FESC-Kianda homenageia Óscar Gil e celebra a memória do cinema angolano

Gracieth Issenguele
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A sétima edição do Festival Internacional de Curta-Metragem da Kianda (FESC-Kianda) presta homenagem ao cineasta Óscar Gil, reconhecendo o seu inestimável contributo para o desenvolvimento do cinema angolano. A distinção foi anunciada durante a cerimónia de abertura do festival, realizada na sexta-feira, no Memorial Dr. António Agostinho Neto (MAAN), em Luanda, momento em que foram destacados o percurso, a obra e o impacto do realizador na cultura nacional.

Apesar da ausência física de Óscar Gil na cerimónia, a sua presença fez-se sentir através das palavras de reconhecimento da organização, que o apontou como um dos pioneiros da sétima arte em Angola e uma referência inspiradora para as novas gerações de cineastas. Como símbolo dessa homenagem, foram preparados um certificado de mérito, um quadro e uma estátua representando um homem com uma câmara de filmagem, gestos que materializam um legado que continua vivo, segundo o Jornal de Angola.

O director do FESC-Kianda, Vânio Luís de Almeida, sublinhou que a homenagem vai além do simbolismo, assumindo-se como um apelo aos jovens criadores para que reconheçam e valorizem o papel daqueles que abriram caminhos para o desenvolvimento das artes no país. Segundo o responsável, construir o futuro do cinema implica honrar a memória, a experiência e o sacrifício dos mais-velhos, reforçando a continuidade e o diálogo entre gerações.

Integrado nas celebrações dos 450 anos da cidade de Luanda, o festival decorre desde a última sexta-feira até à próxima quinta-feira, com exibições a partir das 17h30, no Palácio de Ferro, além de apresentações a partir do Brasil. Subordinada ao lema “O contributo do cinema antes e depois da Independência Nacional”, esta edição visa incentivar a produção, a exibição e a distribuição de obras cinematográficas, fortalecendo a indústria nacional e aproximando o público angolano da criação audiovisual.

Ao todo, participam 50 filmes de realizadores oriundos de vários países da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), evidenciando a diversidade e a riqueza da lusofonia cinematográfica. As obras concorrem em múltiplas categorias, com destaque para Melhor Curta-Metragem, cujo prémio é de um milhão de kwanzas, e Melhor Documentário, no valor de 500 mil kwanzas, além de outras distinções técnicas e artísticas.

O corpo de júri é presidido pelo realizador Mawete Paciência, que considera o processo de avaliação exigente, mas enriquecedor, por permitir o contacto com produções de diferentes contextos culturais. Segundo o responsável, a apreciação terá em conta critérios rigorosos, com o objectivo de assegurar uma avaliação justa e transparente, reforçando o prestígio do FESC-Kianda no panorama cinematográfico nacional e internacional.

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