Clássicos do cancioneiro angolano ganham nova vida em arranjos sinfónicos

Gracieth Issenguele
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Temas emblemáticos do cancioneiro angolano, como “Milhorró”, dos Kiezos, e “Namulelenu”, dos Moyowenos, ganharam recentemente novos arranjos assinados pelo maestro e etnomusicólogo espanhol David López, interpretados pela Orquestra Clássica Yetu. A iniciativa reforça o diálogo entre a música tradicional angolana e o universo da orquestra clássica, valorizando a identidade cultural do país.

Segundo o Jornal de Angola, o trabalho apresentado resulta de uma investigação aprofundada em torno da música angolana, com especial destaque para os ritmos do Leste. Essa pesquisa tem sido materializada, entre outras ações, na digitalização do fundo fonográfico do Museu Regional do Dundo e na criação de escolas de construção de instrumentos musicais na província da Lunda-Norte.

Durante duas semanas, David López colaborou de forma intensiva com a Orquestra Yetu, culminando num concerto apresentado recentemente no Instituto Guimarães Rosa, com o apoio da Embaixada do Reino de Espanha. O espetáculo revelou arranjos baseados em três músicas Chokwé, bem como noutros ritmos angolanos, reinterpretados para o formato sinfónico.

A Orquestra Clássica Yetu integra a Escola de Música de Luanda Rubianos Clube e acolhe jovens músicos com idades entre os 5 e os 17 anos, afirmando-se como um espaço de formação artística e de contacto direto com o património musical nacional e internacional.

Em declarações ao Jornal de Angola, o compositor espanhol fez um balanço positivo da colaboração e manifestou o desejo de dar continuidade às pesquisas e aos arranjos dedicados à música angolana. Prova desse envolvimento é o doutoramento que atualmente conclui sobre o kissanji do Nordeste de Angola, na Universidade Complutense de Madrid.

Presente no país desde 2018, David López tem desenvolvido diversos projetos ligados aos arranjos orquestrais, ao ensino da teoria musical e da composição. Foi ainda o criador e coordenador do projeto Thambwé, responsável pela digitalização do acervo sonoro do Museu Regional do Dundo.

Formado em Pedagogia Musical, Musicologia e Composição, áreas que estudou em Granada, onde conquistou em 2017 o primeiro prémio de composição, David López Sáez continua a apostar na transcrição de músicas angolanas para orquestra clássica, com o objectivo de contribuir para o desenvolvimento musical do país, promovendo a valorização da cultura e da identidade nacionais.

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