Sílvio Nascimento: “Quero ser lembrado como um patriota e embaixador cultural de Angola”

Gracieth Issenguele
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O actor, apresentador e presidente da APROCIMA o angolano Sílvio Nascimento está de regresso ao pequeno ecrã com a sétima temporada do concurso “M’Bora Dividir?”, transmitido pela Star Mundo, levando novamente a cultura geral às ruas de várias províncias do país e distribuindo prémios até 400 mil kwanzas. Mas, para além da televisão, o artista revela que prepara novos desafios no audiovisual angolano, com ambições internacionais e um propósito bem definido: deixar um legado para as futuras gerações.

Em entrevista exclusiva à Revista Chocolate Lifestyle, o comunicador, natural do Lubango, província da Huíla, falou sobre a evolução do programa, o desafio de conciliar a apresentação com a representação e os projectos que pretende concretizar dentro e fora de Angola.

Para Sílvio Nascimento, o sucesso contínuo do “M’Bora Dividir?” deve-se, sobretudo, à ligação criada com o público. Segundo o apresentador, as gravações transformam-se frequentemente em momentos de grande entusiasmo, já que muitas pessoas acompanham o concurso a partir de casa e sonham viver a experiência de participar.

“O mais bonito é ver grupos de pessoas à espera de serem abordadas. Encontramos desde uma zungueira até um estudante ou um trabalhador, e muitas vezes somos surpreendidos por respostas brilhantes sobre temas completamente inesperados”, afirma, sublinhando que a espontaneidade dos concorrentes continua a ser a essência do formato.

Os prémios, que nesta temporada podem atingir os 400 mil kwanzas, são outro dos factores que alimentam o entusiasmo dos participantes. No entanto, para o apresentador, o maior impacto do programa vai muito além da recompensa financeira.

“Quando as pessoas ouvem esse valor, o entusiasmo é imediato. Isso leva-as a procurar conhecimento, a pedir ajuda durante os 30 segundos disponíveis e a envolver amigos e familiares na procura da resposta certa. Cria-se uma verdadeira corrida pelo conhecimento”, explica.

Paralelamente à apresentação do concurso, Sílvio Nascimento continua a apostar na carreira de actor e garante que o público poderá assistir a uma evolução marcante da sua personagem na novela em que participa.

O artista considera particularmente desafiante o contraste entre os dois universos profissionais. Enquanto no programa de entretenimento se apresenta tal como é na vida real, na ficção mergulha em personagens completamente diferentes da sua personalidade.

“As pessoas vêem-me como apresentador e, ao mesmo tempo, encontram um actor com outra postura, outra personalidade e outra forma de estar. Esse contraste exige muito trabalho e é uma das maiores satisfações da minha carreira”, refere.

Conseguir alternar entre a autenticidade do apresentador e a exigência da representação é, segundo admite, um exercício permanente de disciplina e preparação. Para Sílvio Nascimento, manter a identidade artística sem perder a capacidade de interpretar diferentes personagens constitui um dos maiores desafios da sua trajectória.

“É preciso saber separar quem eu sou das personagens que interpreto. O ‘M’Bora Dividir?’ tem muito da minha personalidade, mas quando entro numa personagem tenho de ser totalmente fiel à história que me foi confiada”, salienta.

O futuro passa, agora, por novos investimentos no cinema e no audiovisual angolano. O actor revela que está a desenvolver projectos de maior dimensão, com elevados padrões de qualidade e vocacionados para uma projecção internacional.

Mais do que o reconhecimento artístico, Sílvio Nascimento deseja ser recordado pelo contributo prestado ao crescimento da indústria audiovisual nacional.

“Quero deixar um legado de alguém que fez tudo o que estava ao seu alcance para desenvolver o audiovisual angolano, entregando o corpo, a alma e o coração para abrir caminhos às próximas gerações”, afirma.

A terminar, deixa uma reflexão profundamente pessoal sobre a forma como gostaria de ser lembrado.

“Se eu tivesse de partir hoje, gostaria que na minha lápide estivesse escrito: ‘Aqui jaz um patriota. Um embaixador cultural do seu país.’ Quero que os meus filhos saibam que fiz tudo para honrar Angola através do meu trabalho e contribuir para um futuro melhor para quem vier depois.”

Entre a televisão, a representação e os novos projectos cinematográficos, Sílvio Nascimento continua a consolidar um percurso marcado pela versatilidade, mas também por uma visão clara: usar o entretenimento como veículo de valorização da cultura, da educação e da identidade angolana.

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