O Museu Regional da Huíla concluiu com êxito o processo de catalogação, inventariação e classificação do seu acervo museológico, actualmente composto por 1.789 peças etnográficas organizadas em oito secções temáticas. A informação foi avançada pela directora da instituição, Angelina Sacalumbo, numa nota enviada à Revista Chocolate Lifestyle, sublinhando um passo decisivo na valorização e gestão científica do património cultural da região Sul de Angola.

Segundo a responsável, o trabalho incidiu tanto sobre as peças em exposição permanente como sobre o acervo existente na reserva técnica, agora estruturado de acordo com critérios museológicos rigorosos. Concluída esta fase, o museu encontra-se actualmente a desenvolver o processo de digitalização, com o objectivo de reforçar a conservação, o controlo e a gestão interna da informação patrimonial.

O acervo encontra-se distribuído pelas secções de pastorícia e caça, instrumentos musicais, poder, crença e espiritualidade, adornos, agricultura e pesca, arquitectura tradicional, cestaria, olaria e cabaças. Paralelamente, foram também organizados e inventariados os fundos fotográfico, bibliográfico e o acervo de origem portuguesa, assegurando uma abordagem integrada de todos os recursos documentais da instituição.
A digitalização iniciou em abril de 2025 e abrange as fichas de inventário e o arquivo fotográfico, permitindo a migração do suporte físico para o digital numa perspectiva de preservação a médio e longo prazo. De acordo com Angelina Sacalumbo, este processo destina-se exclusivamente ao uso interno, uma vez que “o papel degrada-se com o tempo, sendo essencial garantir maior segurança e durabilidade da informação”.
Apesar dos constrangimentos impostos pela limitação de recursos humanos — o museu conta actualmente com quatro técnicos efectivos, dois funcionários eventuais e o apoio de estagiários da área do Turismo —, a instituição continua a enriquecer o seu acervo. Em 2025, foi incorporada uma nova peça: uma trombeta tradicional recolhida durante uma investigação de campo, que se encontra em período de quarentena antes da sua integração definitiva.
No âmbito da sua programação cultural, a enxada está em destaque como “Peça do Mês” de Janeiro, na exposição permanente do museu, em alusão à actual época agrícola vivida na região Sul do país. A iniciativa integra uma tradição antiga da instituição, que visa destacar mensalmente um objecto representativo do calendário histórico, cultural ou social, permitindo ao público compreender o seu valor simbólico e funcional.
Retirada da Secção de Agricultura e Pesca, que reúne 237 objectos ligados à produção agrícola e pesqueira, a enxada seleccionada corresponde ao modelo de um único cabo, considerado o mais comum e utilizado pelas comunidades locais. A peça permanecerá em destaque até Fevereiro, sendo depois substituída por um objecto associado ao Mês do Início da Luta Armada, mantendo-se a lógica de rotatividade conforme o significado histórico e cultural.
A escolha da “Peça do Mês” coincide com as celebrações do Dia da Cultura Nacional, assinalado a 8 de Janeiro, data instituída em 1979 e inspirada no pensamento de António Agostinho Neto sobre a preservação da cultura angolana. Este ano, a efeméride é celebrada sob o lema “Cultura nacional, identidade, união e crescimento sustentável”, reforçando o papel dos museus como guardiões da memória colectiva e agentes activos no desenvolvimento cultural do país.


