“O som é o Monumento”: Kiluanji Kia Henda transforma memória colonial em arte sonora no coração de Lisboa

Miguel Jose
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O renomado artista plástico angolano Kiluanji Kia Henda inaugurou, no sábado, em Lisboa, a exposição individual “O som é o Monumento”, uma provocadora viagem artística que resgata e reconstrói a memória do Monumento aos Mortos da Grande Guerra em Luanda — conhecido como “Maria da Fonte” e hoje situado no Largo do Kinaxixi.

Segundo o Jornal de Angola, a obra parte de imagens documentais dos soldados angolanos e cubanos envolvidos na destruição do monumento em 1976, um ano após a Independência Nacional. A partir desses fragmentos históricos, Kiluanji construiu colagens digitais de oito bandas musicais fictícias, criando cartazes gigantes que questionam os legados coloniais.

No centro da exposição, destaca-se a instalação que dá nome à mostra: um plinto geométrico transformado em caixa acústica, que em vez de erguer estátuas, emite um repertório de músicas angolanas. Estas faixas constroem contra-narrativas sonoras ao discurso imperialista, posicionando a música como ferramenta de memória, identidade e resistência cultural.

Com uma carreira que atravessa cidades como Paris, Nova Iorque e Veneza, Kiluanji é uma das maiores referências das artes plásticas angolanas. Com esta exposição em Lisboa, o artista reafirma o poder da arte como veículo de desconstrução histórica e reinvenção cultural.

Texto: Gracieth Issenguele

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