As crenças que moldam o cérebro: a ciência por trás da rigidez ideológica

Suzana André
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As crenças não vivem apenas no campo das ideias, elas também podem deixar marcas físicas no cérebro. Esta é a principal conclusão da neurocientista britânica Leor Zmigrod, autora do livro O Cérebro Ideológico, em que explora a ligação entre a biologia cerebral e as ideologias políticas.

Após anos de investigação na Universidade de Cambridge, Zmigrod constatou que pessoas com maior rigidez cognitiva, isto é, com mais dificuldade em mudar de opinião perante novas evidências, tendem igualmente a ser mais rígidas do ponto de vista ideológico. Essas conclusões resultam de testes neuropsicológicos que medem reações inconscientes, indo além da simples autoavaliação.

Os estudos revelam ainda que essa rigidez não pertence a um único espectro político. Pelo contrário, manifesta-se tanto na extrema-direita quanto na extrema-esquerda, desenhando uma espécie de “curva em U”: quanto mais rígido o pensamento, maior a tendência para posições ideológicas extremadas.

A investigação avançou ao identificar diferenças na própria estrutura cerebral entre pessoas com convicções ideológicas distintas, bem como alterações biológicas durante processos de radicalização. Para a cientista, essas descobertas são simultaneamente fascinantes e preocupantes.

Segundo Zmigrod, o mais surpreendente é que não é tanto no que se acredita que está a diferença, mas na forma como se acredita. A intensidade, a inflexibilidade e a resistência à mudança parecem ser os fatores decisivos.

Essas conclusões desafiam ideias antigas que associavam a rigidez apenas a ideologias conservadoras e lançam um alerta claro: as crenças que escolhemos podem, literalmente, transformar o nosso cérebro.

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