O músico e compositor angolano Filipe Mukenga reafirmou, no último domingo, em Luanda, o papel incontornável da música enquanto instrumento de patriotismo, crítica social, protesto e preservação da identidade nacional, sublinhando ainda a sua força enquanto veículo de celebração da cultura angolana.

As declarações foram prestadas ao Jornal de Angola, à margem do balanço do ano artístico e do Festival “50 Anos por todo o país – Angola celebra”, um momento simbólico que evocou a importância histórica da arte na construção da nação. Segundo o artista, a música teve um papel determinante na conquista da Independência Nacional, ao inspirar e mobilizar o povo angolano através da palavra cantada.
Veterano do music-hall nacional, Filipe Mukenga mostrou-se satisfeito por celebrar as cinco décadas de Angola independente, recordando que a luta pela liberdade foi marcada por inúmeros sacrifícios. Nesse sentido, apelou à valorização da paz, frisando que “sem tranquilidade, jamais se chega longe”, numa reflexão que cruza memória histórica e responsabilidade colectiva.
Para o músico, a música continua a ser um poderoso instrumento de consciencialização e fervor revolucionário. As melodias, defendeu, tiveram e mantêm um papel crucial na mobilização social, ajudando o povo a compreender e valorizar a paz. Ainda assim, deixou um apelo aos artistas da nova geração para acompanharem a dinâmica do tempo, sem perderem o compromisso com a História e os valores nacionais.
No que diz respeito à avaliação do seu ano artístico, Filipe Mukenga considerou-o positivo, destacando a boa produção musical e a gravação de várias canções com vista ao lançamento de uma nova obra discográfica. No entanto, o projecto acabou por ser adiado para 2026, permanecendo, para já, em carteira.
O artista revelou ainda um desabafo pessoal ao confessar que se “divorciou” temporariamente do violão, explicando que cada vez que toca nasce uma nova composição. Apesar do entusiasmo criativo, a falta de apoio financeiro tem dificultado a finalização das obras, tornando o processo cada vez mais desafiante.
Visivelmente entristecido, Mukenga partilhou o desejo de lançar uma obra discográfica por ano, algo que, infelizmente, não tem sido possível concretizar devido à escassez de apoios. Entre os projectos guardados está “Tritonalidade”, uma ambiciosa proposta que prevê o lançamento de três álbuns num só disco, actualmente suspensa à espera de apoio institucional ou privado.
Cantor e compositor, Filipe Mukenga — nome artístico de Francisco Filipe da Conceição Gumbe — nasceu em Luanda e construiu a sua carreira sob influências da música pop internacional e de nomes como Charles Aznavour, Ray Charles e os Beatles, mantendo, contudo, uma identidade profundamente ligada à alma e à história de Angola.


