Cape Town vibra ao ritmo do jazz — mas Angola permanece fora do palco

Gracieth Issenguele
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A 23.ª edição do Festival Internacional de Jazz de Cape Town realizada no último fim de semana, voltou a afirmar-se como um dos maiores encontros mundiais do género, reunindo 40 artistas de renome internacional distribuídos por cinco palcos. Mais do que um evento musical, o festival assume-se como uma poderosa montra cultural, turística e económica da África do Sul, atraindo milhares de espectadores e consolidando a sua relevância global.

De acordo com o JA Online, a iniciativa pretende não só oferecer música de excelência à cidade, mas também projectar internacionalmente o potencial do país anfitrião. Ainda assim, a ausência de artistas angolanos volta a marcar presença — ou melhor, a sua falta — num dos palcos mais prestigiados do jazz mundial. Já passaram seis anos desde a última participação de Angola no evento. Em 2019, na 20.ª edição, Ndaka Yo Wiñi apresentou um repertório influenciado pelo afro-jazz e afro-fusão, partilhando o palco com nomes como Richard Bona. Antes dele, Gabriel Tchiema (2012) e Sandra Cordeiro (2011) também representaram o país.

A edição deste ano destacou-se pela estreia do multi-instrumentista britânico Jacob Collier, vencedor de sete prémios Grammy, cuja versatilidade e inovação têm conquistado públicos em todo o mundo. O cartaz incluiu ainda a saxofonista Jasmine Myra e a lendária banda norte-americana Yellowjackets, entre outros nomes, com predominância de artistas sul-africanos.

Comparável, em termos de entusiasmo e mobilização, a uma grande competição desportiva, o festival tem vindo a crescer de forma consistente. De 14 mil espectadores na sua primeira edição, passou para cerca de 34 mil, um indicador claro do seu impacto e da eficácia do trabalho de bastidores levado a cabo pelos organizadores.

Num palco onde África se encontra com o mundo através do jazz, a ausência de Angola levanta questões sobre a internacionalização dos seus artistas e a necessidade de uma estratégia cultural mais assertiva. Num festival onde talento e diversidade se cruzam, o silêncio angolano torna-se, por si só, uma nota dissonante.

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