O semba e a kizomba continuam a afirmar-se além-fronteiras, transformando-se em importantes embaixadores da cultura angolana e num crescente atractivo para o turismo cultural. Cada vez mais visitantes estrangeiros escolhem Angola não apenas para aprender os emblemáticos ritmos nacionais, mas também para descobrir a riqueza histórica, patrimonial e cultural que lhes deu origem.
Segundo o Jornal de Angola Online, um grupo de turistas oriundos de vários países visitou, na última sexta-feira, a Galeria do Semba, situada no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, no município do Rangel, em Luanda. A actividade integrou o roteiro do projecto Kudissanga, iniciativa criada em 2017 para proporcionar experiências de imersão cultural através do semba e da kizomba, promovendo uma ligação mais profunda à identidade angolana.

Durante a visita, os participantes conheceram a história destes géneros musicais, exploraram instrumentos tradicionais, fotografias, documentos e testemunhos de artistas que marcaram a evolução de um dos mais importantes patrimónios culturais de Angola. A experiência permitiu aos visitantes compreender a relevância do semba e da kizomba na construção da identidade nacional e na preservação da memória cultural do país.
Em declarações ao Jornal de Angola, o responsável pelo projecto, Carlos Kamba, explicou que o Kudissanga nasceu para responder ao crescente interesse internacional pela dança angolana, mas rapidamente evoluiu para um programa de valorização do património cultural e turístico. Residente na Finlândia, o promotor salientou que o perfil dos visitantes mudou significativamente ao longo dos anos.

“Hoje, os visitantes já não procuram apenas aprender kizomba e semba. Querem conhecer Angola na sua essência, visitar diferentes províncias, compreender a sua História, descobrir os costumes das comunidades e viver experiências autênticas”, destacou Carlos Kamba.
Os roteiros incluem passagens por províncias como Benguela, Huambo, Huíla e Cuanza-Norte, proporcionando contacto directo com tradições, gastronomia, manifestações culturais e paisagens naturais. Entre os locais de visita obrigatória figuram o Museu Nacional da Escravatura, a Galeria do Semba, o Miradouro da Lua e outros espaços históricos que ajudam a compreender o percurso cultural do país.
Actualmente, o projecto Kudissanga atrai, em média, cerca de 200 turistas estrangeiros por ano, distribuídos por viagens organizadas nos meses de Julho, Setembro e Dezembro. Para o gestor da Galeria do Semba, DJ Mania, este crescente interesse confirma que o semba e a kizomba ultrapassaram fronteiras, consolidando-se como expressões culturais universais que aproximam povos, promovem o diálogo intercultural e despertam no mundo a curiosidade pela história, pelos costumes e pela identidade de Angola.