Dentistas podem ajudar a detetar diabete, revela estudo

Suzana André
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Uma ida ao dentista pode trazer mais do que uma simples limpeza ou tratamento de cáries: poderá ser uma oportunidade para detetar a diabete.  Segundo um estudo que será publicado na edição de abril do Journal of Dentistry, consultas odontológicas podem permitir identificar pessoas em risco da doença por meio de um simples exame de hemoglobina.

A investigação envolveu 900 pacientes. Durante a consulta, foi realizada a medição da hemoglobina A1C, um marcador que indica os níveis de açúcar no sangue. Cerca de  29% dos participantes apresentaram valores compatíveis com pré-diabete e 7% tinham níveis elevados, nunca detetados.

“Os resultados sugerem que as consultas no dentista podem oferecer uma oportunidade valiosa para identificar pessoas com risco de diabete, particularmente pacientes idosos, aqueles com IMC elevado e pessoas com doença gengival”, afirmou Giuseppe Mainas, um dos autores do estudo.

O estudo sublinha que, quando os níveis de hemoglobina A1C estão elevados, os pacientes devem consultar o seu médico para uma análise mais aprofundada. “Isso é algo que talvez não tivessem feito sem o exame odontológico. A maioria dos pacientes ficou surpreendida ao descobrir que tinha níveis elevados e desconhecia que poderia ter pré-diabete ou diabete”, revelou Mark Ide, outro autor da investigação.

A pesquisa também encontrou uma correlação entre doença gengival grave e níveis elevados de açúcar no sangue, indicando que inflamação oral pode influenciar o metabolismo e vice-versa.

A diabete é uma preocupação crescente de saúde pública. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2010 cerca de 34,9% da população portuguesa entre os 20 e 79 anos apresentava diabete ou pré-diabete, com 43,6% dos casos ainda não diagnosticados.

Existem três tipos principais de diabete:

Tipo 1: doença autoimune, em que o corpo deixa de produzir insulina (cerca de 5% dos casos).

Tipo 2: mais comum, quando o corpo não utiliza a insulina adequadamente e não mantém os níveis de açúcar estáveis. Diabete gestacional: ocorre durante a gravidez, geralmente desaparecendo após o parto, mas aumenta o risco de desenvolver diabete tipo 2 mais tarde.

Todos os tipos podem ser detetados com exames de sangue, que medem a glicose na corrente sanguínea, ajudando a prevenir complicações graves da doença.

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