Doenças reumáticas também afectam a vida íntima: Um tema que ainda é pouco falado

Michela Silva
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As doenças reumáticas são frequentemente associadas à dor, fadiga e limitações físicas. No entanto, especialistas alertam que os impactos dessas condições vão muito além dos sintomas visíveis e podem afectar profundamente a sexualidade, a autoestima e os relacionamentos afectivos dos pacientes.

Apesar de influenciar directamente a qualidade de vida, a saúde sexual continua a ser um dos temas menos discutidos durante as consultas médicas. Para muitos pacientes, o desconforto em abordar o assunto e a falta de iniciativa por parte dos profissionais de saúde acabam por manter uma realidade silenciosa, mas bastante comum.

A médica reumatologista e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Licia Mota, destaca que a sexualidade deve ser encarada como uma componente fundamental do bem-estar físico e emocional. Segundo a especialista, estudos apontam que as disfunções sexuais podem atingir até 70% das mulheres e 50% dos homens que convivem com doenças reumáticas.

As dores articulares, a rigidez muscular, o cansaço constante e até os efeitos secundários de alguns tratamentos podem interferir no desejo sexual e na intimidade do casal. Além disso, as alterações na imagem corporal e a diminuição da autoestima contribuem para o afastamento afectivo e emocional.

Especialistas defendem que a abordagem integral do paciente deve incluir conversas abertas sobre sexualidade, relacionamentos e saúde emocional. Ao reconhecer essas questões como parte do tratamento, é possível oferecer um acompanhamento mais humano e eficaz, ajudando os pacientes a recuperar não apenas a sua mobilidade, mas também a confiança e a qualidade das suas relações.

Num contexto em que a saúde é cada vez mais entendida de forma abrangente, falar sobre sexualidade deixa de ser um tabu e passa a ser uma necessidade. Afinal, cuidar da saúde também significa cuidar da forma como as pessoas vivem, sentem e se relacionam.

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