A conceituada DJ e produtora musical Yen Sung esteve de volta a Angola para mais uma actuação especial, desta vez no evento AMA, que aconteceu neste sábado, dia 20. Em entrevista exclusiva à Chocolate, a artista abriu o coração e falou sobre a sua relação com o país, a sua carreira de mais de três décadas e os projectos que pretende desenvolver em solo angolano.
Embora muitos pensem que esta seja uma estreia, Yen Sung revelou que a sua história com Angola começou há vários anos. “Venho a Angola desde 2012. Durante muito tempo fui convidada para tocar nas festas de aniversário de uma promotora local. Já estive cá várias vezes e é sempre um prazer regressar”, contou.

Nascida na cidade da Beira, em Moçambique, e criada em Portugal desde muito jovem, a DJ considera que a sua identidade artística é resultado da mistura de diferentes influências culturais. “A cultura africana trouxe-me o ritmo, as batidas fortes e o sentido tribal da música. Já Portugal deu-me contacto com uma música mais melancólica e saudosista. Tudo isso faz parte da minha construção artística”, explicou.
Filha de um apaixonado por música, cresceu rodeada por sonoridades soul, brasileiras e norte-americanas, elementos que continuam presentes na sua forma de selecionar e interpretar música. Para Yen Sung, a música vai muito além do entretenimento. “Quando estou a tocar, sinto que estou a cuidar das pessoas. É quase uma forma de musicoterapia. Quero que as pessoas cheguem à pista carregadas e saiam mais leves”, afirmou.

Ao recordar os momentos mais marcantes da carreira, destacou o convite para ser DJ residente num clube em Berlim, em 1993, apenas alguns anos depois de iniciar a sua trajectória profissional. “Foi nesse momento que percebi que era realmente DJ. Berlim estava a viver uma fase única da sua história e aquela experiência marcou-me profundamente.”
Apesar de uma carreira consolidada, a artista garante que continua a levar uma vida simples e discreta. “Gosto de ser reconhecida pelo meu trabalho, mas também gosto de passar despercebida. Esse equilíbrio faz-me sentir confortável”, disse.

Longe das cabines, o silêncio é o seu maior refúgio. Ao contrário do que muitos imaginam, Yen Sung revelou que não costuma ouvir música nos momentos de lazer. “Passo tantas horas a ouvir e pesquisar música para trabalhar que, quando estou em casa, o que mais gosto é do silêncio. Também adoro cozinhar e cuidar da alimentação.”
Durante a conversa, falou ainda sobre os desafios de conciliar a maternidade com uma carreira internacional. Mãe de uma adolescente, admitiu que, durante muitos anos, recusou trabalhos para poder estar mais presente na vida da filha.
Quanto ao futuro, a DJ revelou estar envolvida em novos projectos, incluindo iniciativas que contam com o apoio do Espaço Luanda. Demonstrou também interesse em fortalecer ligações com talentos locais.
Questionada sobre o papel das mulheres na indústria da música eletrónica, deixou uma mensagem inspiradora para as jovens que desejam seguir a profissão. “Sejam profissionais, consistentes e tenham identidade própria. Não basta a imagem ou os contactos. O importante é que as pessoas reconheçam quem vocês são através da música que tocam.”
Com uma carreira marcada pela autenticidade, paixão pela música e forte ligação às suas raízes africanas.
