Almoço angolano: Quando a nostalgia sobe ao palco e une gerações

Miguel Jose
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O Hotel Diamante, em Luanda, acolheu no domingo mais uma edição do projeto “Almoço Angolano”, evento que já se tornou um verdadeiro ponto de encontro entre o passado e o presente da música nacional. Nesta quarta edição da nova temporada, os artistas Moniz de Almeida e Mito Gaspar foram os nomes que agitaram a tarde cultural, com interpretações repletas de identidade e emoção.

A festa começou ao som da Banda Harmonia 7, com o intérprete Mister Kim a revisitar o cancioneiro popular angolano. Seguiu-se o “Filho da Terra da Palanca Negra”, Mito Gaspar, com a sua sonoridade única e comprometida com a raiz cultural do país, aquecendo os presentes com temas como “Wadya wadiáku” e “Éme”. O artista não escondeu a limitação dos ensaios devido à sua ausência de Luanda, mas valorizou o reencontro com os fãs, que considera “a verdadeira consagração do artista”.

Moniz de Almeida, por sua vez, trouxe à memória coletiva temas como “Levarei a minha viola”, “É duro”, “Guilhermina” e “Amor melaço”. Apesar da notória falta de sintonia com a banda de apoio, o carinho do público fez-se ouvir em cada aplauso nostálgico.

Mito Gaspar aproveitou ainda para sugerir a expansão do “Almoço Angolano” a outras províncias, defendendo que o projeto “tem asas para voar” além de Luanda. Um apelo legítimo para descentralizar iniciativas culturais que celebram a riqueza da música angolana.

Mais do que um espetáculo, o “Almoço Angolano” revela-se um abraço entre gerações e um tributo à alma de Angola — sempre com sabor a casa.

Texto: Gracieth Issenguele

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