Fundado a 11 de novembro de 2007, no município do Cazenga, o grupo Ballet de Dança Os Negros celebra 18 anos de dedicação à preservação e difusão da cultura africana, com destaque para os ritmos e danças tradicionais angolanas. Ao longo dos anos, o grupo tem levado a energia das danças nacionais a palcos de todo o mundo, promovendo formações e espetáculos que unem tradição, modernidade e inclusão.
Composto por mais de 20 jovens, entre os 22 e 34 anos, o grupo consolidou a sua reputação ao lado de nomes consagrados, como Yuri da Cunha, acompanhando-o em várias actuações dentro e fora do país. Esta semana, “Os Negros” viajam para os Estados Unidos da América, onde participarão num espetáculo comemorativo dos 50 anos da Independência Nacional, promovido pela Embaixada de Angola.

O fundador e coreógrafo João Xavier recorda as origens do grupo, nascidas de uma simples apresentação num casamento, em 2005. Apesar das dificuldades iniciais, a persistência venceu: “Para mim, a dança representa tudo, porque vivo exclusivamente desta arte. Através dela resgatamos valores da nossa riqueza cultural”, afirmou o coreógrafo, que destaca a tchianda, dança tradicional das Lundas, como uma das principais expressões do grupo.
O repertório do Ballet “Os Negros” inclui danças de mais de oito países africanos, como Moçambique, Ghana e África do Sul, numa fusão que culmina na icónica coreografia “Mãe África”. Internacionalmente, o grupo integra o Núcleo de Intercâmbio de Dança Angola–Brasil e já colaborou com artistas e companhias de renome, como o coreógrafo Dino Paulo, do Brasil, e bailarinos americanos e europeus.
Recentemente, o grupo recebeu bailarinos russos interessados em aprender a dança tchianda, património imaterial nacional. A bailarina Nadin Kuzmina, líder da comitiva e promotora do festival KizzAfro na Rússia, destacou a hospitalidade angolana: “Sentimo-nos seguras aqui. Os angolanos são acolhedores e têm uma história e cultura riquíssimas. É inspirador aprender no berço destas danças.”
Com quase duas décadas de existência, “Os Negros” mantêm viva a missão de proteger, ensinar e divulgar a identidade cultural angolana. A cada passo e movimento, o grupo reafirma que a dança é mais do que arte — é memória, resistência e expressão da alma africana.




