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Nayma Izata e Mariângela falaram da sua parceria e da amizade que as une

Entrevista disponível na edição de Março

Admiração e respeito mútuos. Éisto que se percebe logo que se fala com ambas. É quase palpável e acima detudo, louvável, num mundo onde cada vez mais reina o ‘’cada um por si’’, oegoísmo e a falta de companheirismo.

Nayma Izata e Mariângela Almeidamostram-nos que é possível ter beleza, talento e sucesso e mais: que é possívelpartilhar esse sucesso sem comprometê-lo.

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Sorrisos rasgados e visuaisfrescos e in, que condiziam com onosso ambiente: uma loja de roupa! Foi no atelier Pretah que nos receberam e foi lá também que lançaram a colecção‘’Holographic Dreams’’, by FNXNZ (Fiu Negro e Nayma Izata).

Nayma Izata e Mariângela falaram da sua parceria e da amizade que as une

Mais do que parceria, amizade

Mariângela Almeida e Nayma Izatacontam-nos que a sua amizade começou quando ambas trabalhavam na Casa Paris,trabalho esse que permitiu a cada uma reconhecer e apreciar as qualidades daoutra. Segundo M.A, da Nayma destacam-se a ‘’ética, profissionalismo;determinação e vontade de criar e crescer’’, enquanto que Nayma elogia a‘’inovação; a persistência e a ética de trabalho’’ da amiga, o que fez com queo convite para esta colaboração surgisse como algo ‘’lógico e certo eautomático’’ por parte de Mariângela e fez também com que Nayma aceitasse ‘’sempensar duas vezes’’.

E assim surgiu a colecção‘’Holographic dreams’’ by FNXNZ, um nome mais do que pertinente para umacolecção de chinelas (as preferidas de Mariângela) e sapatos de salto alto (ospreferidos de Nayma), dominada pelo PVC holográfico e que é de facto, um sonho!

‘’Se eu subir, tenho de levar alguém comigo’’

É essa a filosofia profissionalde Mariângela! Mas será que essa filosofia e a amizade a entre ambas sãorepresentativas da realidade comum da Moda em Angola (e não só)? Quase queautomaticamente e com uma troca de olhares que se pode traduzir como ‘’Sabes? –Sei!’’, as meninas confirmam que têm noção de que são uma excepção à regra, quea realidade é mais competitiva, egoísta e pouco unida,  sendo que Nayma já viveu e vive isso‘’principalmente quando participo dos eventos de moda, no backstage, évisível.. há designers que passam e nem sequer olham para as tuas coisas’’. E écom alguma tristeza e desilusão que Mariângela confessa que ‘’sempre achei quefosse uma coisa que se passasse lá fora, (…) aqui como somos todos manos e primos, sempre achei que seria diferente, mas não, é exatamente amesma coisa’’

Então o que é que é preciso parase sobreviver enquanto designer num mundo que consegue ser tão hostil? SegundoMariângela, há que se ‘’amar arte e tudo o que vem com a mesma’’ e Naymaacredita que tem de se ‘’ser apaixonada(o) pelo o que se faz. Ser paciente,focada(o) e conseguir manter a sua essência ao longo dos anos e das mudançasneste mundo’’.

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Mariângela

‘’Não é só fazer e já está’’

Sim, trabalham numa área cheia debeleza e glamour, mas até fazerem de si um consumidor feliz, há muitasdificuldades, obstáculos, provações, pelos quais os designers passam antes edepois do produto chegar ao mercado.

Antes de tudo, há uma primeiraprovação, comum a qualquer artista: o bloqueio criativo. É um problema familiara ambas, mas (sorte a nossa) para o qual cada uma conseguiu arranjar um modo desuperar. Nayma recorre ‘’à Mariângela e à minha prima, que também cria’’ eMariângela ‘’dou um passo atrás para dar três para a frente, repito o que jáfiz e mais tarde revejo’’.

Seguidamente, a mais gritante detodas as barreiras: a barreira financeira, e Nayma fala por ambas quandopartilha que ‘’infelizmente a nossa produção não é local, há dificuldade deacesso às divisas, por vezes temos de recorrer ao mercado informal (…) é todoum processo para chegar até aqui, há pagamentos para fazer; as taxas aduaneirassão elevadas…não é só fazer e já está’’.

