O renascer da sétima arte: FIC Luanda regressa após 11 anos e celebra o talento nacional na Cinemateca

Gracieth Issenguele
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O cinema angolano volta a viver dias de consagração e celebração colectiva. O Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda) inaugurou, na noite de quarta-feira, 28 de outubro, a sua 8.ª edição na Cinemateca Nacional, assinalando formalmente a retoma de um dos mais relevantes palcos do sector após um interregno de 11 anos. Perante uma plateia entusiasta de centenas de realizadores, actores, estudantes e amantes da sétima arte, a cerimónia de abertura reafirmou a capital como ponto de convergência criativa e circulação cultural.

A sessão inaugural ficou marcada pela exibição de “Sapeur: A grande burla”, primeira longa-metragem do cineasta angolano Dénis Miala. Ambientada no emblemático bairro Palanca, em Luanda, a tragicomédia retrata as vivências de Jacob — interpretado por David Enoque Caracol —, um mecânico e devoto adepto da cultura sapeur que se envolve numa trama arriscada para cumprir a promessa de dar uma habitação condigna ao filho. Contando com nomes como Fernando Mailoje, Valercya Nzollani e Cláudia Pucuta no elenco, a obra comoveu a plateia ao cruzar dilemas familiares, vaidade, preconceito e resiliência social.

Presente no evento, o ministro da Cultura, Filipe Zau, formalizou a abertura da mostra e enfatizou a importância estratégica deste renascimento para o ecossistema cultural do país. O governante sublinhou que a revitalização das salas de cinema, o estímulo ao investimento privado e a criação de bases jurídicas sustentáveis são determinantes para transformar a criatividade nacional numa verdadeira indústria com impacto económico, geração de emprego e difusão externa contínua.

Sob a liderança do Director-Geral Jorge Cohen, o festival assume-se como uma ponte viva entre diferentes gerações de cineastas, criando pontes de contacto directo entre os autores e o grande público. Até 2 de novembro, o FIC Luanda exibe mais de 100 produções provenientes de cerca de 20 países — incluindo mais de 40 títulos nacionais —, integrando seis mostras competitivas, oficinas de formação técnica e debates. Os visionamentos decorrem em palcos centrais como a Cinemateca Nacional, o Cine Teatro Nacional e o Cinemax Fortaleza, com o encerramento agendado para o final da tarde de segunda-feira com a consagração dos grandes vencedores.

A revitalização do panorama audiovisual e o resgate da memória colectiva nas salas da capital convergem com a dinâmica contemporânea que coloca Luanda no centro da partilha artística internacional, tal como se verificou quando Luanda coloca a arte contemporânea no centro do diálogo entre culturas, demonstrando que o pensamento crítico e a emancipação criativa continuam a ganhar espaço nas mais variadas disciplinas do país.

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