Aos 83 anos, o cantor, compositor, escritor e nacionalista Carlos Lamartine voltou a ser aplaudido pela dimensão da sua obra e pelo legado que continua a construir. O artista foi homenageado no passado domingo, 28 de junho, no espaço cultural Prova d’Art Miramar, em Luanda, durante mais uma edição do projecto “Caldo do Poeira”, uma iniciativa da Rádio Nacional de Angola , em parceria com o referido espaço cultural.
Após passar pelas províncias do Bengo e da Lunda-Sul, o projecto regressou à capital para distinguir uma das figuras mais marcantes da música e da cultura angolanas. A homenagem reuniu em palco Voto Gonçalves, Lulas da Paixão, Mister Kim, Chinda Duia e Leonel Ngumba, acompanhados pela Banda Movimento, numa celebração da trajectória artística de Carlos Lamartine.

Segundo o Jornal de Angola Online, o director artístico do projecto, Chico Madne, revelou que os preparativos decorreram ao longo de duas semanas de ensaios, garantindo um espectáculo cuidadosamente preparado. O músico, carinhosamente tratado por “Man Lamas”, interpretou alguns dos seus maiores clássicos, além de apresentar dois temas do seu mais recente trabalho discográfico, proporcionando ao público um momento de forte simbolismo e emoção.
Para o coordenador do projecto, Carlos Bequengue, a homenagem ultrapassa o reconhecimento da carreira musical. O responsável destacou que Carlos Lamartine representa um dos maiores pilares da história contemporânea de Angola, graças ao seu inestimável contributo nos domínios político, social e cultural, tornando-se uma referência incontornável para várias gerações.

Longe de abrandar o ritmo criativo, Carlos Lamartine continua a produzir novas obras na música e na literatura. Em 2025 lançou o álbum “Angola 50 anos: Esperança”, produzido pelo Estúdio Plenarium, sucedendo ao disco “Gerações Primeira”, editado em 2023. No mesmo período apresentou também o livro “Ser Poeta em Harmonia e Silêncio”, reforçando um percurso literário que já integra títulos como “Semba – O Perfil Histórico” e “Alma de Babel”. Em entrevista ao Jornal de Angola, revelou que prepara novas publicações e mantém activa a sua actividade de investigação.

Nascido em Benguela, a 29 de Março de 1943, com o nome de José Carlos Lamartine dos Santos, foi no histórico bairro Marçal, em Luanda, que deu os primeiros passos na música. Décadas depois, continua a afirmar-se como uma das vozes mais influentes da identidade cultural angolana, inspirando novas gerações e consolidando um legado que transcende a música para se afirmar como património da memória e da história nacional.


