A iniciativa Move+, ligada a Move Conferência Internacional de Liderança, levou esta sexta-feira, 13, ao palco da Casa das Artes, em Talatona, a estilista e empresária angolana Rose Palhares , numa sessão marcada por inspiração, reflexão e partilha de experiências com jovens sob o tema “Escolhe e Floresce”.
O encontro simbolizou também uma nova abordagem da iniciativa, agora mais focada no diálogo intergeracional, na descoberta de propósitos e na preparação das novas gerações para os desafios pessoais e profissionais do século XXI. Perante uma sala cheia, a convidada partilhou a sua trajectória e incentivou os jovens a acreditarem no poder das escolhas conscientes e da autenticidade.

Em entrevista concedida à Revista Chocolate Lifestyle, Rose Palhares explicou que a moda, para além de uma expressão estética, pode ser uma poderosa ferramenta de transformação social e cultural. Para a estilista, a moda africana desempenha um papel fundamental na reconstrução da identidade e na valorização da autoestima, sobretudo entre as jovens angolanas.
“Eu acredito que a moda africana — e internacional, mas vamos falar da nossa — tem um impacto maior ao resgatar a nossa identidade, a nossa essência e o nosso sentido de pertença”, afirmou. Segundo a empresária, num mundo marcado por informação constante e mudanças rápidas, é essencial que os africanos reconheçam o seu lugar e a riqueza da sua própria cultura.

Para Rose Palhares, a moda representa muito mais do que tendências: é um meio de recuperar valores, fortalecer a essência cultural e estimular a confiança individual. “No fundo, para mim, a moda é resgatar valores, é resgatar essência e, principalmente, autoestima”, sublinhou.
Ao abordar as decisões mais desafiadoras da sua carreira, a estilista destacou a importância de ouvir a própria voz interior e manter-se fiel ao propósito, mesmo quando o caminho parece solitário. “Quando tens um propósito que vai impactar tanta gente, o caminho normalmente não é fácil. O mais desafiante é continuar a acreditar, mesmo quando muitas pessoas dizem para seguir outra direcção”, revelou.

Segundo Rose Palhares, permanecer fiel às próprias convicções exige coragem e resiliência. Para a empresária, o mundo está repleto de pessoas que duvidam do potencial alheio, razão pela qual cada indivíduo deve lutar pelo que acredita. “No final, é sobre nós e sobre a nossa caminhada”, concluiu.
Também em conversa com a revista, o fundador da Move+ e da Move – Conferência Internacional de Liderança, Dárdano Santos, explicou que a iniciativa nasceu como um projecto de responsabilidade educacional e, ao longo de 11 anos, tem procurado fortalecer a formação humana e académica da juventude angolana.

Inicialmente realizada apenas no período da conferência anual, a Move+ passou, desde o ano passado, a promover encontros mensais na Casa das Artes, graças ao apoio e patrocínio da Unitel. As sessões contam com a participação voluntária de oradores convidados e têm entrada gratuita, reforçando o compromisso com o acesso ao conhecimento e à inspiração.
Segundo Dárdano Santos, a iniciativa procura plantar sementes no coração dos jovens, acreditando que cada experiência partilhada pode gerar impacto duradouro. “Há sementes que florescem no escuro. Tudo aquilo que cai dentro de nós, mais cedo ou mais tarde, vai dar fruto”, afirmou.

O fundador explicou ainda que o impacto do projecto tem sido medido através do crescimento da participação, das oportunidades profissionais que surgem para alguns participantes e do compromisso renovado dos jovens com a educação e com os seus próprios sonhos.
Para o responsável, compreender que liderança não se resume a cargos ou posições é um dos ensinamentos mais importantes transmitidos nas sessões. “Liderança não é acerca de um cargo. É acerca de quem eu sou. Quando eu sei quem sou, posso liderar em qualquer área da vida”, destacou.

Durante a sua intervenção, Dárdano Santos recorreu também à história da Rainha Nzinga do Reino da Matamba para ilustrar a importância da dignidade e da consciência de valor próprio. Ao recordar o episódio histórico em que a soberana recusou ser humilhada durante uma negociação com representantes portugueses, o fundador reforçou a mensagem de que quem carrega um sonho não deve aceitar posições que diminuam a sua identidade.
“Quem nasceu para reinar não pode sentar-se como um escravo”, afirmou, deixando aos jovens a lição de que sonhos exigem coragem, resiliência e consciência do próprio valor.

No final, a mensagem central da sessão foi clara: sonhos exigem trabalho, disciplina e perseverança. Para os organizadores, iniciativas como a Move+ pretendem precisamente fortalecer estas qualidades na juventude angolana, criando um espaço onde talentos, ideias e propósitos possam florescer.
Mais do que uma palestra, o encontro afirmou-se como um verdadeiro laboratório de liderança e esperança, onde cada jovem foi desafiado a acreditar que, mesmo nos momentos de escuridão, as sementes dos sonhos podem — e vão — florescer.