Além disso, também existe agestão humana, desde modelos que podem requerer mais ‘’atenção’’, seja por‘’pedir coisas óbvias como que tenham os pés arranjados, ou que não andem comos sapatos aqui e ali’’, (desabafa Nayma) até às próprias clientes que, nãoobstante ambas reconhecerem que o ‘’cliente tem sempre razão’’ e de teremperfeita noção da importância fulcral do mesmo, também admitem que por vezes édesafiante porque, diz Mariângela, ‘’lidar com o público é muito difícil, pormais que oiças o que não queres ouvir (porque as pessoas não têm filtro e dizema primeira coisa que lhes vem à cabeça) tu tens de sorrir porque o cliente temsempre razão’’, ao que Nayma acrescenta que ‘’recebemos tudo com um sorriso porque o nosso ganha pão vem deles, mashá muitos que não entendem…’’.

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Nayma Izata

As estilistas e o estilo

Para ambas, estar bem vestido éestar confortável e como tal, as chinelas são uma constante nos seus armários.Mariângela, mais minimalista, não dispensa uma camisa branca oversized e Nayma sente o mesmo emrelação às leggings pretas.

O seu estilo pessoal também tempeso nas peças que criam, principalmente nas peças da Fiu Negro, sobre a qualMariângela conta que ‘’criei a Fiu Negru em torno do que gostaria de ver aminha volta. Menos costuras, linhas rectas, minimalismo. Uma das minhas máximasserá sempre menos é mais!’’. Por outro lado, apesar de Nayma criar muito combase no seu próprio estilo, ‘’em 30% das criações arrisco e tento criar o quegostaria de usar mas que talvez ainda não tive coragem de o fazer. E funciona.Por norma os modelos que crio mais “Edgy” ou os menos clássicos são os hits dacolecção’’.

Preocupam-se com o visual,principalmente devido à pressão externa, pois para o público, por fazerem moda,não podem ‘’estar mal’’ e tanto Nayma quanto Mariângela já viveram experiênciasem que foi clara a ‘’desilusão’’ quando viram ‘’o rosto’’ da marca, tendo entãodecidido fazer um esforço maior para estarem sempre ‘’apresentáveis’’.

De África para o mundo: Inspirações e pretensões

O que é que inspira estastalentosas jovens? De onde bebem para criar as belas peças com que nospresenteiam? ‘’Eu sempre fui muito de seguir tendências. Ter sempre as últimasedições de revistas, programas de moda e dormir com o televisor no Fashion Tv. Então acho que criei a minhamarca e desenvolvo o meu trabalho por aí, ver o que está out there e com isso trabalhar nas minhas próprias criações,funciona muito bem para mim como criadora, e para o meu público que na suamaioria ainda é angolano’’, partilha Nayma. Quanto a Mariângela, diz que‘’sempre fui aluna de artes. Com isso desenvolvi a capacidade de me inspirarapenas olhando para um objecto, pessoa, ou mesmo situação. O meu processocriativo depende muito do que estou a viver no momento, de como espero que opróximo se sinta quando vestir alguma criação minha. É definitivamente a minhaparte favorita!’’

Nayma Izata e Mariângela falaram da sua parceria e da amizade que as une

Em comum têm o facto de nenhumase inspirar no que toca à moda masculina e preferirem jogar pelo seguro,aperfeiçoando aquilo que já conhecem e sabem fazer, em vez de se aventurarempor águas não antes navegadas.

E sonhos? Sendo que já têm umnome no mercado, um público fiel e muito reconhecimento, o que mais se podequerer? Dir-se-ia que já atingiram o sucesso, não?

Não é bem assim, até porqueMariângela não acredita ‘’(…) que tenha atingido ainda o sucesso, mas creioque estou a caminho. Sucesso para mim é ver todas as pessoas do mundo vestirema minha marca, não só Angolanos. O meu compromisso é mostrar o que temos demelhor, e também, com a ajuda de outros designers, por Angola no mundo!’’.

Nayma sente também que aindafalta algo pois o ‘’sucesso para mim é chegar aonde eu imagino e oro a Deuspara chegar. Já estive distante dele, mas sem sombra de dúvida estou mais pertoque nunca.’’, até porque ela sabe exatamente o que tem em mente: ‘’tenho umavisão: uma cidade metropolitana com um escritório no alto, vidros transparentescom uma mega vista’’, partilha entre muitos risos mas com bastante segurança.

‘’Descansa quando chegares ao topo’

Para os demais, que também sonhame querem mais, elas deixam conselhos de trabalho árduo e foco.

E a estes conselhos nós acrescentamos que sigam o belo exemplo destas duas designers, exemplo de união, amizade de partilha e de entreajuda que, como podemos ver, só soma e multiplica o que já se tem, nunca subtrai!

Entrevista disponível na edição de Março

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