Numa amena conversa com a professora Maria Helena Miguel, à margem do V Fórum Internacional de Língua Portuguesa (FoLP 5), realizado em Outubro último, a linguista defendeu a cooficialização regional das línguas africanas para pque elas sejam funcionais e valorizadas.
“As línguas africanas em Angola praticamente não têm funcionalidade em termos oficiais. São relegadas a um plano muito doméstico e familiar. Isso não lhes confere valor”, referiu, em conversa com a Revista Chocolate.


Para a vice-reitora para Área Académica da Universidade Católica de Angola, integrar as línguas africanas de Angola na escola, assim, sem mais nem menos, não dá tanto valor, “porque as pessoas dizem: por que vou aprender a língua? Se no hospital, no tribunal, no banco, a qualquer instituição, só se fala português”. Observou a necessidade de se começar definir uma funcionalidade oficial dessas línguas, para que as pessoas reconheçam Angola, à semelhança de outras geografias.
“Por exemplo, o Kimbundu seria uma língua cooficial nas províncias onde é usado, Luanda, Malanje, Kwanza-Norte, etc. O Umbundu seria uma língua cooficial no Huambo, Bié, norte da Huíla, e assim por diante. Sei que isso é muito difícil, é muito caro, mas temos que começar a pensar nisso. Caso contrário, corremos o risco de perder esses idiomas”.

Papel da língua nas dipandas
“Línguas e letras das Dipandas dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP)” foi o tema discutido no V Fórum. Segundo Maria Helena Miguel, A língua portuguesa contribuiu muito para a sociedade governamental, para além da afirmação da nossa identidade, e também, cada vez mais, para a afirmação da nossa cidadania. “A língua portuguesa sempre teve um papel crucial, mesmo na época da guerrilha, porque os movimentos integravam angolanos de todo o país, que falavam várias línguas, então o uso da língua portuguesa era revelado, porque era uma língua veicular, era uma língua mais ou menos comum a todos, por um lado”, explicou. Entretanto, com a proclamação da independência, continuou, a opção da língua portuguesa como língua oficial não foi definida oficialmente,mas o facto de o discurso do presidente, a proclamação da independência, ter sido em português, a constituição ter sido escrita em português, o hino nacional em português, e isso legítimou automaticamente a língua portuguesa como língua oficial de Angola, e ela se tornou, e foi a língua da escola.
O V Fórum Internacional de Língua Portuguesa (FoLP 5) foi realizado nos dias 22 e 23 de Outubro e esteve inserido nas festividades dos 50 Anos das independências dos PALOP – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, reuniu durante dois dias académicos, investigadores e especialistas.



