Afrikkanitha, nome artístico de Eunice Quipuco Piedade José (nascida em 1974), é uma renomada cantora de jazz e artista angolana, com carreira iniciada aos 4 anos.
Reconhecida como uma voz notável do Jazz em Angola, e tem uma trajetória marcada por projetos como o grupo Vozes Negras e N’Sex Love, sendo aclamada pela sua técnica vocal e estilo único. Para o jazz, a artista funde ritmos africanos com influências internacionais, com o objectivo de internacionalizar a música angolana e valorizar o património musical nacional.

Numa entrevista cedida à Revista Chocolate Lifestyle, sobre o concerto “Romantic Jazz Songs”, que aconteceu no Dia dos Namorados, na Casa das Artes, a artista contou que a intenção foi proporcionar uma noite com música diferente da habitual. “Um momento em que, quem é conhecedor de jazz, se lembre de algum tema dos escolhidos para o repertório e viaje no tempo. Um momento em que se possa aproveitar e dedicar uma canção que soe bem ao ouvido e dedique ao companheiro. Uma noite de relaxe, de entretenimento”, explicou, sublinhando a forte carga simbólica do espectáculo.
Sobre o próximo trabalho discográfico, após um último álbum inteiramente dedicado a músicas 100% nacionais, Afrikkanitha garantiu que continua na linha do jazz e clássicos angolanos e que, quando o momento for oportuno, o público será informado.
Quanto à essência do espectáculo, destacou que foi “uma noite de jazz puro sem a habitual viagem pelo mundo da fusão ou World Music”, reforçando a autenticidade da proposta artística apresentada em palco.
A presença de Frank Yehonkhanan como convidado especial acrescentou uma dimensão de partilha e união. A artista revelou que conheceu o músico há um ano, no Lobito, durante as celebrações do Dia Internacional do jazz no Luna Ocean, a convite de Sandro Barbosa, proprietário do espaço, onde foi cabeça de cartaz e apreciou o trabalho do colega. “Convidá-lo foi também para mais uma vez lembrarmos à classe artística que a importância da colaboração e união entre colegas fortalece-nos”, frisou.
Num mercado musical cada vez mais dominado por sonoridades comerciais, Afrikkanitha considera que “a música comercial é infelizmente a que mais apoios tem e de maior consumo, até a de péssima qualidade”. Ainda assim, defende que o jazz não concorre com ninguém: “É uma música que chega, ocupa o seu espaço e segue fazendo.” Sobre o retorno do público, foi categórica: “O meu público é o meu melhor amigo, é fiel e sustenta o meu trabalho. Estou grata a eles e aos patrocinadores que são quase sempre amantes de jazz.”



