“Não é justo deixarmos apenas Luanda beneficiar deste material” – Jessé Manuel sobre a exposição fotográfica “Angola Living Experience”

Gracieth Issenguele
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Longe de ser apenas uma exposição fotográfica, Angola Living Experience propõe uma verdadeira viagem sensorial. Ambientes imersivos em 360.º, instalações sonoras e narrativas multimédia transportam o visitante para o coração de 21 províncias, revelando a diversidade de ecossistemas, paisagens e comunidades que compõem a riqueza angolana. Do deserto do Namibe às florestas do Quimba, dos rios do Moxico às praias de Benguela, das tribos Imbas às senhoras de Malanje, a Angola profunda ergue-se em cada quadro.

Para Jessé Manuel, esta exposição é antes de tudo um elogio ao povo angolano.

“Angola é muito conhecida pelas suas belas paisagens, mas tem um activo, se não o mais importante de todos, que são as pessoas”, sublinha o fotógrafo.

O uso da tecnologia foi uma escolha estratégica. Numa era dominada pela rapidez da informação, o artista defende que era “impensável” limitar-se ao formato expositivo tradicional. A multimédia amplia o alcance, democratiza o acesso e facilita o diálogo entre público, paisagem e cultura. O objetivo? Levar esta mensagem o mais longe possível — dentro e fora de Angola.

“Não é justo deixarmos apenas Luanda beneficiar deste material”, afirma Jessé, que planeia levar a mostra a outras províncias e, futuramente, ao exterior.

Mesmo reconhecido como um dos fotógrafos angolanos mais premiados, Jessé não esconde as dificuldades encontradas no terreno. Desde questões burocráticas a desafios logísticos e acessos remotos, tudo faz parte da jornada de quem retrata a Angola profunda. Ainda assim, salienta que os obstáculos nunca superam a recompensa:

“Sinto gratidão. Não digo que já cumpri a missão, mas é mais um tijolo na obra de tornar Angola conhecida pelas melhores razões.”

A mostra exalta a natureza, a cultura e, acima de tudo, a identidade angolana. Um lembrete poderoso de que o país reúne no mesmo território savanas, florestas tropicais, desertos ancestrais e praias de coqueiros — cenários que qualquer continente invejaria. Mas o maior património, reforça o artista, continua a ser o povo: pescadores, tribos, sobas, mulheres anónimas, jovens urbanos e comunidades que dão alma a cada imagem.

“Convido todos a uma imersão profunda naquilo que nos define como Angola. Cada um deve sair daqui com orgulho: eu sou de Angola.”

A exposição “Angola Living Experience” está patente no Museu da Moeda, aberta ao público todos os dias, das 08h às 17h, durante uma semana. Uma celebração da arte, da cultura e do futuro — um convite à descoberta e ao reencontro com as raízes de um país que continua a reinventar-se.

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