Hipertensão: “Muitos não sabem que têm. Dos que sabem, mais de metade não está bem controlada”: o alerta cardiologista Mário Fernandes

Miguel Jose
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Num momento em que a hipertensão continua a ser uma das principais causas de morte silenciosa em Angola, a comissão científica do Novo Grupo Aliva Saúde realizou, no fim-de-semana, a 1.ª Jornada de Hipertensão Arterial, sob o lema “Diagnosticar Mais, Tratar Melhor”. O encontro reuniu especialistas para debater soluções e estratégias práticas.

À margem das prelecções, aproveitamos conversar com o Dr. Mario Fernandes, cardiologista e director-geral do Hospital Geral de Viana Bispo Emílio de Carvalho, que deixou alertas sérios e conselhos valiosos.

Revista Chocolate: Doutor, qual é o cenário da hipertensão em Angola?

Dr. Mário Fernandes: Preocupante. Entre 30 a 40% da população adulta é hipertensa. E o mais grave é que muitos não sabem que têm a doença. Dos que sabem, mais de metade não está bem controlada.

RC: O que contribui para esse descontrolo?

Dr. MF: Há vários factores: má alimentação, vida sedentária, excesso de sal, “stress” …, mas também a falta de acompanhamento médico. Nas zonas mais remotas, o problema é ainda mais grave.

RC: A hipertensão tem cura?

Dr. MF: Não, mas tem controlo. É uma doença crónica e silenciosa. Requer tratamento contínuo e mudanças no estilo de vida–alimentação, exercício, controlo do peso, menos álcool, menos sal.

RC: E nas grávidas?

Dr. MF: A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de mortalidade materna. Com diagnóstico e vigilância adequados, muitas vidas podem ser salvas.

RC: Qual é o papel dos profissionais de saúde neste cenário?

Dr. MF: Fundamental. Mas ainda enfrentamos falta de formação específica em alguns níveis. Infelizmente, há profissionais que minimizam a doença ou desincentivam o tratamento. Precisamos de mais conhecimento e compromisso.

RC: Uma última mensagem?

Dr. MF: A hipertensão não dá sinais, mas pode levar à morte. Conheça os seus números, cuide de si, informe-se. Diagnosticar cedo e tratar bem é o caminho. E foi esse o grande objectivo desta jornada científica.

Texto: Suzana André

Fotos: Paixão Lemba

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