Conciliar uma carreira sólida no setor petrolífero com a gestão de negócios no universo da beleza e a dedicação à família é um desafio que poucas mulheres assumem com tanta determinação quanto Ana Sebastião. Aos 37 anos, mãe de três filhos e com uma mente analítica construída na engenharia de petróleo na vertente de Pesquisa e Produção, a empresária transformou a sua curiosidade pela estética numa referência com os projectos Darlingshop Cabeleireiro e Darlingshop Cosméticos, para além de atingir patamares elevados de liderança na rede INUKA.
Nesta conversa conduzida pela redatora Michela Silva para a Revista Chocolate, Ana Sebastião detalha a sua trajectória académica e profissional, revela como a busca pela capacitação a tornou esteticista e especialista em biotipos de pele, e explica de que forma a fé, a resiliência e a empatia sustentam a sua liderança e os seus maiores sonhos.

Revista Chocolate RC.: Fala-nos um pouco da sua trajectória profissional: o que a levou a escolher a área de Engenharia de Petróleo, na vertente de Pesquisa e Produção?
Ana Sebastião AS.: sempre quis ser engenheira de petróleos por curiosidade, por admiração também a forma como as pessoas respeitam os engenheiros (as) são todas como pessoas inteligentes pois a minha inclinação era para biologia eu era muito boa aluna ,em biologia e direito, física … Mais eu também sou muito focada, como eu já havia decidido ser engenharia na largura o Piaget só tinha 2 opções , pesquisa e produção e refinação .Eu apontei -me pela área de produção devido às aulas práticas e no 3 ano eu decidi fazer pesquisa e produção e diria assim hoje eu faria de novo.
RC. :Como nasceu a Darlingshop Cosméticos e, posteriormente, o projecto Darlingshop Cabeleireiro? Qual foi o maior desafio no início?
AS.: primeiro nasceu a darlingshop cabeleireiro e depois darlingshopcosmeticos, a darlingshop cosméticos nasceu, pela grande vontade de colaborar e não ser apenas uma CEO mais sim colaboradora da empresa não sabendo nada de cabelo, nem de productos e as pessoas elogiavam que eu tinha productos bons e caros eu fiz formações de estética corporal, facial, e aconselhavam -me a vender productos uma vez que os que eu usava no salão apresentavam resultados, eu já estava muito envolvida adere ao projecto…e cada vez mais estou amando, as dificuldades que enfrentei foram a escolha dos profissionais, pessoas que pudessem entender que mais do que vender e ganhar um cliente , depois foi poder atender a demanda nem perder a qualidade de serviços e atendimento …
Uma vez que sempre a minha equipe frisava quando a dona Ana não está não é mesma coisa. isso me magoava sempre sonhei ter uma equipa melhor que eu.

RC.: Como maquilhadora, o que a beleza representa para si: vaidade, autoestima, identidade ou uma forma de expressão?
AS.: como maquialhadora a maquiagem representa tudo, vaidade, auto estima, identidade, forma de expressão e, sobretudo, transmite beleza, mas eu só faço maquiagem quando estou insegurança, quando vou fazer algo único, que não terá duas vezes a maquilhagem
RC.: Aos 37 anos e sendo mãe de três filhos, como consegue conciliar a maternidade, a carreira de engenheira de petróleo, o empreendedorismo e ainda a paixão pela maquilhagem?
AS.: não sou eu, é Jeová.
Família e meus queridos clientes me equilibrando, toda vez que eu estou sobrecarregada querendo relaxar ou em desfazer de algo vem meus filhos pedindo algo, vem meus clientes me exigindo mais, e aí percebi que tenho de me capacitar, o equilíbrio.
A vontade de crescer profissionalmente, e lembra-te que eu não posso estar em todos lugares de uma vez me faz procurar auxílio e profissionais para assim alavancarem o meu negócio e servirem de suporte …
E aí eu descanso para não entrar em colapso
Em suma a vontade de me superar em cada momento tem servido de inspiração para congregar as de mais responsabilidades

RC.: A engenharia de petróleo e a maquilhagem parecem mundos completamente diferentes. Como surgiu essa paixão pela beleza e como ela se transformou num negócio?
AS.: a paixão pelo mundo da beleza surgiu quando criei a empresa darlingshop cosméticos eu fui desafiada, a investigar saber mais sobre maquilhagem porque as mulheres, preferem camuflar as imperfeições do que tratar com productos de skin care, como esteticista corporal e facial eu então engrenei de cabeça na descoberta de productos específicos para cada tipologia e biotipo de pele
RC.: O que significa para si alcançar esse nível de liderança na INUKA e o que aprendeu ao liderar outras pessoas?

