A ausência de intimidade na vida de um casal pode ir além do impacto emocional e refletir diretamente nos hábitos alimentares. Segundo pesquisas conduzidas por cientistas da University of California, San Francisco, nos Estados Unidos, e publicadas na revista científica Psychoneuroendocrinology, alterações hormonais ligadas ao estresse e ao vínculo afectivo podem influenciar o comportamento alimentar.

Durante o sexo, o organismo libera substâncias como dopamina, endorfinas e oxitocina, hormônios associados ao prazer, à conexão emocional e à redução do estresse. Quando esses estímulos diminuem, o cérebro tende a procurar outras fontes rápidas de recompensa. E a comida, especialmente alimentos ricos em açúcar e gordura, costuma ser a alternativa mais acessível.
Um dos estudos de referência é o de Adam e Epel (2007), realizado também na University of California, San Francisco, que demonstrou que níveis elevados de cortisol, o hormônio do estresse aumentam a preferência por alimentos altamente calóricos. Já a pesquisa de Love et al. (2015) reforça que a oxitocina desempenha papel importante na regulação do apetite e no comportamento alimentar.
O que a ciência indica:
• Menos intimidade pode levar a maior activação do sistema de recompensa por alimentos hiperpalatáveis
• Redução de oxitocina está associada ao aumento da ansiedade e à busca por conforto alimentar
• Cortisol elevado favorece o desejo por açúcar e gordura
Além de promover conexão emocional, o sexo actua como regulador natural do estresse e, temporariamente, pode reduzir impulsos ligados à compulsão alimentar. Sem essa via de prazer, o cérebro procura um “atalho” e a comida pode ocupar esse espaço.
Especialistas destacam que a relação não é apenas comportamental, mas neurobiológica. Não se trata apenas de calorias, mas de mecanismos ligados ao prazer, à regulação emocional e ao equilíbrio hormonal.
E você, já percebeu mudanças na sua alimentação quando a sua vida íntima está em baixa?


