Chef Lisboa: “O meu maior sonho é conquistar uma Estrela Michelin e levar a Palavra de Deus através da cozinha”

Michela Silva
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A gastronomia angolana vive um momento de afirmação e renovação, impulsionada por profissionais que fazem da cozinha uma verdadeira missão. Entre eles destaca-se o Chef Lisboa, um nome que tem vindo a conquistar reconhecimento pelo seu talento, criatividade e dedicação à valorização dos produtos locais.

Nesta entrevista exclusiva à Revista Chocolate, o chef abre o coração e fala sobre o início da sua paixão pela culinária, os desafios da profissão, os sonhos que ainda pretende alcançar e a visão que tem para o futuro da gastronomia em Angola.

A paixão pela cozinha nasceu ainda na infância, inspirada pela mãe, Zélia Eduardo, que fazia questão de ensinar os filhos a cozinhar. Foi nesse ambiente familiar que surgiu o amor pela arte de transformar ingredientes em experiências gastronómicas.

O reconhecimento profissional começou a ganhar força quando assumiu o projecto House Kuendar, uma experiência que considera decisiva na sua carreira e que lhe valeu o reconhecimento do público e dos colegas da profissão.

Como muitos chefs, o percurso não foi isento de dificuldades. Um dos maiores desafios surgiu logo no início da carreira, quando foi promovido a chefe de partida e teve de liderar profissionais mais experientes, enfrentando resistências até conquistar o respeito da equipa.

Ao longo dos anos criou vários pratos marcantes, mas existe um que ocupa um lugar especial na sua história: a Ndioca Crocante, uma criação que considera um dos maiores símbolos da sua evolução enquanto cozinheiro.

Mais do que uma profissão, a cozinha moldou também a sua forma de estar na vida. Segundo o chef, cozinhar ensinou-lhe a tratar melhor as pessoas, a praticar o amor ao próximo e a compreender que servir vai muito além de preparar uma refeição.

Conciliar uma profissão exigente com a vida familiar continua a ser um desafio. O chef admite que a cozinha exige uma dedicação permanente e que os períodos de férias são fundamentais para recuperar o tempo com a família.

Entre as figuras que mais marcaram a sua caminhada estão a sua mãe, Zélia Eduardo, e chefs como Domingos Eduardo, Maik, Celestino e Octávio Neto, profissionais que contribuíram para a sua formação técnica e humana.

A identidade gastronómica do Chef Lisboa assenta na valorização dos produtos locais e na recriação da cozinha tradicional angolana através de técnicas contemporâneas, preservando os sabores de origem enquanto lhes confere uma apresentação sofisticada.

O futuro também já está desenhado. Nos seus planos está a abertura do próprio restaurante e de uma academia de formação, um projecto que acredita ser diferenciador em Angola e capaz de formar uma nova geração de cozinheiros.

Sobre a evolução da gastronomia nacional, considera que Angola está a crescer a um bom ritmo, mas defende que os profissionais devem trabalhar de forma mais unida para fortalecer ainda mais o setor e elevar a cozinha angolana a novos patamares.

Entre as suas maiores referências estão os chefs Mohammed Indi, Domingos Eduardo e Octávio Neto, profissionais cuja dedicação continua a inspirar o seu percurso.

Apesar das conquistas alcançadas, o grande sonho permanece claro: conquistar uma Estrela Michelin, um objectivo que representa o reconhecimento máximo da excelência gastronómica.

Aos jovens que desejam seguir a profissão, deixa uma mensagem de humildade e perseverança: antes de querer ser chef, é fundamental tornar-se um excelente cozinheiro, respeitando todas as etapas de aprendizagem e crescimento.

Quando pensa no futuro, deseja ser recordado como o cozinheiro que levou a Palavra de Deus para dentro da profissão, colocando sempre a fé em primeiro lugar e contribuindo para a formação de novos talentos.

O que o faz regressar diariamente à cozinha é simples, mas profundamente significativo: o som de um refogado, o cuidado colocado em cada preparação e a certeza de que cozinhar é uma forma de cuidar e transformar vidas.

Por detrás da farda, revela existir um homem reservado, tranquilo e consciente dos desafios do mundo, mas movido pela paixão, pela fé e pelo compromisso de fazer da gastronomia uma ferramenta de inspiração.

Com humildade, talento e uma visão clara do futuro, o Chef Lisboa continua a construir uma carreira que pretende deixar marca não apenas na gastronomia angolana, mas também na história da cozinha africana.

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