AS.: A Inuka para mim, foi o negócio que pedi a Deus e ele respondeu.
Eu comecei a fazer Inuka por meio de uma decepção, um negócio falhado, peguei nos trocadinhos e por meio de uma publicidade no telefone da Harley, que falava de uma amiga em comum , criei interesse e lembrei que era aniversário dela liguei-lhe e ela sem perder tempo falou-me da Inuka, achei tudo muito complexo mas confiei, e injetei meus trocados, mas ela estava muito firme, a Inuka para mim não é um negócio é um estilo de vida, é lifestyle das finanças, ela te disciplina ela te impulsiona a crescer atingir este nível na inuka em menos de 6 meses é o estou orgulhosa de mim
RC.: Ser empresária e mãe de três filhos certamente exige muitas decisões e sacrifícios. Houve algum momento em que pensou em desistir? O que a fez continuar?
AS.: A liderar, as minhas filhas inuka até estou emocionada. Ao liderar a minha geração que tem 24 filhas ,13 netos.
Liderança e a empatia se conectam porque ambas envolvem comportamento humano. Um líder precisa mostrar lealdade reconhecer conquistas, e naturalmente gera confiança e promove desenvolvimento. como líder aprende a dar prioridade a ceder, olhar para mim em último lugar e todos os meses eu auxílio, eu me promovo eu hoje digo assim não quero ficar rica sozinha (risos) se eu crescer vocês vão crescer, se eu a me tornar esmeralda precisei de 580 pontos 200 pontos distribui aos meus filhos que mais venderam e alegria deles a verem que foram reconhecidos como junior sénior pérola é de grande valia para mim … Ser lider é ser pilar
Para um pilar está firme o caboco ou alicerce conta muito, pois é assim que vejo minha liderança na inuka.
RC.: Qual foi a maior lição que a engenharia lhe ensinou e que hoje aplica na sua vida como empresária e líder?
AS.: a maior lição que aprendi na engenharia é uma equação +formula física que aprendi com 1 professor no 1 ano 2010 Cleuver Alemão dizia velocidade= resistência intensidade.

E eu dizia a vaca que ri oq queijo (risos)
Pois a minha velocidade é mantida sobre a minha resistência, e só existe resistência porque já há intensidade existe amor naquilo que faço existe verdade e acredito muito no meu potencial, e estou sempre disponível para a aprender e entrar em outros desafios
RC.: Que conselho daria a outras mulheres angolanas que têm um emprego, são mães e sonham em criar o seu próprio negócio, mas têm medo de começar?
AS.: o conselho que deixo é o seguinte
Apenas comecem
Aonde estão
Com que tem
E com o que sabem apenas comecem lá em frente saberão como se orientar, ninguém tem dúvida do que não estudou, e quem não tem dúvida nada sabe (risos)
Façam uma oração e permitem -Se
RC.: Para terminar: quando olha para a mulher que é hoje, mãe, engenheira, maquilhadora, empresária e líder, de que conquista mais se orgulha e qual é o próximo grande sonho da Ana Sebastião?
AS.: O melhor e maior sonho choros era voltar a ver a minha mãe
Quando olho para a mulher que sou hoje, mãe, empresária engenheira, maquialhadora e líder, o que mais me orgulha é ser.
A vivência de Ana Sebastião demonstra uma síntese notável entre o rigor técnico da engenharia, a sensibilidade humana e a força do empreendedorismo feminino. Através do compromisso com a capacitação contínua, da dedicação em erguer a sua equipa e de um propósito firmado na fé e nas raízes familiares, a empresária estabelece-se como uma inspiração real e acessível para todas as mulheres que aspiram a criar o seu próprio caminho e transformar vidas.