confiança depositada em nós. Privilégio, porque nem todas as profissões permitem tocar tão diretamente na autoestima e na forma como alguém se relaciona com o mundo. No fim, não é apenas sobre devolver um sorriso. É sobre devolver a vontade de sorrir.

RC- Há alguma história de superação de um paciente que nunca esqueceu? 

 NC- Sim, há uma história que nunca esqueci. Uma paciente idosa, já numa fase avançada da vida, procurou-me com um pedido muito simples, mas profundamente humano: queria voltar a sorrir antes de ser institucionalizada num lar. Mais do que dentes, ela queria dignidade, identidade e a possibilidade de se despedir de uma etapa da sua vida com um sorriso. Conseguimos realizar a reabilitação no tempo possível. No momento em que se viu ao espelho, houve uma emoção difícil de descrever, não era apenas estética, era a expressão de alguém que se reconheceu novamente. Essa experiência reforçou em mim uma certeza: na Medicina Dentária não tratamos apenas bocas, tratamos histórias, fases de vida e, muitas vezes, momentos decisivos da existência humana. 

RC- O que aprende diariamente com as pessoas que passam pelo seu consultório?

 NC- Aprendo que a dor não é apenas física, que muitas vezes o sorriso que alguém procura reconstruir está ligado à autoestima, à confiança e até à forma como a pessoa se posiciona perante o mundo. Aprendo também a ouvir mais e a julgar menos, porque por trás de cada caso existe um contexto que nem sempre é visível à primeira vista. Mas acima de tudo, aprendo humildade. A Medicina Dentária dá-nos conhecimento técnico, mas são os pacientes que nos ensinam o verdadeiro significado de empatia, resiliência e gratidão. No fundo, cada pessoa que entra no meu consultório contribui para me tornar não apenas um melhor profissional, mas também um melhor ser humano.

RC- Como consegue equilibrar a exigência da profissão com a vida pessoal? 

 NC- Durante muito tempo pensei que equilibrar a profissão e a vida pessoal significava dividir o tempo de forma igual. Hoje percebo que significa estar verdadeiramente presente onde quer que eu esteja. Aprendi que o sucesso profissional perde significado se não tivermos pessoas com quem o partilhar. A minha família, os meus amigos e os momentos fora da clínica ajudam-me a manter os pés no chão. No fundo, não procuro equilíbrio entre duas vidas diferentes. Procuro construir uma única vida onde a excelência profissional e a realização pessoal caminhem lado a lado. E essa é uma obra que continuo a construir todos os dias. 

 RC- O que gosta de fazer nos momentos livres? 

 NC- Nos meus momentos livres gosto de desacelerar e investir naquilo que muitas vezes a rotina profissional não permite apreciar com a devida atenção: a família, os amigos e as experiências que enriquecem a vida, recarregando energias. 

 RC- Que valores orientam a sua vida dentro e fora da profissão?

 NC- Honestidade, Integridade, respeito, responsabilidade e compromisso com a excelência. 

 RC- Como lida com a pressão e a responsabilidade inerentes à sua área de atuação?

 NC- Lido com a pressão encarando-a como parte inseparável da responsabilidade que escolhi assumir. Com o tempo, percebi que a pressão não deve ser vista como um inimigo, mas como um lembrete permanente da importância do nosso trabalho. Procuro transformar essa exigência em foco, preparação e disciplina. Confio no conhecimento que construí ao longo dos anos, mas nunca permito que a confiança substitua a prudência. Acredito que os melhores profissionais não são aqueles que trabalham sem pressão, mas aqueles que conseguem manter a serenidade quando ela existe. É nessa capacidade de permanecer lúcido, responsável e comprometido com a excelência que encontro o equilíbrio para exercer a minha profissão todos os dias

 RC- Quem é a sua maior inspiração na vida? 

 NC- A minha maior inspiração na vida é, sem dúvida, a minha querida mãe (Filomena Morais). Ao longo da vida, ensinou-me, através do exemplo, valores como honestidade, respeito, trabalho e perseverança. O seu forte caráter e a dedicação à família são qualidades que admiro profundamente e que procuro trazer para a minha vida. 

RC- Quais são os seus principais objetivos profissionais para os próximos anos? 

 NC- Continuar a crescer na Implantologia, contribuir para a formação de profissionais Angolanos e ampliar o acesso a tratamentos de excelência em Angola. 

 RC- Há algum projeto que gostaria de concretizar e que ainda esteja por realizar? 

 NC- O projeto que mais gostaria de concretizar não é apenas empresarial, é um projeto de país: ajudar a criar um modelo de reabilitação oral acessível, sustentável e de referência para Angola. Acredito que a saúde oral ainda tem um enorme potencial de crescimento e impacto social, e gostaria de estar na linha da frente dessa transformação, criando soluções que unam inovação, formação e acesso ao tratamento. Se conseguir contribuir para que milhares de angolanos recuperem a sua saúde, autoestima e qualidade de vida, sentirei que o meu maior objetivo foi alcançado. 

RC- Como gostaria de ser lembrado pelos seus pacientes e colegas? 

NC- Quero ser lembrado como alguém que devolveu sorrisos, restaurou confiança e abriu caminhos para que outros fossem ainda mais longe. Porque o verdadeiro valor de uma vida não está no que conquistamos para nós, mas no que deixamos nos outros.

RC- Que legado pretende deixar para as futuras gerações de profissionais da saúde oral? 

 NC- A mensagem de que a excelência técnica deve caminhar sempre lado a lado com a ética e a empatia. O meu objetivo não é apenas ser lembrado pelos pacientes que tratei, mas pelos profissionais que ajudei a formar e pelos padrões de excelência que contribuí para elevar. 

RC- Uma palavra que define a sua trajetória? 

 NC- Persistência. Porque os sonhos não se concretizam da noite para o dia. A minha trajetória tem sido marcada pela determinação de continuar a trabalhar e a evoluir, mesmo quando os resultados demoram a aparecer. 

RC- O melhor conselho que já recebeu? 

 NC- Encare o sucesso com humildade e o insucesso com aprendizagem. Nenhum dos dois é permanente, mas ambos têm algo valioso para ensinar. 

RC- Um sonho que ainda pretende realizar? 

 NC- Um dos meus grandes sonhos é criar uma clínica que se torne uma referência em Angola, em África e, quem sabe, no mundo. Mais do que um espaço de tratamento, gostaria que fosse um centro de excelência, inovação e formação. 

 RC- O que significa sucesso para si? 

 NC- Sucesso é transformar sonhos em realidade sem perder a essência. É crescer profissionalmente, contribuir para a sociedade, inspirar outras pessoas e, ao mesmo tempo, encontrar equilíbrio entre a ambição e a felicidade. 

 RC- Se pudesse deixar uma mensagem aos leitores da Chocolate Lifestyle, qual seria? 

NC- Vivemos numa época em que muitos admiram o sucesso, mas poucos estão dispostos a enfrentar os sacrifícios, os fracassos e os anos de trabalho silencioso que normalmente o antecedem. Acreditem mais no processo do que nos aplausos. Invistam no vosso crescimento, cuidem da vossa saúde, valorizem as pessoas que caminham ao vosso lado e nunca deixem que as circunstâncias definam os limites dos vossos sonhos. No final da vida, não seremos lembrados pelo que possuímos, mas pelo impacto que tivemos na vida das pessoas. Por isso, procurem ser excelentes no que fazem, mas acima de tudo, procurem ser úteis.

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