Fally Ipupa recebe a mais alta honra da RDC

Gracieth Issenguele
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O cantor, compositor e produtor congolês Fally Ipupa foi distinguido no último sábado, em Kinshasa, com o título de cavaleiro da Ordem Nacional do Leopardo, a mais alta condecoração honorífica da República Democrática do Congo (RDC). A distinção foi entregue pelo Presidente da República, Félix Tshisekedi, numa homenagem ao percurso artístico e ao contributo do músico para a promoção da cultura congolesa além-fronteiras.

A decisão surge após o feito histórico alcançado por Fally Ipupa nos dias 2 e 3 de maio, quando reuniu cerca de 110 mil espectadores em dois concertos realizados no Stade de France, em Paris. O artista tornou-se, assim, o primeiro músico africano francófono a actuar a solo naquele emblemático palco perante uma audiência de tal dimensão, numa celebração dos seus 20 anos de carreira.

Criada em 1966 pelo antigo Presidente Mobutu Sese Seko, a Ordem Nacional do Leopardo foi restaurada em janeiro deste ano pelo actual Chefe de Estado congolês. Ao admitir Fally Ipupa na ordem com o posto de cavaleiro, a Presidência da RDC destacou o papel determinante do artista na projecção internacional da rumba congolesa e na valorização da identidade cultural do país.

Segundo a porta-voz presidencial, Tina Salama, o músico escreveu uma nova página na história da música congolesa e africana graças à sua perseverança e à capacidade de levar a arte congolesa a alguns dos maiores palcos do mundo. O reconhecimento surge também como celebração de uma carreira marcada por recordes, influência cultural e enorme impacto junto das novas gerações.

Nas redes sociais, o artista, também conhecido como “Príncipe da Rumba”, recebeu a distinção com emoção e humildade. Recordando o seu percurso, escreveu que a caminhada desde Bandalungwa até aos grandes palcos internacionais representa não apenas uma conquista pessoal, mas também uma vitória colectiva do povo congolês. Dirigindo-se à juventude, deixou uma mensagem de inspiração: “O vosso ponto de partida não define o vosso destino. Trabalhem, acreditem e perseverem.”

Nascido a 14 de dezembro de 1977, Fally Ipupa é hoje uma das maiores referências da música africana contemporânea. Reconhecido pela sua voz de tenor e pela fusão entre rumba congolesa, soukous e ndombolo, construiu uma carreira sólida desde a sua estreia, em 1997, passando pela integração no grupo Quartier Latin International de Koffi Olomide até ao sucesso do álbum Droit Chemin, lançado em 2006, que alcançou estatuto de ouro após vender mais de 100 mil cópias em apenas um mês.

Em Angola, o artista mantém uma forte ligação com o público. A sua última passagem por Luanda aconteceu a 30 de agosto de 2025, num concerto realizado no Estádio França Ndalu, que reuniu cerca de 20 mil espectadores. Na ocasião, brindou os fãs com sucessos como Eloko Oyo, Canne à Sucre, Bloqué e Maria PM, confirmando o estatuto de um dos artistas africanos mais influentes da actualidade.

Mais do que uma condecoração, o título agora recebido simboliza o reconhecimento de uma carreira que transformou a música congolesa numa poderosa embaixadora cultural e consolidou Fally Ipupa como uma das vozes mais respeitadas do continente africano.

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