Do Cazenga à Rússia: A jornada inspiradora de Francisco Hebo – “Nunca sonhei ser campeão universitário na Rússia”

Miguel Jose
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Numa entrevista cedida à Revista Chocolate Lifestyle, o jovem judoca e estudante Francisco Hebo partilhou o percurso notável que o levou do município do Cazenga, em Luanda, até à Federação Russa, onde actualmente prossegue sua formação académica e desportiva. Foi num quintal do amigo Elizangelo Bento, onde surgiu uma pequena academia de judo, que deu os primeiros passos naquela que se tornaria a sua grande paixão e disciplina de vida.

O apelido “Bella”, dado pelo Mestre Rossanio Neto na escola de judo dos Bombeiros do Cazenga, passou a acompanhá-lo desde então. “Cazenga foi uma escola para mim. Aprendi que a vida é uma selva cheia de leões. Ou se rende, ou se luta para sobreviver”, recorda, sublinhando a influência decisiva do bairro na sua formação pessoal e profissional.

Agora residente na Rússia e estudante de Economia na Universidade da Amizade dos Povos (RUDN), Francisco divide-se entre longas horas de estudo e treinos intensos de judo. A sua dedicação já lhe valeu dois títulos universitários, um feito que o próprio classifica como inesquecível: “Foi o melhor momento como atleta de judo. Nunca sonhei ser campeão universitário na Rússia.”

Apesar dos desafios de adaptação cultural e linguística, Francisco conseguiu integrar-se e hoje é uma presença respeitada na equipa. Ainda assim, aponta diferenças significativas entre o contexto desportivo russo e o angolano, destacando a falta de estruturas e de apoio aos atletas em Angola: “Em Angola temos talento de sobra, mas falta uma base sólida e apoio estruturado que permita aos atletas evoluírem.”

Inspirado pelos oito princípios do judo — amizade, autocontrolo, coragem, cortesia, honra, modéstia, sinceridade e respeito — Francisco procura aplicar diariamente os valores da modalidade tanto no tatami como na vida. Com ambições firmes e humildade, deixa claro o seu propósito maior: “Quero que a minha vida seja exemplo para os outros. Morrerei feliz sabendo que não passei por esta terra em vão.”

Texto: Gracieth Issenguele

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